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Dia 229/365 - Não toque no meu samba, capitão!

sábado 17 de agosto de 2019, por Fátima Froes,

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1. Como era de se esperar, com o Supremo com tudo, a investigação sobre a atuação do conge no caso dos hackers foi arquivada. O pedido de arquivamento da PGR, aquela acusada de barraco pelo procurador power-point, alega insuficiência de provas.

2. A acusação era de que o conge havia usado dados obtidos de uma investigação sigilosa para "benefício próprio e até mesmo sugerir a destruição de provas", o que fornece indícios de ingerência do ex-juiz nas investigações da Polícia Federal. A conduta suspeita do ministro ao telefonar para diversas autoridades, informá-las que tinham sido alvos de interceptações ilegais e sinalizar que o material obtido seria destruído foi amplamente divulgada pela imprensa, e confirmada por pelo menos uma autoridade: o presidente do Superior Tribunal de Justiça. Aparentemente tudo isso é normal na terraplana.

3. A alegação, favorável ao ministro é a ausência da tal da prova. A palavra do presidente do STJ transcrita pelo jornal Folha de São Paulo, não serve. Paciência. A prova é um elemento misterioso que parece só ser questionado quando se quer liberar algum confrade, e se admite estar completamente ausente em processos de outros grupos, especialmente dos que não comungam a mesma ideologia. O síndico, por exemplo, acusa os médicos cubanos de guerrilheiros e de quebrarem a argentina (talvez tenham atuado no gabinete de Macri, obrigando-o ao neoliberalismo histérico), grita pela imprensa impunemente, ninguém se preocupa com a tal da prova. Não é o caso.

4. Como parte do projeto de destruição do país, o síndico disfuncional ataca o cinema nacional, porque cultura e identidade não são importantes para quem se propõe à subserviência. Dando vazão à sua homofobia criminosa censura filmes que tratem de temáticas lgbtqi e sexualidade. Afinal, a indústria nacional do cinema estava em franca expansão, e isso não é conveniente, é perigoso permitir que nos reconheçamos. Deve deixar a indústria do cinema americano indignada. E para justificar a destruição de mais esse setor, da cultura e da economia, nada como o ódio. O coro da elite-trombadinha delira, afinal não vão ao cinema a não ser para assistir aos blockbusters norte americanos em salas vip, abastecidas de pipoca com azeite de oliva. Mas o milho é transgênico, e com bastante agrotóxico.

5. O ex-capitão afirma, enquanto implementa o regime de trabalho escravo para o resto do país, que as forças armadas trabalharão apenas meio turno porque faltam recursos para alimentação. Vale lembrar os gordos gastos do cartão corporativo do governo, e uma lista imensa de declarações desdenhosas, ofensivas e arrogantes da bolsofamília e seus empregados em relação ao Mercosul, a recursos da Noruega, a recursos da Alemanha, à França, e a parceiros comerciais relevantes, entre outras tantas impropriedades. Mas, definitivamente, as prioridades não são racionais nesse país que mantém um síndico disfuncional no comando.

6. De acordo com o Jornal GGN, o programa humorístico Extra 3 da maior rede pública de TV da Alemanha, no dia 15 de agosto apresentou o ex-capitão como o “bobo da corte do agronegócio’ e o chamou de "boçal de Ipanema", uma ofensa ao bairro eternizado por Vinícius e Jobim, porque afinal não é só de elite trombadinha que sua população é formada. Também o apelidou de "Trump do samba", para o que sugiro um protesto generalizado das escolas de samba no próximo carnaval. Conclui com imagens pouco ortodoxas do presidente eleito e afirma que “um sujeito que não pensa nem um pouco sobre sustentabilidade [...] é o presidente brasileiro”.

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