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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 87/365

quinta-feira 28 de março de 2019, por Fátima Froes,

Sobre a ditadura militar texto 2 de 6

"É incompatível com o Estado Democrático de Direito festejar um golpe de Estado e um regime que adotou políticas de violações". Ministério Público Federal.

1. De acordo com o site da Exame, uma juíza obriga o presidente eleito a se posicionar sobre a comemoração do golpe de estado de 1964.

2. A Defensoria pública da união também entrou com um pedido de suspensão das "celebrações".

3. O senador Humberto Costa replica a matéria nos dando os seguintes dados: morte e desaparecimento de, pelo menos, 434 opositores à ditadura, 8 mil indígenas mortos, 30 a 50.000 pessoas torturadas e sexualmente violadas.

4. O presidente, diz que esses números são probleminhas que houveram durante a ditadura. Ele considera tortura e morte probleminhas. É esse homem que pretende dirigir o país, "desconstruir" o país.

5. Uma visita do presidente eleito à Faculdade Mackenzie teve que ser cancelada em função do protesto dos estudantes. O presidente que defende torturadores não aguenta umas vaias básicas.

6. O chanceler Ernesto Araújo, um homem profundamente ignorante, defende a ditadura militar como um movimento para evitar a ditadura no país. Um presidente eleito e sua equipe a defender o fim da democracia e instalação do terror.

7. A passagem dos ministros da educação (o xenófobo) e das relações exteriores (o terraplanista) pelas comissões da Câmara foram o esperado para um governo que festeja a morte. Ventríloquos de um não-projeto da bolsofamília, um vexame nos anais da casa legislativa, ao vivo e a cores para todo o mundo.

8. Enquanto isso o ministro da justiça faz movimentos para baixar a tributação do cigarro, veja só, virou competência do ministério da justiça a questão tributária? ou é um interesse muito particular do ocupante da pasta? E o ministro da economia?

Para que não se esqueça, para que jamais aconteça.

ESMERALDINA CARVALHO CUNHA

Data e local de nascimento: 01.04.1922, Araci-Ba.

Data e local da morte: 20.10.1972 Esmeraldina foi encontrada morta na sala de sua casa, em Salvador, no dia 20.10.1972, aos 49 anos. O corpo foi encontrado pendurado num fio de máquina de costura elétrica.

Era a mãe de Nilda Carvalho Cunha, já morta pela Operação Pajuçara.

Inconformada com a prisão da filha, Esmeraldina revirou a Bahia. Procurava os comandantes militares, o juiz de menores, advogados, tentava romper a incomunicabilidade imposta pelo regime.

Só conseguiu vê-la na Base Aérea de Salvador. Encontrou a filha em estado lastimável em consequência das torturas. Esmeraldina enfrentou o Major Nilton de Albuquerque Cerqueira, um dos carcereiros da filha.

Da primeira vez, o major tentou impor como condição para a soltura de Nilda, que a mãe voltasse a viver com o ex-marido, o que não se concretizou e quase impediu a liberdade da filha.

Da segunda vez o major esteve no quarto de hospital em que Nilda, já em liberdade, estava internada. Sua presença e ameaças de retorno à prisão, agravaram o estado de Nilda, que veio a óbito dias depois, em circunstâncias nunca esclarecidas.

Em certa ocasião quando bradava pelas ruas a morte de Nilda, Esmeraldina foi detida, levada à Secretaria de Segurança Pública e liberada, por intervenção de uma amiga que a vira chegar presa.

Recebeu, tempos depois, a visita de um estranho que lhe levava um recado dizendo: “o major mandou avisar à senhora que se não se calar, nós seremos obrigados a fazê-lo”. Mas Esmeraldina não se intimidou e não se calou – as praças de Salvador acolhiam sua angústia e suas denúncias.(*)

(*) texto do site da UESB, Ditadura na Bahia: Lista de Baianos mortos e desaparecidos na ditadura militar.

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