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Os Cruzados pela “civilização judaico-cristã”

quarta-feira 22 de janeiro de 2020, por Carlos Russo Jr.,

ilustração: Memorial na entrada do Museu Sobibor

Jair Bolsonaro e a maioria de seus sequazes se intitulam “Os Cruzados pela civilização judaico- cristã”. De onde teria surgido essa invenção perversa e absurda, repetida agora por antidemocratas, antiglobalistas, populistas autoritários de extrema-direita, gurus depravados ao estilo Olavo de Carvalho e falsos profetas tipo Edir Macedo?

Ora, foram as Cruzadas Cristãs que, em nome de Deus, se predispuseram a matar todos os judeus (assim como os muçulmanos) da Europa. Os massacres nos séculos X e XI se tornaram tão sangrentos que judeus se foram agrupando no recém-criado Reino da Polônia, onde foram bem recebidos, confundindo-se, mesmo, com o princípio civilizatório da própria Polônia.

Os judeus viveram com certa liberdade e foram prósperos por um curto período, até que a Igreja Católica crescesse em poderio e se consolidasse como religião de Estado. Os senhores feudais e os jesuítas impuseram o “imposto judeu”, provocaram a expulsão de ofícios competitivos, comércio e profissões. Então, na Polônia, deu-se a criação de um dos primeiros guetos judeus do mundo.

Em 1º de setembro de 1939, soldados nazistas atravessaram a fronteira e marcharam para a Polônia. A ocupação nazista foi mais longa na Polônia do que em qualquer outro país, o que deu mais tempo para a implantação de políticas racistas e segregacionistas contra aqueles considerados “inferiores racialmente”, como ciganos, judeus, homossexuais e deficientes físicos e mentais. Quando tomaram a cidade, os nazistas ofereceram uma série de incentivos à população cristã local, encorajando-os para estes expusessem e delatassem os judeus. Quanto mais a ocupação se consolidava, mais o caráter antissemita dos cristãos se reforçava.

Entre julho e setembro de 1942, levas de deportações removeram mais de 300 mil judeus para o campo de concentração de Treblinka e, dentro deste, o de Bikernau, de extermínio por câmaras de gás. Foi quando os judeus do gueto de Varsóvia, reduzidos a 60 mil pessoas, decidiram organizar a resistência armada aos genocidas alemães. Durante os três meses resistiram ao mais genocida exército do mundo!

No campo de concentração polonês de Sobibor, dirigido pelo SS Gustav Wagner, 250 mil assassinados tiveram os corpos, antes de incinerados, fervidos para retirada de gordura para sabão. Gustav Wagner se exilou no Brasil. Condenado à morte em Israel, procurou a Ditadura Brasileira para proteger-se. O pai do atual Ministro do Exterior, o católico da “Opus Dei” Ernesto Araújo, Procurador da República dos militares, em conluio com o STF, negou a extradição do assassino para Israel, Polônia ou Alemanha. E aqui, o genocida de judeus morreu em paz!

Afinal, a que se referem os “Cruzados pela civilização judaico- cristã”?

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Espaço Literário Marcel Proust