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Dia 275/365 - Do caos à lama

quarta-feira 2 de outubro de 2019, por Fátima Froes,

No dia internacional do idoso, a proposta do congresso foi que os homenageados caminhem para um fim da vida sem dignidade e na pobreza

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1. Acir Gurgacz, Cid Gomes e Weverton Rocha do PDT, Eliziane Gama, Fabiano Cantarato, Fernando Collor e Zenaide Mello do Pros, Humberto Costa, Jaques Wagner, Jean Paul Prates, Paulo Paim, Paulo Rocha e Rogério Carvalho do PT, Leila Barros e Veneziano Vital do Rego do PSB, Irajá Abreu e Otto Alencar do PSD, Randolfe Rodrigues da Rede e Renan Calheiros do MDB, foram os 19 senadores que votaram contra a reforma da previdência.

2. Ironicamente, ontem, no dia internacional do idoso, a proposta do congresso foi que os homenageados caminhem para um fim da vida sem dignidade e na pobreza. Uma proposta que é uma derrota para toda a classe trabalhadora. Não interessa se manteve um direitinho aqui e outro ali, uma pequena emenda, uma pequena alteração. O fato é que a reforma da previdência é uma farsa orquestrada pelo discurso falacioso de que a previdência é deficitária, e cujo foco é mesmo um profundo arrocho sobre a classe trabalhadora, órfãos, viúvas, deficientes e idosos. Sela-se um país sem futuro, um país de extorsão dos que envelhecem.

3. Por falar em extorsão, a rede Goebbels acompanhou a ação da polícia federal no cumprimento de 14 mandados de prisão contra funcionários da receita federal. Os funcionários, entre eles o auditor supervisor nacional da equipe especial de programação da lava-jato, são acusados de extorquir os investigados pelo partido da lava-jato. A polícia informa que a extorsão já durava três anos. O combate à corrupção como capa de uma operação corrupta. O filme está ficando cada vez mais roteiro classe B, e a franja da lava-jato começa a cair.

4. O judiciário brasileiro está repleto de casos dessa natureza. O sítio The Intercept Brasil apontou 21 casos em que comprovadamente houve venda de sentenças por valores que variaram de 750 a 400 mil reais, envolvendo juízes, desembargadores, e até corregedores. Em outros 13 casos pesquisados há indícios de que o magistrado tenha recebido dinheiro em troca de uma decisão. Os magistrados condenados por venda de sentenças, que até o momento são apenas 11, foram severamente punidos com uma aposentadoria compulsória, com todos os privilégios que o judiciário acumula mantidos em seus proventos vitalícios. Algo em torno de 30 mil mensais, em média.

5. O jornal Brasil de Fato informa que o senador Tasso Jereissati (PSDB), relator da reforma da previdência no senado, não abriu mão da possibilidade de aposentadoria especial pelo plano de seguridade social dos congressistas, que permite aposentadorias de parlamentares com proventos mensais de até R$ 33.763,00. Enquanto a aposentadoria para o comum dos trabalhadores chega, no máximo, a R$ 5.839,45. Do caos à lama, da lama ao caos.

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