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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 75/365

sábado 16 de março de 2019, por Fátima Froes,

Ódio às mulheres, Luta das Mulheres, Decálogo Feminista

I - SOBRE O ÓDIO ÀS MULHERES E SUAS REPRESENTAÇÕES:

1 - Os representantes de um determinado povo: PSL - Daniel Silveira, Charlles Evangelista, Guiga Peixoto. PSDB - Celso Sabino, Luth Rebello. PRB - Vavá Martins. PV - Célio Studart. PODE - Leo Moraes. Patri - Marreca Filho (não é o marreco de maringá). PHS - Igor Normando. Esses deputados realizaram um ato corporativo, latindo como vira-latas e levando gravações de outros cães para atrapalhar um ato em homenagem a Marielle Franco no Congresso. Não conseguiram atrapalhar o ato, mas se colocaram claramente na questão deixando suas assinaturas na história como cães raivosos que odeiam mulheres.

2 - Um vídeo circula na internet com uma série de homens brancos gritando o nome de Ustra, o torturador que colocava ratos e baratas na vagina de mulheres que pensavam e lutavam pela liberdade. O que mais chocou é a legenda: trata-se da posse de deputados que representam algum outro povo do Estado de São Paulo.

II - SOBRE A LUTA DAS MULHERES:

Hoje completa um ano da Assembleia Mundial de Mulheres, que aconteceu em Salvador durante o 13 º Fórum Social Mundial, onde foi aclamado o decálogo, os 10 pontos inegociáveis na luta das mulheres. A convocação foi realizada por aproximadamente 80 instituições e estiveram presentes aproximadamente 10.000 mulheres. O nome da Assembleia era Marielle Franco.

DECÁLOGO FEMINISTA:

1. Pelo pleno reconhecimento do trabalho produtivo e reprodutivo. Todas somos trabalhadoras, não importa se em casa, no mercado ou na comunidade. Pela igualdade de oportunidades e igualdade salarial, contra o assédio sexual e moral no trabalho, pelo pleno reconhecimento do trabalho de cuidado remunerado, exigimos políticas públicas para garanti-lo.

2. Pelo fim dos feminicídios, trans feminicídios e de todas as formas de violência, sejam sexuais, físicas, simbólicas, psicológicas, domésticas, trabalhistas, obstétricas, patrimoniais e epistêmicas praticadas no âmbito público, privado e no ativismo.

3. Pelo nosso direito de decidir sobre nossos corpos, sentimentos e pensamentos, com autonomia, sem interferências do Estado, dos fundamentalismos religiosos e do poder econômico.

4. Por nossa emancipação real e substantiva e acesso ao poder político.

5. Pelo fim da utilização de nossos corpos como arma de guerra, pelo fim da perseguição e assassinato das defensoras de direitos humanos.

6. Pelo nosso acesso e de todas as pessoas à educação universal, emancipadora, transformadora, libertária, não racista e não sexista.

7. Contra o racismo, a xenofobia, o genocídio e o fim do encarceramento das pessoas negras, indígenas, migrantes e pobres.

8. Pelo reconhecimento de nossa identidade e expressão de gênero auto percebidas. Pela plena garantia de nossos direitos, fim da discriminação e da violência por orientação sexual, identidade e expressão de gênero.

9. Pelo desmantelamento da estrutura patriarcal dos meios de comunicação, pelo fim da mercantilizarão e hipersexualização de nossa imagem. Nossa invisibilidade nestes meios contribui para o silenciamento de nossas lutas.

10. Contra o capitalismo, o colonialismo e o imperialismo que nos exploram e expropriam ao redor do planeta, cujas disputas pelo mercado e fontes geram guerras, destruição, violências e mortes que atentam contra nós.

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