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Dia 33 (398) - Ano 2 - O palíndromo

domingo 2 de fevereiro de 2020, por Fátima Froes,

O 1% mais rico do país leva para seus bolsos 28,3% do PIB. O planeta está sendo destruído pelo capitalismo neoliberal

Imagem: Kleber

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1. O dia 33, que é um palíndromo, cai numa data que também é um palíndromo, 02/02/2020. Durante o século 21 esse palíndromo só acontecerá uma única vez. A última vez que ocorreu estávamos ainda na turva era FHC, foi o dia 20/02/2002. Ainda nesse século, acontecerá a data de 22/02/2022. Tudo muito lindo e palíndrômico, cheio de simetrias. E o que significa isso na terra plana? Que grandes transformações ou revoluções ocorrerão? Infelizmente nenhuma. Só uma curiosidade.

2. Um grande encontro com uma grande delegação brasileira para discutir o neoliberalismo vai acontecer no Vaticano. O encontro, convocado pelo Papa, tem o tema "A Economia de Francisco" e vai debater humanização econômica em março. Imagina só, partir da constatação de que a economia humana não é humanizada.

3. Com a ideia de tirar a centralidade do dinheiro na economia, com críticas ao mercado colocado como senhor absoluto em alguns países, como este, por exemplo, onde, como já foi apontado em outros momentos, o 1% mais rico do país leva para seus bolsos 28,3% do PIB. O planeta está sendo destruído pelo capitalismo neoliberal e o Papa tem consciência disso, os participantes da delegação brasileira também, e nisso está incluso a preocupação com o desemprego estrutural.

4. A destruição da vida sobre o planeta terra (aquele elipsoide) tem sido promovida pelo capital com um discurso que funciona como uma alteração de percepção entre a verdade e a mentira, gerando confusão e rejeição a "tudo isso que está aí", nivelando coisas e pensamentos impossíveis de serem colocados na mesma prateleira.

5. Aqui, a luta contra a corrupção do conge não foi atrás dos corruptos, e além de proteger os que são parças (inclusive milicianos), contribuiu para desmontar setores fundamentais da nossa economia e promover a desindustrialização. O teto de gastos e o desinvestimento no setor público geraram um estado ambíguo que é mínimo para os pobres e extremamente complacente para determinadas parcelas da elite.

6. A receita da subversão perceptiva envolve venda de patrimônio público, ausência de regulação de atividades de corporações internacionais, prioridade ao setor financeiro, precarização do trabalho, transformação do judiciário num feroz partido político, parcial e alucinado, e uma pseudo normalidade democrática, com todo poder aos braços armados do estado, que se multiplicam em oficiais e milicianos.

Muito debate para Francisco.

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