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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 51/365

quarta-feira 20 de fevereiro de 2019, por Fátima Froes,

Então com tantos áudios por ai, com tanta história sobre Bebianno, fim da lei da mordaça, e etc,...mas vamos ficar em silêncio sobre esses assuntos, melhor deixar fermentar.

1. A questão que aparece na surdina é o lugar da mulher no governo bolsonaro. A primeira dama deu a dica, silenciosamente, falando em libras, para mostrar que é prendada e que não "atrapalha" a fala dos homens.

2. O Diário do Centro do Mundo dá outra informação preciosa. Para não pagar pensão aos filhos, Bolsonaro ajudou a eleger vereadora uma ex-mulher. Então é essa a função de uma vereadora para Bolsonaro: um cargo público, para que, com o dinheiro público, ele se isente de pagar a pensão dos filhos. Para que pagar pensão para os filhos se tem um cargo eletivo ali à disposição?

3. Mas, ainda de acordo com o Diário do Centro do Mundo, ela começou a agir com autonomia. Ele então emancipou o filho de 17 anos e o lançou como candidato a vereador concorrendo com a mãe. E ela perdeu as eleições. No sítio Pragmatismo Político consta que a Sra. Mãe de Carlos, Eduardo e Flávio Bolsonaro acusou o Bolsopai de espancar um cabo eleitoral a serviço dela, como parte da estratégia para garantir a vitória do filho. Outra ex-mulher do capitão também o acusou de agressão e ameaça de morte, e por isso saiu do país.

4. Uma das ministras, a da família, (em nome de Jah!), acha que as mulheres devem ficar em casa. Menos ela. Também aconselha os pais de meninas brasileiras a saírem do Brasil com suas filhas. Uma governante que não aponta soluções para a violência e em vez disso procura espalhar o pânico e descumprir ou desconsiderar, cuidadosamente, qualquer direito expresso na Declaração dos Direitos Humanos.

5. O Partido atual do capitão-presidente, sabe-se lá até quando, o PSL, tem um deputado que chegou a elaborar um projeto de lei proibindo a pílula do dia seguinte e o DIU (PL 261/2019), porque não são "naturais". Não fala em proibir o Viagra. Deve, provavelmente, considerar que é "natural".

6. Também nesse partido, uma deputada estadual que é contra métodos contraceptivos que sejam abortivos, e aborda o tema pensando unicamente no controle do corpo da mulher, fala em família "natural" como um compromisso para a procriação. E o que se faz com aquelas 5,5 milhões de crianças que não têm o pai na sua certidão de nascimento. Isso é "natural"? Ou aqueles 600 mil brasileiros sem certidão de nascimento? O que é uma família "natural", é aquela da propaganda de margarina? Com música ambiente de elevador? Mas o que é mesmo um pai? É aquele que lança a ex-mulher como candidata a um mandato público como expediente para não pagar pensão? Isso é uma família "natural"?

7. Essa senhora, a deputada pelo PSL, também afirma que o feminismo é uma ameaça à civilização ocidental. Se o que vocês têm a oferecer é esse tipo de "civilização", queremos sim, recusá-la. Equidade é uma palavra que não está no dicionário dessas pessoas, mas seria bom não esquecer que mulheres só chegaram ao parlamento, muito recentemente, graças à luta feminista. No Brasil, o direito a participar de cargos eletivos só em 1932.

8. O papel reservado à mulher, enfim, é o de laranja. Mulher-instrumental.

9. Mas a melhor notícia do dia de ontem foi que Jair Bolsonaro, o presidente eleito pelo PSL, perdeu o recurso no Supremo Tribunal Federal e vai ter que indenizar a deputada Maria do Rosário, aquela que aprovou o projeto de lei que obrigava a linguagem de libras em cerimônias públicas. Melhor que a indenização é a retratação. Nós temos um presidente que vai ter que se retratar com uma deputada, por um ato de violência. Sim, senhora deputada do PSL, nós queremos destruir ESSA civilização ocidental que vocês pensam que representam.

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