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Dia 262/365 - O patriarcado contra-ataca

quinta-feira 19 de setembro de 2019, por Fátima Froes,

Nova resolução do CFM, publicada no Diário Oficial da União de 16 de setembro, passa o controle do corpo da gestante ao médico

Imagem: Divulgação http://midianinja.org/natalia-szerm...

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1. A nossa caminhada rumo à morte, pela via das políticas dos genocidas, chega ao conselho federal de medicina. O corpo das mulheres sempre foi o delírio de uma medicina reacionária e brutal, que culmina com uma nova resolução do CFM, publicada no Diário Oficial da União de 16 de setembro, que passa o controle do corpo da gestante ao médico. O jornal The Intercept Brasil informa, destacando a terminologia utilizada, que o conselho considera que a vontade da gestante para escolher se submeter ou não a um tratamento de saúde pode caracterizar "abuso de direito" em relação ao feto. Os médicos então passam a poder impor, com o auxílio das autoridades competentes e o uso da força, se necessário, o procedimento que julgarem conveniente. A mulher grávida considerada como coisa amorfa, sem vontade, sem autonomia sobre o próprio corpo, fica submetida aos riscos do arbítrio.

2. Vamos lembrar os horrores do recente século passado onde o inventor do sucrilhos, ele mesmo, o médico John Harvey Kellogg, se dava ao direito de recomendar a aplicação de ácido carbólico no clitóris de mulheres para que não sentissem prazer. Pode-se se equiparar a disposição do conselho profissional sobre o controle do corpo das mulheres às convicções que autorizam um governador a mandar metralhar escolas com crianças. Tudo em nome de algum deus que só existe na concepção perversa de controle desses dirigentes e técnicos.

3. A autorização para o corte vaginal, doloroso, e que em muitos casos tem como foco o tempo do médico, que não quer esperar o processo natural do parto, não é mais necessária. Isso sem que haja evidência que comprove a necessidade desse procedimento em qualquer situação, muito menos sem a autorização da gestante.

4. Outro instrumento de tortura obstétrica, a manobra de Kristeller, quando o obstetra decide sentar sobre a barriga da mulher para apressar o nascimento, ou seja, de novo o foco atende às necessidades do tempo do médico, também não necessitará da autorização da gestante. Estamos falando de violência obstétrica institucionalizada e autorizada por lei.

5. A naturalização desse controle, a perseguição ao corpo, a negação até mesmo dos direitos reprodutivos das mulheres, faz parte do retrocesso, que sempre contará com uma pseudociência para justificar os seus atos. A discussão institucional sobre o modelo de família cujo foco é a subordinação, subalternização da mulher ao homem, criminaliza e tenta controlar o corpo das mulheres. O controle sobre o corpo em nome de um suposto deus misógino que não se dá conta que 56% das mulheres que abortam no Brasil são católicas, 25% evangélicas. A criminalização do aborto, do parto, dos direitos reprodutivos. O que separa o Conselho Federal de Medicina do governador sniper é tão somente o tipo de arma genocida que pretendem utilizar.

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