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		<title>Minist&#233;rio do Trabalho e concep&#231;&#227;o sindical</title>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;Li por obriga&#231;&#227;o profissional a mat&#233;ria da revista Veja (edi&#231;&#227;o de 05/11/11) tendo o ministro do Trabalho, o pedetista Carlos Lupi, como protagonista. Para al&#233;m da j&#225; propalada liturgia da queda, senti falta do debate de fundo. O problema pontual passa pelas supostas rela&#231;&#245;es prom&#237;scuas entre ordenadores de despesas autorizando projetos de reciclagem de m&#227;o de obra e forma&#231;&#227;o profissional.&lt;/p&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Minist&#233;rio do Trabalho e concep&#231;&#227;o sindical
10 de novembro de 2011, da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Li por obriga&#231;&#227;o profissional a mat&#233;ria da revista Veja (edi&#231;&#227;o de 05/11/11) tendo o ministro do Trabalho, o pedetista Carlos Lupi, como protagonista. Para al&#233;m da j&#225; propalada liturgia da queda, senti falta do debate de fundo. O problema pontual passa pelas supostas rela&#231;&#245;es prom&#237;scuas entre ordenadores de despesas autorizando projetos de reciclagem de m&#227;o de obra e forma&#231;&#227;o profissional. J&#225; a quest&#227;o que estrutura o ato, a cess&#227;o de fundos oriundos da classe trabalhadora sendo devolvidos para entidades vinculadas &#224;s estruturas formais de representa&#231;&#227;o, pouco ou nada se nota. Ou seja, nem de longe se aborda o problema da concep&#231;&#227;o de sindicalismo e as rela&#231;&#245;es de for&#231;a no interior deste movimento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se por um lado &#233; fato que o Minist&#233;rio do Trabalho e Emprego deixou acumular presta&#231;&#245;es de contas e recomenda&#231;&#245;es para aumentar a fiscaliza&#231;&#227;o sobre entidades conveniadas (o problema se repete, s&#243; muda de pasta), por outro a natureza da atividade deveria ser questionada. O sindicalismo, em tese, para al&#233;m do ato de representar uma parcela dos trabalhadores formais, n&#227;o seria o espa&#231;o para a reconvers&#227;o de m&#227;o de obra. O Estado brasileiro, atravessado por uma linha de terceiriza&#231;&#245;es, a maioria p&#237;fia e com intuito de desmonte, retoma a tradi&#231;&#227;o do antigo bloco pelego-trabalhista, apoiando formalmente a burocracia sindical e assim, arrefecendo a luta de classes. No m&#233;dio prazo, o resultado &#233; uma incapacidade dos aparelhos sindicais darem uma resposta &#224; altura das amea&#231;as de retirada de direitos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tal foi o caso na Espanha, hoje assolada pelo rombo financeiro das institui&#231;&#245;es banc&#225;rias e governos auton&#244;micos. As duas maiores centrais, UGT e CCOO, t&#234;m como fonte de renda principal o repasse de verba estatal. A contribui&#231;&#227;o sindical cotizada pelos filiados equivale a uma m&#233;dia de 17% dos ingressos, sendo que o restante se d&#225; na forma de conv&#234;nios, repasses e projetos espec&#237;ficos. Quando foi o momento da rea&#231;&#227;o sindical diante da perda de direitos dos aposentados (janeiro e fevereiro &#250;ltimo), estas m&#225;quinas burocr&#225;ticas acordam o Pacto Social e assinam o chamado Pensiona&#231;o!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na pol&#237;tica nacional &#233; o mesmo efeito nefasto. O atual governo e o anterior, por terem boas rela&#231;&#245;es com as centrais (regularizando-as por sinal), conseguem a proeza de domesticar o que restara de sindicalismo aut&#234;ntico, aliando-se com os inimigos hist&#243;ricos, oriundos dos pelegos do sistema federativo. Esta &#233; a face sindical do pacto pela tal da governabilidade, incluindo suas &#243;bvias conseq&#252;&#234;ncias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Leia no Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver online : &lt;a href="http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&amp;&amp;idtitulo=5027e0a035ea9dec431ee2d21c616e23" class="spip_out"&gt;Estrat&#233;gia e An&#225;lise&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Um dia a m&#225;scara iria cair &#8211; ou as desventuras da politicagem futeboleira na Prov&#237;ncia do Eucalipto dominada pela Jabal&#226;ndia </title>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>



		<description>Um dia a m&#225;scara iria cair &#8211; ou as desventuras da politicagem futeboleira na Prov&#237;ncia do Eucalipto dominada pela Jabal&#226;ndia Dijair Brilhantes, Anderson Santos &amp; Bruno Lima Rocha Pelos lados da Azenha, as coisas n&#227;o v&#227;o bem. O novo in&#237;cio da gest&#227;o presidencial do senhor Paulo Odone de Ara&#250;jo Ribeiro, vai de mal a pior. Os resultados dentro de campo n&#227;o chegam a serem surpreendentes. O elenco fraco e modesto, n&#227;o atingiu bons resultados, perdeu o estadual para o rival (...)

