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Dia 263/365 - Os zumbis da transamozônica

sexta-feira 20 de setembro de 2019, por Fátima Froes,

O governo do síndico disfuncional discute na surdina o maior plano de ocupação da Amazônia desde a ditadura militar

Imagem: internet https://www.viladeutopia.com.br/ape...

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1. Ao mesmo tempo em que faz pronunciamento em cadeia nacional se comprometendo a proteger a floresta, no que se pode chamar de discurso pra inglês ver, o governo do síndico disfuncional discute, desde fevereiro, na surdina, o que o Intercept Brasil informa ser o maior plano de ocupação da Amazônia desde a ditadura militar. Diferente do que foi declarado no pronunciamento em cadeia nacional de televisão, a prioridade do projeto é explorar as riquezas, fazer grandes obras e atrair novos habitantes para a Amazônia.

2. Não há nenhum compromisso com a verdade, nenhum compromisso com a transparência do mandato, nenhum compromisso em submeter aos interessados a gestão da coisa pública. O Intercept destaca que o projeto já foi apresentado, “sem alarde, em reuniões fechadas com políticos e empresários” no Pará, mas não foram ouvidos ambientalistas, e indígenas e quilombolas que habitam a região.

3. Na apresentação do projeto as populações tradicionais, índios e quilombolas, são considerados empecilhos, entraves a serem removidos, juntamente com ONGs ambientalistas e indigenistas, pressões diplomáticas e econômicas, mobilização de minorias e a mídia. É o modo miliciano de gerir, baseado no autoritarismo e na violência.

4. O projeto reedita antigas paranoias de setores militares relacionadas à segurança nacional e, nessa versão requentada, à possibilidade de sermos invadidos pelos chineses. Sustenta-se inclusive na obscurantista tese de que os povos originários são estrangeiros, com uma língua própria, e que vão se constituir em nações independentes. O despreparo material e intelectual desses senhores reage a tudo que é diverso, e acenam a bandeira “ocupar para não entregar”, como pretexto estratégico para viabilizar a exploração de minérios e terras agricultáveis em áreas do extremo norte que se encontram ainda preservadas e acolhem patrimônio natural e o modo de vida, a cultura, dos povos originários.

5. Esse plano de ocupação e exploração da Amazônia, versão atual daquele que deu causa a tanta destruição e deixou como legado absurdo a inacabada transamazônica, apresentado como um projeto de desenvolvimento (de que mesmo?), mas que exclui os ocupantes tradicionais em um rito violento e autoritário, e renega o compromisso de preservar, foi batizado como projeto barão do rio branco. O patrono da diplomacia brasileira deve estar se revirando no túmulo.

6. A pesquisadora Suzeley Kalil Mathias em entrevista publicada pelo portal Carta Maior, ontem, considera que os militares brasileiros não são necessariamente nacionalistas, ao contrário, e em especial o exército, se movem como outros grupos sociais e buscam primordialmente estratégias de defesa dos seus interesses corporativos. Ou seja, nada além do próprio umbigo.

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