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Dia 270/365 - 9 meses do absurdo

sexta-feira 27 de setembro de 2019, por Fátima Froes,

Foto: Pân Santos/@eu_pamt https://fotospublicas.com/ato-por-a...

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1. O dia que chegamos aos 9 meses desse absurdo que é o (des)governo fascista que assola o país, é dia da celebração de Cosme e Damião, de ibeji, dos erês. Entidades de religiões diversas, protetores das nossas crianças. Hoje temos muito pouco a celebrar.

2. O decrépito canal de Sílvio Santos fez um desfile de meninas com até 10 anos, em trajes de banho, para uma avaliação da forma dos seus corpos. Tratadas como coisas, e a falsa moralista ministra da família (em nome de jah!), silenciou.

3. Um repórter de uma rádio do RN vociferou histericamente contra uma adolescente que luta contra o aquecimento global, soltou impropérios absurdos, falando sobre a possível falta de vida sexual da adolescente, que tem 16 anos, como razão para ela se posicionar com consciência sobre os problemas que afetam o meio ambiente. Ele não foi preso. A ministra da família (e nome de jah!), não vociferou contra ele, histericamente, como costuma fazer em outras situações.

4. O repórter foi acompanhado na sua falta de senso por um deputado federal branco, hetero-histérico, pretenso operador de chapa de hambúrguer e com pouca capacidade cognitiva para respeitar minimamente o decoro parlamentar. O deputado, um dos bolsofilhos, publicou notícia e foto falsas, para tentar de forma mentirosa, como é do estilo, difamar a adolescente. Falta de decoro, de decência, de senso. Também está solto e não recebeu nenhuma advertência da ministra da família (em home de jah!)

5. A hetero-histeria dos homens brancos parece ser algo extremamente contagioso. Mesmo em situações das mais graves, como a morte de uma criança de 8 anos atingida por um disparo em uma situação imprudente e cotidiana protagonizada por uma policia que não tem compromisso maior com a vida da população, um apresentador de noticiário televisivo se permite perder o controle e interpelar sua companheira apresentadora, ao vivo e de modo inadequado, para esmaecer e banalizar o olhar sobre a tragédia.

6. Tratava-se da notícia da morte de Agatha Vitória, e a apresentadora se referiu à violência policial. O apresentador, no afã de defender o governo nazi-fascista do Rio de Jjaneiro, interrompeu a sua colega e começou a falar que a culpa era do falecido ex-governador Leonel Brizola, que há quarenta anos teria retirado a polícia dos morros, enquanto defendia a necessidade da ação armada nas comunidades e citava, de forma completamente alucinada, o povo palestino, para fazer a defesa do indefensável. Polícia matando crianças porque se dá ao direito de atirar sem pesar consequências. Como se cada pessoa que mora ali fosse apenas coisa descartável.

7. No dia de ontem, houve uma manifestação no Rio de Janeiro pelas 17 crianças atingidas pela polícia em 9 meses do governador sniper. O silêncio retumbante do Planalto continua ferindo os ouvidos de todos.

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