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique51.html" rel="directory"&gt;FSM&lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Um dia a m&#225;scara iria cair &#8211; ou as desventuras da politicagem futeboleira na Prov&#237;ncia do Eucalipto dominada pela Jabal&#226;ndia&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dijair Brilhantes, Anderson Santos &amp; Bruno Lima Rocha&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pelos lados da Azenha, as coisas n&#227;o v&#227;o bem. O novo in&#237;cio da gest&#227;o presidencial do senhor Paulo Odone de Ara&#250;jo Ribeiro, vai de mal a pior. Os resultados dentro de campo n&#227;o chegam a serem surpreendentes. O elenco fraco e modesto, n&#227;o atingiu bons resultados, perdeu o estadual para o rival Internacional (nos p&#234;naltis, &#233; verdade), e a Copa SANTANDER Libertadores para o Universidad Cat&#243;lica (obs. outrora um dos ber&#231;os do neoliberalismo latino-americano atrav&#233;s de conv&#234;nios junto a Escola de Economia de Chicago, da&#237; o termo de Chicago Boys) nas oitavas de final. Obs nervoso: Ai como d&#225; urtic&#225;ria ver um nome de banco associando-se com a paix&#227;o do Continente, que traz no nome uma homenagem aos &#8220;Libertadores&#8221; de uma Am&#233;rica ent&#227;o ainda dominada por espanh&#243;is endividados...como diziam os chilenos, &#8220;eso es cosa de Juan y Pueblo, no de patr&#237;cios&#8221;.
Voltando apenas &#224; bola (&#244;ps, mas est&#225; cheio de deputado, economista da FEE e da Fazenda Ga&#250;cha metido a CEO e o escambau nos vesti&#225;rios), quando oposi&#231;&#227;o, Paulo Odone tinha um discurso inflamado. O motivador mexeu com a paix&#227;o do torcedor gremista. Evocando a &#8220;imortalidade eterna&#8221;, alimentou os fantasmas da Batalha dos Aflitos e ia se dando bem. Foi eleito presidente do clube pela terceira vez no final de 2010, atrav&#233;s do conselho deliberativo, j&#225; que no estatuto do clube consta uma cl&#225;usula de barreira que obriga um os candidatos a atingirem o m&#237;nimo de 30% dos votos, para irem para um segundo turno. Nas urnas, depois que em&#233;ritos e benem&#233;ritos conselheiros reduzem as margens de manobra, &#233; onde o s&#243;cio-torcedor pode votar. Odone eleito pela massa que lota o Ol&#237;mpico, prometeu fazer o Gr&#234;mio voltar a ser vencedor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mas um dia a m&#225;scara iria cair. Odone n&#227;o cumpriu o prometido, al&#233;m dos fracassos do time em campo, fora das quatro linhas n&#227;o &#233; diferente. O mandat&#225;rio tricolor fez o clube pagar o &#8220;mico&#8221; do ano no caso Ronaldinho, com quem negociou durante mais de 40 dias, e chegou a garantir sua contrata&#231;&#227;o com direito a caixas de som no gramado do Ol&#237;mpico. Deu a cara na m&#237;dia, exp&#244;s-se publicamente e tentara capitalizar em cima do retorno de quem sa&#237;ra do clube brigado com a dire&#231;&#227;o. N&#227;o deu certo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A rea&#231;&#227;o vem aos poucos, e nem sempre da forma mais adequada. No twitter e em redes sociais de tricolores rio-grandenses, a ira contra o dubl&#234; de cartola e deputado (Como ser&#225; que ele faz? Como &#233; poss&#237;vel dar triplo ou duplo expediente? Quem conhece a lida da pol&#237;tica sabe que &#233; impratic&#225;vel, mas....) o torcedor gremista sente que foi usado pelo presidente para promover-se publicamente. O castelo de cartas cai quando a massa se inflama, e muitas vezes de forma equivocada. No primeiro protesto contra a dire&#231;&#227;o a tens&#227;o leva a Brigada Militar a &#8220;baixar a porrada&#8221; e esta &#8211; o Corpo Auxiliar de Pol&#237;cia Imperial, anti-farrapa - como de costume, repudia qualquer manifesta&#231;&#227;o popular. O cacete cantou, a borracha queimou e a rela&#231;&#227;o umbilical cartola e torcida estremeceu.