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V FSPA

Altamira traz poesia de luta ao Pan

sábado 27 de novembro de 2010, por Terezinha Vicente ,

A primeira caravana a chegar no Parque da Cidade, na manhã do dia de abertura do V Fórum Social Pan Amazônico veio de Altamira. Em três ônibus, 90 pessoas viajaram durante um dia, desde a comunidade de Jurunas, no sul do Pará. Ligadas ao Movimento Xingú Vivo Para Sempre, essas pessoas trazem a esperança de fortalecer suas lutas. Antonia Melo, uma das coordenadoras do movimento diz que “participaremos de todas as oficinas alusivas ao tema, mostrando nossa experiência e adquirindo mais conhecimentos, buscando fortalecer a aliança entre os povos indígenas”. Segundo Antonia, “o modelo de desenvolvimento do PAC é atrasado e destruidor, revelando a união do grande capital com os governos em todos os níveis”, sendo preciso sensibilizá-los com os movimentos ambientais em defesa de todos os rios da Amazônia, principalmente o Xingu.

O desespero de ver floresta e rios destruídos transforma em poetas agricultores humildes, pouco letrados, mas completamente integrados à natureza da qual fazem parte. Com seus gritos presos na garganta, colocam nas palavras que trouxeram para o Pan Amazônico a esperança de transformar a realidade que os aterroriza. Um exemplo vem de Lucimar Barros da Silva, agricultor, poeta e músico da Comunidade Divino Pai Eterno, para quem “poema é um desabafo para tentar quebrar a força das pessoas do mal”. Ele fez o poema abaixo especialmente para o Pan Amazônico, passando grande emoção ao lê-lo.

Amazônia pulmão do planeta

Amazônia tu és o guarda desse planeta a brilhar

Amazônia tu tens muitas espécies de animais e pássaros

Que só no teu jardim conseguem morar

Amazônia tu tens corações que te defendem

Porque sabem que têm que preservar.

Porque tu és a vida deste planeta

Que traz oxigênio para nós respirar

Amazônia eu moro dentro de ti

E quero permanecer a morar.

Tu tens muitos cantores quando é noite

Canta a rã, o sapo, o corujão, o gato do mato

Grita a onça, ruge o aracuan

Também canta declarando onde está

Amazônia tu tens árvores tão grossas que

Quatro homens de braços abertos não conseguem abraçar

Amazônia grita por socorro e não pode acabar

Amazônia tem a alvorada, a lambris

Canta declarando que o dia já vem a raiar.

Amazônia patrimônio da humanidade

De todos os seres que precisam respirar

Porque tu tens oxigênio que purifica nosso ar

Temos que defender a Amazônia

Que é nossa vida, nosso lar

Amazônia tem rios muito bonitos

Que só a mão divina pode formar.

O mundo inteiro tem que nos ajudar

A defender esses belos rios

Que os ambiciosos querem derrotar

Fazendo barragens para todos os lados

Sem caçar outra forma de eletrificar

Devemos ser inteligentes no sistema

Fazendo outras alternativas e não barragens

Deixando os nossos rios para as crianças brincar.