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Dia 362/365 - Transeunte profissional

sábado 28 de dezembro de 2019, por Fátima Froes,

Pós-natal e fake news: o aumento de 9,5% das vendas de natal e 7,5% das vendas anuais divulgado pela ALSHOP é contestado pela Associação Brasileira dos Lojistas Satélites – ABLOS

Imagens: Valter Contarato - Agência Brasilhttp://agenciabrasil.ebc.com.br/eco...

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1. O pós-natal começa com mais uma fake news. As vendas. A Associação Brasileira dos Lojistas Satélites – ABLOS contesta os números de venda divulgados pela Associação de Lojistas de Shopping – ALSHOP, que informam um aumento de 9,5% nas vendas de Natal e de 7,5% nas vendas anuais em 2019. "É uma mentira. Estamos desconfiados de que foi manipulação com alguma segunda intenção", afirma a ABLOS (Jornal Brasil 247).

2. Talvez essa divergência toda possa ser apenas a franquia do famoso bolsofilho sem sobrenome. Afinal, chocolate é um bom presente de natal.

3. O Diário do Centro do Mundo traz à tona outra questão relacionada às fake news em tempos atuais – o transeunte profissional, ou o popular onipresente. Nunca soube que existia isso. É aquele transeunte casualmente abordado pela reportagem e que concorda com o repórter, e fornece o gancho para a matéria. O popular onipresente revelado, esse específico, “aparece” em várias matérias de duas emissoras: globo e sbt (Diário do Centro do Mundo). A exuberância opinativa do tal transeunte casual bem poderia servir para estudo dos métodos utilizados pela mídia corporativa na “construção da notícia”.

4. No país em que o presidente já tem 592 declarações falsas, contabilizadas pelo sitio Aos Fatos, o papel das fake news aparece como fundamental para manutenção do regime. Algo entre o extremamente tosco e o também extremamente tosco. Se a realidade não traz bons números, fabrique os seus e solte ao vento. Na dúvida, fabrica-se até transeuntes. As ceias de natal e os grupos de whatsapp são os biodigestores das inacreditáveis histórias sobre o país. Inacreditáveis, mas repetidas à exaustão.

5. Para que as coisas continuem do jeito que estão, e para permitir a manutenção do fluxo da desinformação, a supressão do debate público é fundamental. É importante atacar a Cultura, a Universidade, desacreditar qualquer jornalismo que não se limite a dizer amém. É parte da estratégia que permitiu a essas figuras toscas de procuradores, juízes e ministros travestidos de profissionais midiáticos, exibidos sem crítica em redes nacionais coniventes, junto com transeuntes profissionais, formarem a opinião do país em 2019.

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