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Dia 266/365 - Verdades da primavera

segunda-feira 23 de setembro de 2019, por Fátima Froes,

O rastro de sangue que vão deixando não chega a sensibilizar uma parte da classe média punitivista. Enquanto isso, a Constituição é apenas um empecilho a ser vencido

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Algumas verdades que a primavera traz:

1. É verdade que o Planalto continua ocupado por pessoas que não têm a possibilidade de promover a recuperação econômica do país e cujo foco é resolver as questões da própria família e dos patrocinadores.

2. É verdade que os encaminhamentos propostos pelo atual governo apontam para o agravamento da pobreza em que o país volta a mergulhar desde o golpe, com viés de holocausto, pois que a necropolítica dos ultraliberais se aproxima, como método, da narcopolítica dos milicianos.

3. É verdade, também que a Constituição é apenas um empecilho a ser vencido por essa trupe bad trip que vocifera questões morais, frases de efeito para manter viva a minguante claque de seguidores. Na falta de apoio político do Congresso, compram-se votos, na falta de provas, fabrica-se, na presença de oposição, ameaça-se a vida dos opositores.

4. É verdade que o rastro de sangue que vão deixando não chega a sensibilizar uma parte da classe média punitivista, que repete, como os robots pagos a preço de ouro, que devemos deixar o capitão trabalhar, que o pêtê quebrou o Brasil, que Lula tá preso.

5. É verdade também que o cenário nefasto tem um longo histórico de construção, desde Cabral. O outro, o que chegou d’além mar. Agora é apenas, e talvez como nunca dantes, a vez dos néscios sem escrúpulos, dos que mentem compulsivamente, e desmentem, dos que passam 28 anos recebendo pra fazer nada, dos escatológicos, dos nepotistas, dos que plantam fuzis no jardim, dos que se locupletam com as rachadinhas.

6. É verdade também que o conge, com o pacote anticrime, reforça a tendência genocida e estimula o braço armado do estado a exterminar a população. Quando quiser, onde quiser, da forma que quiser, da faixa etária que quiser.

7. É verdade também que há uma definição dos que têm a preferência para serem mortos. Pobres, periféricos, mulheres, pretas e pretos, indígenas, trabalhadores sem terra, petistas, homossexuais, pensadores críticos. Para esses viver é uma situação de risco.

8. É verdade também que há um grupo de pessoas da classe trabalhadora que se pensam elite, se pensam contemplados por todos os cortes nas políticas públicas, entendem que os 365 agrotóxicos liberados vão afetar os outros, que o sangue derramado é cenográfico. Até o próximo noticiário já estancou e cicatrizou. É verdade que com esses não há diálogo possível.

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