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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 56/365

segunda-feira 25 de fevereiro de 2019, por Fátima Froes,

38º dia de blindagem do bolsofilho. Queiroz e assessores de Flávio Bolsonaro desaparecem. As candidatas laranjas também.

O crime da Vale segue sem punição. Fábio Schvartsman continua livre. Algum dia saberemos o número de mortos? A contagem oficial está em 179.
Reforma da Previdência , Parte 3 de 4

1. Por que é tão interessante a reforma da previdência para o mundo neoliberal? Porque em Davos o discurso telegráfico de Bolsonaro reafirma essa reforma? Porque não é assunto interno, é um projeto do fim do bem estar social. Uma "desoneração" das empresas que é, na real, a "oneração" da vida. O capitalismo está cobrando seu passe por você existir.

2. Para muitos brasileiros, a aposentadoria pelo INSS é a única fonte de renda. Eles não voltarão ao mercado de trabalho, já não têm condições de vender sua força de trabalho. Mas a previdência é essa coisa do bem estar social, e o modelo ultraliberal não quer o bem estar de ninguém, a não ser dos acumuladores.

3. A previdência não surgiu como uma benesse do Estado, foi o resultado de muita luta da classe trabalhadora. A classe trabalhadora organizada conseguiu que o patronato recuasse da sua gana incessante e foi criado um modelo em que o trabalhador contribuía, o capitalista contribuía, o Estado contribuía e fazia a gestão.

4. A previdência, desde a Constituição de 88, tem um modelo de responsabilização de todos e também de repartição. Esse fundo de financiamento é diverso, arrecada desde uma parte dos jogos de loteria, até a contribuição do trabalhador com o seu salário.

5. Mas o capital nunca se conformou muito com esse modelo. Há muitos anos existe a fantasia do chamado rombo da previdência, sendo causado pela população trabalhadora ir se aposentando, se invalidando, morrendo e deixando dependentes, gerando um déficit. É um discurso antigo.

6. Mas diversos estudos acadêmicos, atuariais e a própria CPI da Previdência mostram uma outra realidade. A Previdência é superavitária, a narrativa construída é mal intencionada.

7. O ministro da economia, um ultraliberal que, dizem, deu sumiço em recursos de muitos fundos de pensão, só da Caixa Econômica 22 milhões, comanda as negociatas com o poder legislativo para garantir a reforma que, se nos debruçarmos, não é bem uma reforma, é a morte da previdência. É a financeirização da vida. Ele foi aluno de Pinochet que implantou um modelo de previdência de contribuição única do trabalhador, que inviabiliza a vida do trabalhador chileno após a aposentadoria, ou seja, é um modelo genocida, como o de Pinochet.

8. Um dos maiores interesses defendidos pelo ministro, é a privatização da previdência, além do perdão das dívidas das grandes empresas. O retorno ao patrocinador. E que fique claro que as pequeninas não serão perdoadas, não têm poder de compra no Congresso.

A cada canto um grande conselheiro,
Que nos quer governar cabana e vinha;
Não sabem governar sua cozinha,
E podem governar o mundo inteiro.
(..)
Estupendas usuras nos mercados,
Todos os que não furtam muito pobres:
(...)
Gregório de Matos

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