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Prefeitura segue com campanha de “higienização” do Centro de São Paulo

domingo 12 de fevereiro de 2012, por Vinicius Souza,

Retirada de 178 famílias de hotel abandonado na Rua Conselheiro Nébias engrossa contingente de acampados na mítica esquina da São João com a Ipiranga

A Prefeitura de São Paulo, com apoio da Justiça estadual e da Polícia Militar, continua a todo o vapor em sua política de impedir a ocupação de imóveis abandonados na centro da cidade e de retirada das pessoas que insistam em lutar pelo direito constitucional de moradia em uma área que já possui toda a infra-estrutura de saúde, transporte e educação. Na noite dessa quinta para sexta-feira (9 a 10 de fevereiro) o alvo foi o antigo Hotel Pão de Açúcar, localizado na Rua Conselheiro Nébias, 314, esquina com a Rua Vitória. No edifício sem uso há quase dez anos, segundo a ex-moradora Rita de Cássia Pereira, viviam 178 famílias, incluindo 78 idosos, 98 crianças e três deficientes físicos.

Depois da desocupação dos casarões e prédios usados como refúgio para usuários de Crack em janeiro, classificada pelo Ministério Público como desastrosa, um a um estão sendo "reintegrados" (ou seja, entregues aos "donos" para continuarem lacrados e sem uso) os dez edifícios ocupados por famílias ligadas a movimentos como o MSTC - Movimento dos Sem Teto do Centro e a FLM - Frente de Luta por Moradia em novembro de 2011. A mais rumorosa foi a reintegração de posse do último dia 2 de fevereiro, que levou 230 famílias a montarem acampamento na calçada da Avenida São João, em frente a um antigo cine pornô, quase na esquina com a Avenida Ipiranga, local que ganhou destaque na MPB com a música Sampa, de Caetano Veloso.

Sem poder impedir à força que as cerca de 120 crianças da ocupação ficassem na calçada com as mães, a PM e a CGM- Guarda Civil Metropolitana destruiram na própria quinta, 2 de fevereiro, os abrigos de madeira improvisados para amenizar o calor e proteger da chuva. No domingo, dia 5 de fereveiro, agentes da GCM usaram cassetetes, gás de pimenta e bombas de efeito moral para tentar, sem sucesso, dispersar os ativistas. "Depois disso, o Ministério Público entrou com uma ação contra a GCM que nos deu um pouco mais de tranquilidade e pudemos esticar essas lonas para proteção", explica a coordenadora do MTSC Jussamara Leonel Manuel. "Nós só queremos uma solução de moradia para essas pessoas que não signifique a desintegração das famílias, mas até agora o poder público não ofereceu nada".

Com a desocupação do Hotel Pão de Açúcar, mais 55 famílias aderiram ao acampamento. Diferente dos ocupantes originais da calçada, os novos desabrigados conseguiram garantir na negociação para a reintegração de posse, que ocorreu sem violência, o cadastramento em futuros programas de moradia popular. "Passamos quase o dia toda nas filas para informar os documentos e número de familiares", conta Rita Pereira. "Mas na verdade não sabemos o que a Prefeitura vai fazer com esses dados porque não recebemos qualquer protocolo ou comprovante do cadastramento e nem informações sobre os projetos pra gente".


Ver online : Mediaquatro


Texto e fotos: Vinicius Souza e Maria Eugênia Sá
Mediaquatro
http://mediaquatro.sites.uol.com.br

Portfólio

  • Alguma coisa acontece no meu coração
  • Proibido para menores
  • Esperando o tempo passar
  • Sob a lona, pelo menos por enquanto
  • Filas para cadastro sem comprovante