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Dia 68 (433) - Ano 2 - O violador és tu

domingo 8 de março de 2020, por Fátima Froes,

Vivemos em uma sociedade que se incomoda mais com uma mulher livre do que com uma mulher assassinada.

Imagem: [Elineudo Meira>https://fotospublicas.com/manifestantes-mantiveram-ato-de-8-de-marco-na-avenida-paulista-mesmo-apos-forte-chuva-na-capital/]

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O aumento da violência contra a mulher no (des)governo é, também, um projeto. Um projeto de dominação das mulheres, do controle de seu corpo, do retorno da mulher a uma posição de subalternidade.

Os absurdos números, 536 mulheres são agredidas por hora no país. O espancamento de mulheres, a violação sexual, o feminicídio, as políticas de mulheres são objeto de chacota por parte do síndico disfuncional que ora ocupa o planalto. A cada 4 minutos uma mulher vítima de violência sexual, física ou psicológica é atendida em unidades do SUS. A casa 11 minutos uma pessoa é estuprada no país, 89% são mulheres e 70% são crianças e adolescentes. Ao verificarmos os dados, percebemos que estamos diante de uma pandemia. Toda a América Latina está em luta contra o patriarcado e suas demonstrações de violência.

O ridículo conceito de "ideologia de gênero", expressão rasa do patriarcado para estender seus tentáculos e controles sobre o corpo da mulher são parte da política antigênero, de acordo com a pesquisadora Sônia Corrêa, numa entrevista ao Sítio Conectas.

Na entrevista, a pesquisadora identifica as políticas antigênero tendo início há 25 anos. No período de preparação da Conferência de Mulheres de Pequim. A igreja católica, especialmente durante o período de Ratzinger, o conservador, foi uma das propagadoras dessa política.

Mas o que significa "ideologia de gênero"? Aparentemente é o código para a violência, porque a expressão não tem nenhum sentido. O que existe mesmo é a dominação, a política antigênero que é pregada. O campo da educação é, ainda de acordo com Sônia Corrêa, onde se prolifera o absurdo dessa política.

O incentivo ao abuso fez , pelo menos 1.314 vítimas no ano de 2019. 1.314 casos de feminicídio no país. Com declarações de que as políticas para combate à violência contra a mulher não precisam de verbas, o ex-capitão, misógino, estimula a violência.
Em todo o país mulheres saíram às ruas e o grito de Fora Bolsonaro! esteve presente em todos os cantos do país.

Vivemos em uma sociedade que se incomoda mais com uma mulher livre do que com uma mulher assassinada.

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