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Odone precisa mais da massa de &#8220;alma castelhana&#8221; do que a torcida dele necessita. Deputado estadual reeleito em 2010 e presidente do PPS em Porto Alegre (obs ansioso: &#233; verdade gente, Odone pertenceria a uma legenda &#8220;socialista&#8221;...ai S&#227;o Sep&#233;, que tempos vivemos!) parece ser mais um que aproveita os status de presidente de um grande clube para ter sucesso na carreira pol&#237;tica. Pena que n&#227;o &#233; o &#250;nico. Torcedor tem que deixar a vis&#227;o da pol&#237;tica corriqueira de lado, refor&#231;ando aquele pensamento tacanho de que: &#8220;enquanto o sujeito estiver nos beneficiando n&#227;o importam os meios para isso&#8221;. Afinal, como podemos ver em v&#225;rios casos (algu&#233;m ainda lembra do Eurico Miranda?), os fins que aparecer&#227;o em poucos anos costumam ser bem melhores para o cartola e/ou pol&#237;tico que para os torcedores/eleitores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esta coluna e este portal manifestam-se contra a cartolagem politiqueira no futebol e entende ser necess&#225;rio um veto onde pol&#237;ticos no exerc&#237;cio do mandato ou candidatos a estes postos no Executivo e no Legislativo n&#227;o poderiam acumular fun&#231;&#245;es dirigindo clube de futebol profissional. Mas, ser&#225; que algu&#233;m na CBF ou no moribundo Clube dos 13 vai dar bola para isso?!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;De novo a tal da janela&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Brasileir&#227;o mal come&#231;ou, e j&#225; voltou o assunto da &#8220;maldita&#8221; janela de transfer&#234;ncias de jogadores que vem do exterior. &#201; incompreens&#237;vel que a mesma s&#243; abra em agosto. Todos os anos &#233; aquele jogo de bastidores tentando a antecipa&#231;&#227;o das inscri&#231;&#245;es dos jogadores contratados. No final da hist&#243;ria, a CBF as antecipa, e o Imperador Teixeira fica com cr&#233;dito junto aos dirigentes dos clubes. Depois, parodiando a interpreta&#231;&#227;o de Marlon Brando na obra de Mario Puzzo reinterpretada para o cinema atrav&#233;s do diretor Francis Ford Coppola, &#8220;ele ir&#225; pedir um favorzinho em troca&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;S&#243; para lembrar, o Corinthians est&#225; repatriando v&#225;rios jogadores, depois de o Andr&#233;s S&#225;nchez ter dito em alto e bom tom que &#233; amigo do Ricardo Teixeira e da Globo &#8220;apesar de g&#226;ngster&#8221;, n&#227;o temos d&#250;vida a janela ser&#225; aberta ainda em junho. &#201; fato ineg&#225;vel, o futebol ganha devido &#224; capacidade destes atletas que est&#227;o voltando, mas n&#227;o precisava ser assim.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esta &#233; a triste sina do modus vivendi de nosso futebol. O &#8220;jeitinho&#8221; brasileiro que far&#225; uma edi&#231;&#227;o da Copa do Mundo, mas que ningu&#233;m sabe de que forma.