Página inicial > BRASIL > Dia 40 (405) - Ano 2 - Os retrocessos nos mínimos detalhes

Dia 40 (405) - Ano 2 - Os retrocessos nos mínimos detalhes

domingo 9 de fevereiro de 2020, por Fátima Froes,

Adriano da Nóbrega era acusado de ser o chefe do “Escritório do Crime”. Foi morto na Bahia, pelo BOPE / PM-RJ em um sítio de um vereador do PSL de Esplanada-BA. Em 2005, o ex-capitão do Planalto defendeu-o em Plenário, após ser condenado pelo assassinato de um guardador de carros. Ele também havia sido homenageado duas vezes na Assembleia do Rio pelo bolsofilho pelos brilhantes serviços prestados.

Imagem: Jefferson

PNG - 44.9 KB

1. A fabulosa história de Adriano da Nóbrega estará na prateleira junto com o caso da facada do ex-capitão. Histórias de mistérios que talvez sejam elucidadas no futuro. A primeira grande questão é a que se refere às manchetes que o apresentam como suspeito no caso Marielle. A segunda, a ausência do nome na lista dos procurados pelo Ministério da Justiça, apesar de estar na lista da Interpol, a terceira é a estranhíssima coincidência de estarem, no mesmo momento, na mesma região, os bolsofilhos e o foragido. Coisa assim de folhetim. A quarta coincidência é que o foragido silenciado era, também, ex-capitão, como aquele que ocupa o planalto. Capitão da polícia é bem verdade, mas um ex-capitão é sempre um ex-capitão.

2. Adriano da Nóbrega era réu na Operação Intocáveis do Ministério Público do Rio de Janeiro, que investiga a milícia de Rio das Pedras, acusado de ser o chefe do grupo criminoso formado por matadores de aluguel que ficou conhecido como “Escritório do Crime” — e tido como peça chave para a identificação dos mandantes do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, apesar de seu nome não constar do inquérito que investiga o crime (O Globo).

3. Foi morto na Bahia, pelo BOPE, batalhão do qual fez parte na PM do Rio de Janeiro, em um sítio no município de Esplanada, propriedade de um vereador local, do PSL. Já foi defendido em plenário, e qualificado como “brilhante oficial”, pelo ex-capitão do planalto, em 2005, quando era deputado, após ser condenado pelo assassinato de um guardador de carros. E também já foi homenageado duas vezes na Assembleia do Rio pelo bolsofilho investigado no esquema da “rachadinha”, “com orgulho e satisfação”, pelos brilhantes serviços prestados (O Globo).

4. A mãe e a esposa do ex-capitão, o que foi morto, transferiram para a conta de Queiroz duzentos e três mil reais, e supostamente ele seria um dos beneficiários da “rachadinha” no gabinete do bolsofilho. Na lista das acusações ao bem relacionado ex-militar ainda: taxas ilegais, grilagem de terras e receptação de mercadorias roubadas. Um cardápio próprio de um cidadão de bem.

5. O advogado do ex-capitão morto diz que recebeu uma ligação do cliente na terça-feira, dia 4 de fevereiro, em que ele informava que não se entregaria porque tinha certeza de que seria assassinado como "queima de arquivo".

Confira todas as colunas:

Diário Não Oficial do Brasil