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Dia 65 (430) - Ano 2 - O saco vazio do plano econômico

quinta-feira 5 de março de 2020, por Fátima Froes,

A produção da miséria é uma das metas, e o programa bolsa família é um dos instrumentos. Apenas 3% das novas concessões do benefício foram para famílias do Nordeste, 75% foram para as regiões sul/sudeste.

Imagem: Hals

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1. Nas manchetes dos jornais notícias estarrecedoras da república de rio das pedras. O motim do Ceará foi estimulado pelo preposto do ministro da justiça. Os policiais que transformaram o estado do Ceará num cenário de espetáculo de horror, com ações absolutamente ilegais e letais, foram tratados como heróis. O governador do estado desnuda o verdadeiro caráter do movimento que, sem reivindicações salariais, seria, na perspectiva dos amotinados, uma demonstração de força.

2. Causar o caos, especialmente na região nordeste, parece ser um dos objetivos do síndico disfuncional. A produção da miséria é uma das metas, e o programa bolsa família é um dos instrumentos. Apenas 3% das novas concessões do benefício foram para famílias do Nordeste, 75% foram para as regiões sul/sudeste. “Para se ter uma ideia, o número de novos benefícios concedidos em Santa Catarina, que tem população oito vezes menor que o Nordeste e é governada por Carlos Moisés (PSL), foi o dobro do repassado à região nordestina inteira, cujos governadores são da oposição” (UOL). Esses números, claro, são inversamente proporcionais aos indicadores econômicos relativos às famílias e que justificariam as concessões nas regiões envolvidas, o que resulta em comprometimento à eficácia do programa.

3. Os fundos estão sob ataque, com especial atenção para os fundos de cultura. Depois de colocar a namoradinha do IV Reich na pasta, que inaugura a sua participação com discursos patéticos sobre o conceito de cultura, acabar com o financiamento à cultura pode ser mero desdobramento. A quem interessa facilitar condições para o povo se expressar? E assim, circula no congresso, e já foi aprovada pela comissão de constituição e justiça do senado, a Pec 187/2019, que propõe o fim dos fundos públicos.

4. A repressão do investimento público, algo que só pode funcionar na cabeça de chicago´s boys decrépitos, é criticada pelo ex-ministro da economia, Bresser Pereira. O economista afirmou que não existe um plano econômico do governo (Jornal Brasil 247). O que todos nós já sabíamos, caro ex-ministro, que o governo é feito de bananas, pums de talco e firulas. E, eventualmente, algumas mortes, é claro.

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