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dijair Brilhantes &#233; estudante de jornalismo, Anderson Santos &#233; jornalista e mestrando em comunica&#231;&#227;o social na Unisinos e Bruno Lima Rocha &#233; editor de Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver em linha : &lt;a href="http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e77f6eaa8e3bbf6294266949770ed2c4&amp;&amp;idtitulo=b290c821906ce2b7dedec07cb686e6eb" class="spip_out"&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_ps'&gt;&lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/estanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://twitter.com/estanalise&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise: a pol&#237;tica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Contato com o editor: bruno.estrategiaeanalise&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com
skype: bruno.lima.rocha
Revis&#227;o, diagrama&#231;&#227;o e envio: Lisandra Arezi&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradecemos a publica&#231;&#227;o deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endere&#231;o eletr&#244;nico o LINK da p&#225;gina onde o texto foi reproduzido. Gratos pela aten&#231;&#227;o Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise e Equipe&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>O &#250;nico caso de Guantanamo que ser&#225; julgado em Nova York</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article5504.html</link>
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		<description>&lt;p&gt;No mesmo dia em que o Presidente Obama lan&#231;ou oficialmente sua campanha para reelei&#231;&#227;o, o procurador-geral de seu governo, Eric Holder, anunciou que o julgamento dos principais suspeitos dos ataques de 11 de setembro de 2001 n&#227;o ser&#225; realizado em tribunais federais, mas sim diante de pol&#234;micas comiss&#245;es militares na pris&#227;o de Guant&#225;namo, em Cuba.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique51.html" rel="directory"&gt;FSM&lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L150xH102/arton5504-0d756.jpg&quot; width='150' height='102' style='height:102px;width:150px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Democracy Now! A coluna semanal de Amy Goodman traduzida para o portugu&#234;s&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O &#250;nico caso de Guantanamo que ser&#225; julgado em Nova York
11 de abril de 2011, de Nova York, Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No mesmo dia em que o Presidente Obama lan&#231;ou oficialmente sua campanha para reelei&#231;&#227;o, o procurador-geral de seu governo, Eric Holder, anunciou que o julgamento dos principais suspeitos dos ataques de 11 de setembro de 2001 n&#227;o ser&#225; realizado em tribunais federais, mas sim diante de pol&#234;micas comiss&#245;es militares na pris&#227;o de Guant&#225;namo, em Cuba. Holder culpou os membros do Congresso, os quais, segundo afirmou, &#8220;intervieram e impuseram limita&#231;&#245;es que impedem ao governo levar a julgamento, nos Estados Unidos, qualquer prisioneiro de Guant&#225;namo.&#8221; No entanto, um caso de Guant&#225;namo ser&#225; julgado em Nova York. N&#227;o, n&#227;o se trata do julgamento de Khalid Sheikh Mohammed, nem de nenhum de seus supostos c&#250;mplices. Nesta semana, ser&#227;o expostos &#224; Suprema Corte do estado de Nova York os argumentos contra John Leso, um psic&#243;logo acusado de participar de procedimentos de tortura na pris&#227;o de Guant&#225;namo, que Obama prometeu fechar, mas n&#227;o cumpriu.
