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Dia nacional da consciência negra

domingo 5 de novembro de 2006, por ,

Adital - Ativistas do movimento pela igualdade racial se preparam para a realização da Marcha da Consciência Negra ou Parada Negra, como está sendo chamada, no Dia Nacional da Consciência Negra, 20 de novembro, na avenida Paulista, em São Paulo. Segundo a agência de notícias Afropress (www.afropress.com), os ativistas do Movimento Brasil Afirmativo querem unificar as agendas do dia 20 com as centrais sindicais e com outras entidades dos movimentos sociais.

As entidades que participam da Marcha, entre as quais a CONEN, Unegro, Movimento Negro Unificado, fazem parte da articulação que realizou a Marcha Zumbi + 10, em 22 de novembro do ano passado, em contraposição às entidades que fizeram a mesma manifestação no dia 16 de novembro, por se colocarem em posição mais independente em relação ao governo e aos partidos da base aliada.

A CUT (Central Única dos Trabalhadores) e outras centrais já teriam assumido o movimento de coleta de assinaturas em favor do Estatuto da Igualdade Racial e do Projeto de Leu 73/99, iniciado pelo Movimento Brasil Afirmativo. Para os militantes do Movimento Brasil Afirmativo é fundamental que haja unidade de ação. Pela primeira vez desde que foi criado o feriado do dia 20 de novembro, em S. Paulo, cai numa segunda-feira e teme-se que se não houver uma manifestação de peso a data "acabe passando em branco".

Um projeto com o detalhamento da manifestação será encaminhado ao governo para que sejam tomadas as providências administrativas para a liberação dos recursos. "Com recursos ou sem recursos vamos para a Avenida Paulista para marcar o Dia da Consciência Negra, com independência e com autonomia em relação a partidos e a governos. Com as nossas próprias pernas", afirmam os militantes do Movimento Brasil Afirmativo. Os participantes da reunião também solicitaram que faça gestões visando a liberação da avenida Paulista para as manifestações.

Também já foi aprovado o logotipo da Parada Negra, elaborado pelo publicitário e webdesigner Gabriel Silveira. O logo deverá conter uma tarja lilás, em homenagem a luta da mulher negra contra o machismo e a opressão. Também ficou decidido que os eixos políticos da Parada serão a defesa do Estatuto da Igualdade, do PL 73/99 - que criam ações afirmativas e cotas - e a implementação da Lei 10.639/2003, que obriga a inclusão no curriculo das Escolas da matéria História e Cultura Afro-Brasileira.

Segundo a Afropress, a proposta da Parada, contudo, não se resume aos eixos políticos. A idéia é se fazer uma convocação para que todos os negros e negras de São Paulo e as pessoas sensíveis à luta contra o racismo e pela igualdade racial, independente da cor, se dirijam à Paulista. "Vamos mostrar a força da cultura do nosso povo, as religiões de matriz africana, mas também os negros evangélicos, os grupos de capoeira, o hip hop, os trabalhadores e os empresários negros, os estudantes, as escolas de samba, enfim, vamos começar a resgatar nas ruas a força e a auto-estima do nosso povo", afirmam os organizadores.