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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 78/365

terça-feira 19 de março de 2019, por Fátima Froes,

Hoje é dia de São José

60º dia de blindagem do Bolsofilho, Nenhuma notícia de Queiroz.
200 mortos e 108 desaparecidos no crime de Brumadinho. Fábio Schvartsmann continua impune. Hoje mais uma cidade foi evacuada, sob risco de ser atingida pelas ações criminosas da Vale, que foi privatizada por FHC.

"Meu divino São José
Aqui estou em vossos pés
Dai-nos chuva com abundância
Meu Jesus de Nazaré"(*)

1. Hoje é comemorado o dia de São José, no mundo católico.

2. No sertão é o dia da chuva. Se não chove no dia de São José, esperamos uma ano de seca, ou mais um ano de uma seca que pode durar muitos anos. No dia de São José tem que chover, tem que plantar milho para colher mais adiante, na festa de São João.

3. Durante os governos Lula e Dilma, pela primeira vez na história do Brasil, não houve êxodo no período da seca. Porque o fenômeno, cíclico, foi esperado e planejado. Programas de cisternas, programas de irrigação. O Nordeste saiu daquela representação do cinema novo, das crianças famintas, e foi partir para o desenvolvimento. No capitalismo distributivo a água também foi distribuída.

4. Assisti, na infância, as conversas sobre a ajuda humanitária: da aveia que chegava para alimentação das crianças com fome e era desviada para criação de cavalos em haras, porque afinal era uma aveia muito boa para alimentar cavalos.

5. Assisti, também, dinheiro chegar para pagar frentes de trabalho e ser desviado para o bolso de gente de bem. A seca, agora, é uma indústria que não interessa a ninguém.
O primeiro governo popular, de um nordestino, refugiado da seca, teve essa prioridade.

6. Mudamos a história, mudamos a política, mudamos a consciência crítica. Nós, no nordeste, somos uma região que pensa, que pulsa. Hoje, fazendo consórcios para sobreviver aos possíveis e certeiros boicotes do governo fascista.

7. O governo que agora promete desconstruir o que foi construído. Promete portas abertas ao grande capital. Portões fechados a nossa gente, que trata como lixo. Se reúne com a CIA, com o ministro da justiça, sem agenda, desaparece em Washington, agindo como quem está viajando com recursos próprios cuidando da própria fazendinha. Enquanto isso um vereador da cidade do Rio de Janeiro se autodeclara príncipe regente e começa a despachar no planalto. Um procurador não autodeclarado mas que alçou o cargo através de liminar incita o público a depredar o STF porque não acata as suas manobras. Até agora nenhuma prisão foi efetuada, nenhum manicômio foi acionado.

É São José, acho que aqui, em se plantando, nada dá...

(*) Este canto, de domínio público, abre a música Procissão de Gilberto Gil.

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