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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 93/365

quarta-feira 3 de abril de 2019, por Fátima Froes,

Cortes no orçamento do MEC e o Projeto de Lei anti-crime

74º dia de blindagem do Bolsofilho. Nenhum sinal de Queiroz.

Crime de Brumadinho - 217 mortos. 87 desaparecidos. Fábio Schvartsmann segue sua vida tranquilamente.

1. O MEC sucumbe: 5,8 bilhões de corte no orçamento. Sofre com tal rotatividade que provavelmente vão colocar ali uma porta giratória. O tempo de permanência da pessoa no cargo corresponde ao de entrada na fila e passagem pela porta. Pronto: hora de sair. As drásticas consequências recaem sobre as pesquisas, os bolsistas, as escolas e os livros escolares. A reflexão sobre isso nos faz pensar na possibilidade de o xenófobo ministro da educação ter sido colocado ali para paralisar qualquer processo de formação do povo brasileiro. Isso tudo no país em que o ministro das relações exteriores diz que o nazismo era de esquerda e o presidente repete essa preciosidade em visita a Israel, dando aula da sua pós-verdade obscurantista e arrogante.

2. O ministro da justiça, na sua defesa do indefensável projeto de lei anticrime, chama mais uma vez a atenção do mundo pela virulência, parece mesmo um projeto da Escola do Crime, com mulheres e negros como principais vítimas. Mas também chama atenção pela incapacidade de lidar com a sua língua pátria, o que seria natural na maior parte dos brasileiros, que têm pouca formação. O domínio da gramática, da denominada língua culta é, na verdade, mais um elemento de exclusão da elite, que usa seu discurso para corroborar a sua suposta superioridade intelectual.

3. O que chama atenção é que o ministro é parte dessa elite. Está no topo da pirâmide e apresenta um currículo extenso. Foi professor universitário em uma universidade pública, o que pressupõe um concurso. Fez Mestrado, Doutorado, Concurso para Juiz. Todas essas etapas da vida do ministro exigem domínio da língua. Precisamos colocar nossas lentes e holofotes nesses concursos. Quem organiza, como são realizados e porque o domínio da língua é tão desprezado nas atividades em que a palavra tem o peso de uma condenação?

4. Interessante também entender porque tantos são, ou foram, capturados por teses tão estranhas ao nosso ordenamento jurídico apresentadas por alguém com tão escasso domínio sobre suas ferramentas de trabalho.

5. Seguindo a linha da (de)formação, o desemprego vai às alturas e a culpa é do IBGE. Não ficou claro se a culpa do órgão é ter ousado quantificar o desemprego ou ter revelado a informação. A próxima conclusão pode ser ainda mais assustadora: a culpa do desemprego é do desempregado! o que justificaria o extermínio em massa desse povo que insiste em aumentar a estatística.

6. E como não vivem sem inimigos, já que não têm projetos a oferecer, o senador bolsofilho agora provoca o Hamas. Acho que a guerra com a Venezuela não vai evoluir, então precisamos de alternativas destrutivas. Afinal, Trump e Netanyahu precisam vender suas armas e suas tecnologias de guerra. E depois, reconstruir o país, se sobrar algo para ser reconstruído.

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