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Redes sociais sem censura e com privacidade

terça-feira 12 de junho de 2012, por Rita Freire,

Um diálogo entre as redes que não obedecem a nenhuma agenda corporativa, onde internautas são livres para se comunicar e desenvolvedores são livres para utilizar, adaptar e aperfeiçoar códigos e conteúdos. Entrevista com Pedro Noel, da Rede Global Square, rumo ao Fórum Mundial de Mídia Livre

Paralelamente à realização da Rio+20 e da Cúpula dos Povos, acontecerá nos dias 16 e 17 de junho o II FMML (Fórum Mundial de Mídia Livre), que deve reunir militantes da causa da democratização da comunicação de todo o globo. Entre os temas em pauta, a questão das redes e protocolos de comunicação livres de propriedade, filtros de conteúdo e, especialmente, armazenamento de dados dos usuários. De Berlim, na Alemanha, o filósofo brasileiro Pedro Noel participará da conexão com o Rio de Janeiro que abordará o tema da apropriação tecnológica pelos cidadãos. Ativista das mídias digitais, ele organiza canais e conteúdo para movimentos sociais como Occupy Wall Street, indignados da Espanha e organizações e publicadores de jornalismo investigativo pelo mundo. Atualmente coordenador-geral do projeto Global Square, ele falou em entrevista ao Engenheiro.

O que são as chamadas redes livres e o que as torna diferentes do Facebook, por exemplo?

Redes livres são canais de comunicação abertos, em que não há filtros ou qualquer tipo de censura às informações a serem veiculadas. São iniciativas de grupos que acreditam no fluxo livre de informação e na disposição ativa da população no que é relacionado à produção e transmissão de informação. Tecnicamente, são softwares diferentes do Facebook, Orkut e todas as redes corporativas que conhecemos, pois têm código aberto e livre. Isso significa que qualquer pessoa pode contribuir para a melhoria da rede, resolvendo possíveis bugs ou aperfeiçoando ferramentas já existentes. Qualquer um também pode utilizar o código para fomentar outras iniciativas e projetos, adaptando-o a necessidades específicas. Redes livres são copyleft, o oposto de copyright. Isso significa que não obedecem a nenhuma agenda corporativa específica, que seus usuários são livres para se comunicar e desenvolvedores livres para utilizar, adaptar e aperfeiçoar seu conteúdo e seu código da maneira que melhor lhes apetecer.

Porque é importante uma ligação entre essas redes e de que forma isso pode ser feito? O que vem a ser um protocolo comum e como é aplicado na prática?

É importante fomentar um vínculo de comunicação entre cada uma dessas iniciativas, pois tecnicamente uma pode complementar a outra e evitar esforços duplicados ou mesmo tempo de trabalho desperdiçado. Além disso, podem aprender uma com a outra, buscando em conjunto alternativas e soluções para problemas comuns. Um desses temas é a ideia de um protocolo de comunicação que seja livre e global. Com isso, as redes e seus usuários poderiam contar com um vocabulário comum para transmissão de dados, unindo-se numa corrente que lhes permitiria comunicar-se livre e facilmente entre si. Esse protocolo significaria que pessoas poderiam comunicar-se sem intermediários corporativos e governamentais, aumentando a segurança e a liberdade nos processos comunicativos da sociedade como um todo. Entre essas iniciativas, podemos destacar Lorea (plataforma-berço que fomenta a criação de redes livres como o N-1, bastante utilizado pelos indignados da Espanha), Secushare (projeto de rede social P2P focado em privacidade), Global Square (projeto de rede social descentralizada P2P e resistente à censura e bloqueios arbitrários) e Briar (projeto de rede focado em comunicações seguras para jornalistas e ativistas em regimes autoritários).

Qual o papel principal da rede Global Square?

É um ambiente organizacional focado no respeito à privacidade individual e transparência relacionada a organizações e ações públicas. Como um ambiente social, está centrada em facilitar comunicações abertas enquanto indivíduos têm controle sobre sua privacidade. Apoiamos o direito à organização e coordenação popular, bem como de compartilhar informação livremente para facilitar processos educativos colaborativos. Buscamos conectar redes, promover um espaço livre para interação de indivíduos e trabalho colaborativo. Global Square trabalha na direção de criar infraestruturas globais que forneçam um ambiente seguro e descentralizado à organização cívica.


Como será o evento de Berlim? Como será a conexão com o Rio de Janeiro?

Em Berlim, daremos prosseguimento às discussões que vimos fazendo desde os últimos meses na Europa e pretendemos conectá-los com os processos do Fórum Mundial de Mídia Livre no Rio de Janeiro, a fim de buscar alternativas comuns para problemas globais relacionados a um protocolo unificado, aberto e livre para redes sociais e seu futuro na sociedade contemporânea globalizada.

As universidades e instituições ligadas à ciência e tecnologia poderiam contribuir para o desenvolvimento das redes e protocolos?

É uma vontade de todos nós que esses processos possam ser apoiados por instituições de ciência e tecnologia. Global Square, por exemplo, tem uma parceria com a Universidade de Tecnologia de Delft, na Holanda, que no presente momento está desenvolvendo a tecnologia P2P (descentralizada) que será implementada em nosso software. É essencial contar com o apoio desse tipo de instituição para que logremos atingir o objetivo de poder fornecer ao público da internet redes sociais livres, efetivas e que favoreçam o trabalho colaborativo e o compartilhamento livre de informação, sem agendas corporativas. (Rita Freire)

Saiba mais:

Chamado às Redes Livres

Global Square

Fórum de Mídia Livre


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