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Diário Não Oficial do Brasil - Dia 108/365

quinta-feira 18 de abril de 2019, por Fátima Froes,

Sobre a Terra, Mulheres e as Lutas

SOBRE A TERRA

Ontem: as memórias do dia 17 de abril são nefastas.

Nesta data, em 1996, uma marcha do MST para Belém do Pará em protesto pela demora na desapropriação de uma fazenda ociosa, a Fazenda Macaxeira, foi brutalmente interrompida pela polícia militar paraense, que chegou com ordens de atirar.

Dezenove pessoas morreram, sendo que dez delas foram executados com tiros à queima-roupa. Sete foram mortos com instrumentos cortantes, foice ou facão. Alguns foram perseguidos, caçados, tiveram seus crânios esmagados. 50 pessoas ficaram feridas.

A maioria dos envolvidos permanece sem responsabilização. A terra era ociosa, aquelas pessoas marchavam para ter o direito de produzir. Um ano depois foi liberada a fazenda, que hoje é o assentamento 17 de abril. 23 anos do massacre de Eldorado dos Carajás, 17 de abril é o dia internacional de luta pela terra. O Movimento Sem Terra está organizado em 24 estados, já conseguiu assentar 350 mil famílias.

Amanhã: o dia do índio.

As lutas do 19 de abril são pela demarcação das terras indígenas. Enquanto as escolinhas por todo o Brasil deseducam seus pupilos, enfeitando-os e invisibilizando a real situação dos povos indígenas brasileiros, representantes de várias nações que ocupavam originalmente toda essa terra que hoje se chama Brasil, marcham para Brasília. A luta pela demarcação da terra é a luta pela sobrevivência desses povos que foram reduzidos a 15% do seu território original.

O ministro da justiça desse governo racista convoca a força de segurança nacional por 33 dias para reprimir os manifestantes. Não há dialogo, não há negociação, só a força bruta e a história que se repete. A ideia é tomar a terra e pronto. Tudo feito sob o discurso cínico e ignorante de que é necessário integrá-los à sociedade. O que equivale a negar a sua cultura e transformá-los em pobres urbanos, mendigos. Exterminá-los.

SOBRE AS MULHERES E AS LUTAS:

O dia 17 de abril de 2016 foi o dia em que a câmara aprova a continuidade do golpe. Um golpe contra a primeira mulher eleita presidenta do Brasil. Tudo isso que está acontecendo aqui hoje, todo esse desmonte, toda essa destruição do país tem essa data nefasta como marco. O dia em que começamos a perder um país.

O dia 17 de abril de 2019 também foi o dia em que guerreiras Deputadas Alice Portugal, Erika Kokay, Gleise Hoffman, Jandira Feghalli, Maria do Rosário e Talíria Petrone conseguiram ganhar mais uma batalha na comissão de constituição e justiça da câmara dos deputados ao não aceitarem as condições dos governistas e seus relatórios para votar a nefasta reforma da previdência. O projeto genocida é mais uma vez adiado.

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