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Dia 226/365 - E somos sementes...de margaridas

quarta-feira 14 de agosto de 2019, por Fátima Froes,

Mais de 100 mil margaridas ocupam Brasília. E o CNMP puniu procurador que manifestou discordância pessoal com o resultado das eleições de 2018

Foto: Lula Marques https://fotospublicas.com/marcha-da...

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1. Ontem, 211 cidades registraram manifestações contra os cortes na Educação Pública, o projeto Future-se, que ameaça a Autonomia Universitária e contra a reforma da previdência. Mais de 1,5 milhões de pessoas foram às ruas.

2. Brasília, após a Marcha das Mulheres Indígenas, que ocupou o planalto, recebe a Marcha das Margaridas. Mais de 100 mil mulheres marchando em luta contra as péssimas condições de trabalho, a favor da distribuição da terra, contra o desmatamento, e contra o envenenamento das pessoas, dos animais e da terra pelos agrotóxicos. Mulheres de 26 países se somam à marcha das mulheres brasileiras. As Margaridas lutam principalmente por um país que assegure ao seu povo direitos capazes de promover justiça social e igualdade.

3. A marcha se denomina Marcha das Margaridas em homenagem a Margarida Maria Alves, uma trabalhadora nordestina que ocupou por 12 anos a Presidência do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba, rompendo com os padrões de gênero. A sua trajetória de luta pelo direito à terra, pela reforma agrária, por melhores condições de trabalho e contra as injustiças sociais e o analfabetismo, lhe custou a vida.

4. Foi assassinada em 12 de agosto de 1983 na porta de sua casa. De acordo com o sítio de notícias O Cafezinho, Margarida "se tornou um símbolo nacional de força e coragem cultivado pelas mulheres e homens do campo, da floresta e das águas. É em nome dessa luta que a cada quatro anos, no mês de agosto, milhares de Margaridas de todos os cantos do País marcham em Brasília, num clamor por justiça, igualdade e paz no campo e na cidade".

5. A marcha é coordenada pela Confederação Nacional dos Trabalhadores Rurais Agricultores e Agricultoras Familiares (CONTAG), e se constrói em parceria com 16 movimentos feministas e de mulheres trabalhadoras, centrais sindicais e organizações internacionais.

6. Os poderes legislativo e executivo montam um grande show para a reforma da previdência dos militares. Uma comissão especial vai analisar uma reforma especial e diferenciada, sem metas de cortes e de economia para o orçamento, enquanto a câmara se preocupa em aprovar a nova lei da escravidão, também conhecida como lei da liberdade econômica, afinal o show tem que continuar.

7. E o show de escárnio do ex-capitão que ocupa o planalto continua. Após diversos atos na tentativa de destruição da Educação Pública, ele vai inaugurar uma escola pública com o seu nome. Além do absurdo que é vincular o nome desse cidadão a uma escola, o ato viola o artigo primeiro da Lei 6.454, de 24/10/1977, reescrita em 2013, que proíbe atribuir nome de pessoa viva ou que tenha se notabilizado pela defesa ou exploração de mão de obra escrava, em qualquer modalidade, a bem público, de qualquer natureza. O síndico disfuncional se autodeclara zumbi.

8. E ainda no planalto central, um procurador é punido. Afastado por 30 dias sem receber salário. Não se trata do procurador que protagoniza os escândalos e ilegalidades em manipulações com objetivos políticos e de ganho pessoal denunciados pela imprensa nos últimos dois meses.

9. O procurador punido é outro. Foi punido por haver manifestado sua discordância pessoal com o resultado das eleições de 2018 e qualificado, em um blog na internet, o presidente eleito como “bunda-suja, fascista, preconceituoso, desqualificado, homofóbico, racista, misógino, retrógrado, arauto da tortura, adorador de torturadores, amante das ditaduras, subserviente aos militares”.

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