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Caça às bruxas avança nos Correios

segunda-feira 5 de agosto de 2019, por Ciranda.net,

Deputada do PSL encaminha ao governo pedido de apuração de lista de funcionários do Correio filiados a partidos de oposição, fazendo lembrar ditadura no Brasil e macartismo nos EUA. Trabalhadores reagem e denunciam perseguição ideológica.

Foto: Marcartismo. Créditos da foto: Rowland Scherman/Getty Images

No dia 17 de julho, o gabinete da Deputada Federal Bia Kicis encaminhou e-mail à assessoria parlamentar do Ministério de Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTI) informações relativas à filiação partidária de empregados dos Correios, destacando que 1.273 empregados são PT, PSOL, PDT, e PCdoB.

O Sintect-RJ (Sindicato dos Trabalhadores da Empresa Brasileira de Correios Telégrafos e Similares do Rio de Janeiro) publicou, no último dia 3 (sábado), nota de repúdioà perseguição aos trabalhadores dos correios do Rio de Janeiro. Na nota, o sindicato considera inadmissível qualquer forma de perseguição ideológica aos trabalhadores dos Correios, seja através de filiação partidária, religiosa ou no ambiente de trabalho. Além disso, repudia a orientação e perseguição aos trabalhadores feita pela Deputada Bia Kicis do PSL.

Segundo notícia de O Globo, a superintendência dos Correios no Rio de Janeiro está preparando um ofício a ser enviado à deputada Bia Kicis (PSL/DF) para rebater um documento encaminhado à parlamentar com informações sobre a filiação partidária dos funcionários da unidade. No entanto, segundo o jornal, a resposta se concentrará na veracidade dos dados sobre filiações, que não estariam corretos. O fato escandaloso, porém, é a própria perseguição ideológica contida em toda essa história.

Kicis teria recebido um documento pedindo providências para a presença de pessoas filiadas a partidos de "oposição" ao governo, com informações e números que ela encaminhou de pronto ao governo para apurar, e portanto endossando a denúncia. O teor da mensagem enviada à parlamentar, e replicada em sua correspondência, é de explícita caça às bruxas, lembrando os piores tempos da ditadura e reproduzindo métodos do marcartismo nos Estados Unidos. A campanha anticomunista instituída pelo senador norte-americano Joseph McCarthy na década de 50 foi caracterizada pela repressão, isolamento, impedimento ao trabalho - e quando não a eliminação - de jornalistas, artistas e quaisquer pessoas denunciadas ou consideradas suspeitas de simpatia pelo regime comunista ou de apoio a seus ativistas no país.