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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 27/365

domingo 27 de janeiro de 2019, por Fátima Froes,

10º dia de blindagem do bolsofilho

Ninguém foi preso pelo crime ambiental da Vale. Segundo dia.

1. Hoje é dia de luto. 34 corpos encontrados. 287 desaparecidos, os números oficiais.

2. As mineradoras silenciam todos os poderes. Mas existe resistência. Existe uma força organizada dos Movimentos Atingidos por Barragem, cujo site é https://www.mabnacional.org.br/.

3. Da implantação das mineradoras, ao crime por negligência, esse movimento social esclarece, informa, luta contra a ação criminosa das mineradoras. Consegue pouca escuta, as mineradoras são poderosas. Poderiam ser estatais, com funcionários treinados, como eram inicialmente, a Vale e a Petrobras.

4. Sucateados, terceirizados e quarteirizados, submetidos a condições precárias de trabalho, quase não faz diferença em termos de funcionamento, ser estatal ou privado. Reafirmo ainda que a Vale não era inócua à população, quando estatal. Mas nunca houve registro de desastres nas proporções de Mariana ou Brumadinho, e já são doze desastres pós-privatização (a privatização foi um presente de FHC a parentes em 1997), mas poluía e impactava o meio ambiente. O setor deveria ser estatal porque é perigoso e é estratégico para o país.

5. Quanto a Mariana, o caso corre até hoje no TRF 4, lentamente. Três anos e só 1% da multa foi paga. O decreto de Dilma Rousseff que caracteriza o caso como desastre natural, que maldosamente estão espalhando como se fosse uma naturalização do crime, e não é, permitiu para as vítimas o saque do FGTS. Dilma determinou a multa, e o golpe de Temer & associados, cancelou. É sempre o Estado respondendo pelos crimes que acontecem no campo privado.

Mas hoje ainda é dia de luto.

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