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Dia 338/365 - O lucro

quarta-feira 4 de dezembro de 2019, por Fátima Froes,

Em Salvador, os devotos de Santa Bárbara e os filhos Iansã se juntam pra reverenciar e celebrar Oyá, na sua festa que sobreviveu à repressão, à perseguição, e ao extermínio da população negra

Imagem: Elói Corrêa/GOVBA https://fotospublicas.com/festa-de-...

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1. Hoje é dia de festa popular em Salvador. Os devotos de Santa Bárbara e os filhos Iansã, que se juntam pra reverenciar e celebrar Oyá, na sua festa que sobreviveu à repressão, à perseguição, e ao extermínio da população negra, imposta pela colonização e hoje continuada pelos governos que utilizam seus braços armados para destruir as possibilidades de manifestação popular de alegria ou de fé.

2. Menos aquelas que dão lucro. Menos aquelas que atraem turistas. Menos aquelas de que se apropriam. Menos aquelas que podem ser transformadas em mercadoria.

3. Quando o terreno interessa mais do que a população, mata-se, expulsa-se, incendeia-se e abarrota-se as prisões. Porque "tocar o terror", como disseram os policiais em Paraisópolis, é a licença para matar sem punição, é a prática dos grupos de extermínio, que não são desconhecidos desses que hoje ocupam o poder.

4. Lá longe na história o pensador francês Jean Bodin declarou em relação às mulheres, “devemos disseminar o terror entre algumas, castigando muitas". A fantasia utilizada pela classe dominante da época para viabilizar os seus projetos eram as bruxas e as bruxarias, e de fato, em alguns vilarejos, poucas mulheres foram poupadas. Agora a fantasia é a guerra às drogas, o alvo preferencial, pessoas negras, trabalhadores. De qualquer faixa etária. Mas a verdade é que Paraisópolis é vizinha do Morumbi, e o capital imobiliário tem que se expandir.

Atrás de cada dirigente genocida tem um grupo que concorda, apoia... e lucra.

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