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Dia 257/365 - E as nossas crianças?

sábado 14 de setembro de 2019, por Fátima Froes,

Em um país com tantos ataques à imaginação, à criatividade, e à livre expressão, não há espaço para políticas para crianças

Imagem: Zambi https://sosriosdobrasil.blogspot.co...

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1. Sentimos falta de uma pauta positiva de Governo. Não basta buscar mimos, regalias e benesses para a própria família, agregados e patrocinadores. A população brasileira precisa enxergar alguma luz no topo do buraco.

2. Este mês, em muitos estados do Brasil festejaremos Cosme e Damião. Tempo de festejar a vida e a infância e permanecer alerta ao ataque do governo ao Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (Conanda), responsável pela formulação, deliberação e controle das políticas públicas para a infância e a adolescência na esfera federal, fiscalizando o cumprimento e a aplicação eficaz das normas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). Segundo o jornal GGN diversas Organizações protocolaram no STF mandado de segurança contra o decreto presidencial que esvazia a participação da sociedade civil no órgão.

3. O governo obscurantista do ex-capitão, após destruir o Minc, se ocupa em atacar a Ancine, censurar filmes e estimular a perseguição aos artistas. O filme Marighella sofre com as barreiras erguidas por uma burocracia sufocante e repressora, usada para criar situações embaraçosas para os realizadores.

4. Os atos de censura se espalham estimulando a qualquer guarda de esquina se sentir à vontade para proibir exibições e manifestações. A Cinemateca Brasileira começa a sentir o hálito fétido dos porões da ditadura ao ser ocupada por militares e políticos reacionários. O acervo e a memória correm risco nas mãos de uma trupe tosca e que tenha a perspectiva limitada pelo autoritarismo e pelo preconceito, em um tempo em que os editais que envolvam a diversidade sexual e a temática LGBT são proibidos, o centro cultural da justiça federal, no rio de janeiro, se nega a exibir filmes da Mostra do Filme Marginal e o Itamaraty proíbe a exibição de um filme sobre Chico Buarque em um evento no Uruguai.

5. Em um país com tantos ataques à imaginação, à criatividade, e à livre expressão, não há espaço para políticas para crianças. Não tem como haver proteção, nem uma formação saudável para as nossas crianças onde o Conanda não tem a voz da sociedade civil, as verbas do Fundeb são reduzidas, e o imaginário do país, assim como a pesquisa, está sendo dilacerado. Esse é o triste fato. Não há pauta positiva no atual governo.

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