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Dia 336/365 - Genocídio

segunda-feira 2 de dezembro de 2019, por Fátima Froes,

9 jovens mortos e o bolsodória considera a sua polícia preparada, equipada e bem informada, diz que letalidade não foi provocada pela PM e que “política de segurança pública não vai mudar”

Imagem: Latuff

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Paraisópolis.

Prévia: Há um mês os policiais militares fazem ameaças diárias aos moradores de Paraisópolis. Um sargento da PM morreu em primeiro de novembro numa troca de tiros nas proximidades do bairro. O comandante da PM de São Paulo, no dia seguinte deu ordens para uma operação saturação, com presença massiva de policiais e “sem previsão de término”. Os moradores relatam a palavra de ordem da PM há um mês: "Vamos tocar o terror em Paraisópolis". (Jornal Brasil de Fato)

No dia primeiro de dezembro, um mês após a morte do sargento, as imagens mostram policiais militares encurralando, espancando, torturando.

MORTOS NA CHACINA DE PARAISÓPOLIS.

1. Gustavo Xavier - 14 anos. Morador do Capão Redondo, também na zona sul de são Paulo. A família do adolescente teria aconselhado a não fosse ao baile, por questões de segurança;

2. Denys Henrique Quirino da Silva - 16 anos. Morador de Pirituba. Estudante, trabalhava com limpeza de estofados e foi pela primeira vez ao baile. Apesar da informação de que foi pisoteado, não apresenta marcas que comprovem essa versão A família supõe que tenha sido assassinado;

3. Marcos Paulo Oliveira dos Santos, 16. Morador de Jaraguá. Como um adolescente típico, disse que ia comer uma pizza e foi para o baile;

4. Dennys Guilherme dos Santos Franca, 16. Ex-aluno da Escola Estadual José Talarico, no distrito de Vila Matilde, na zona leste e, segundo informações de suas redes sociais, estudava administração na Unip (Universidade Paulista). Dennys publicou que iria ao baile;

5. Luara Victoria de Oliveira, 18. Moradora de Interlagos. Órfã de pai e mãe, morava sozinha. Os parentes descobriram pela televisão que ela estava entre as vítimas. Não apresentava sinais de haver sido pisoteada, apresentava sinais de agressão;

6. Gabriel Rogério de Moraes, 20. Morador de Mogi das Cruzes, na Grande São Paulo, teve seu corpo reconhecido pelos pais no IML;

7. Eduardo Silva, 21. Morador do bairro de Cidade Ariston, trabalhava numa oficina mecânica. Pai de um garoto de 2 anos;

8. Bruno Gabriel dos Santos, 22. Morador de Mogi das Cruzes foi comemorar o aniversário no baile. Não tem marcas de ter sido pisoteado;

9. Mateus dos Santos Costa, 23. Nasceu na Bahia, residia em Carapicuíba, vendia produtos de limpeza.

O bolsodória considera a sua polícia preparada, equipada e bem informada, diz que letalidade não foi provocada pela PM e que “política de segurança pública não vai mudar”. O comandante da PM informa que os policiais investigados não estão afastados, fazem trabalhos internos para que fiquem preservados e não sejam prejudicados (G1). Os parlamentares do PT e PSOL pretendem abrir uma CPI.

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