Leia tamb&#233;m o coment&#225;rio da equipe do portal. A Uni&#227;o pelas Liberdades Civis de Nova York e o Centro de Justi&#231;a e Responsabilidade (CJA, na sigla em ingl&#234;s) apresentaram o caso em nome de Steven Reisner, psic&#243;logo de Nova York e assessor dos M&#233;dicos pelos Direitos Humanos. Em torno de Reisner agrupa-se uma crescente quantidade de psic&#243;logos que se manifestam contra a participa&#231;&#227;o de colegas nos programas de interrogat&#243;rios do governo dos Estados Unidos, os quais, em sua opini&#227;o, equivalem &#224; tortura. Ao contr&#225;rio da Associa&#231;&#227;o M&#233;dica Estadunidense e da Associa&#231;&#227;o Psiqui&#225;trica Estadunidense, a Associa&#231;&#227;o Estadunidense de Psicologia, maior associa&#231;&#227;o de psic&#243;logos do mundo, negou-se a implantar uma resolu&#231;&#227;o aprovada por seus membros que os pro&#237;be de participar de interrogat&#243;rios em lugares onde se viola o direito internacional ou a Conven&#231;&#227;o de Genebra. O Dr. Reisner &#233; filho de sobreviventes do holocausto e concorre &#224; presid&#234;ncia da Associa&#231;&#227;o Estadunidense de Psicologia, em parte para obrigar o cumprimento desta resolu&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Dr. John Francis Leso &#233; major do Ex&#233;rcito dos Estados Unidos e ex-chefe do servi&#231;o de psicologia cl&#237;nica do Centro M&#233;dico Walter Reed de Washington D.C. Segundo o comit&#234; de Justi&#231;a e Responsabilidade, o Dr. Leso &#8220;dirigiu a primeira Equipe de Assessoramento em Ci&#234;ncias do Comportamento (BSCT, na sua sigla em ingl&#234;s) em Guant&#225;namo, entre junho de 2002 e janeiro de 2003.&#8221; Ali foi &#8220;co-autor de um memorando de pol&#237;ticas de interrogat&#243;rio que incorporavam t&#233;cnicas ilegais adaptadas a partir de m&#233;todos utilizados pelos governos da China e Cor&#233;ia do Norte contra os prisioneiros de guerra dos Estados Unidos&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Reisner arquivou uma queixa na ag&#234;ncia estatal de Nova York, o Escrit&#243;rio de Disciplina Profissional de Nova York (OPD, na sua sigla em ingl&#234;s), respons&#225;vel por outorgar a habilita&#231;&#227;o aos psic&#243;logos, na qual solicita uma investiga&#231;&#227;o e a&#231;&#227;o disciplinar apropriadas. Reisner explicou por que optou por este caminho: &#8220;Os profissionais da sa&#250;de est&#227;o sujeitos a valores morais superiores a interrogat&#243;rios ou a homens e mulheres do ex&#233;rcito. Est&#227;o sujeitos a um c&#243;digo de &#233;tica e este c&#243;digo de &#233;tica surge do fato de que as pessoas s&#227;o mais vulner&#225;veis ante os profissionais da sa&#250;de porque eles t&#234;m acesso a informa&#231;&#245;es privadas, debilidades, problemas psicol&#243;gicos e f&#237;sicos, e acessam tal informa&#231;&#227;o porque juraram n&#227;o abusar dela para causar dano. Portanto, quando profissionais da sa&#250;de utilizam mal essa informa&#231;&#227;o e seu conhecimento, n&#243;s temos de submet&#234;-las a suas obriga&#231;&#245;es &#233;ticas e nos assegurarmos de que essas pessoas prestar&#227;o contas de suas a&#231;&#245;es, revogando-lhes sua licen&#231;a, se necess&#225;rio.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O Escrit&#243;rio de Disciplina Profissional de Nova York negou-se a dar in&#237;cio a uma investiga&#231;&#227;o, e por esse motivo, Reisner tenta obter uma ordem judicial que obrigue o organismo a estudar o caso. O oficial Leso recomendou tr&#234;s categorias de intensidade para os interrogat&#243;rios em Guant&#225;namo em fun&#231;&#227;o da capacidade de resist&#234;ncia do prisioneiro. A &#8220;Categoria III&#8221; inclui &#8220;20 horas de interrogat&#243;rio di&#225;rio, isolamento extremo sem direito a visitas de profissionais da sa&#250;de ou profissionais do Comit&#234; Internacional da Cruz Vermelha, restri&#231;&#245;es alimentares durante 24 horas uma vez na semana, palcos desenhados para convencer ao prisioneiro de que poderia passar por uma experi&#234;ncia dolorosa ou fatal, conseq&#252;&#234;ncias f&#237;sicas n&#227;o consideradas les&#245;es, remo&#231;&#227;o das roupas e exposi&#231;&#227;o ao frio ou &#224; &#225;gua fria at&#233; o momento em que o prisioneiro comece a tremer.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Acredita-se que Leso teria participado do interrogat&#243;rio de Mohammed Al-Qahtani, um jovem detento do Afeganist&#227;o a quem chamam de &#8220;20&#186; seq&#252;estrado&#8221;. O interrogat&#243;rio de Al-Qahtani foi t&#227;o severo que logo depois suas acusa&#231;&#245;es foram retiradas. Ele &#233; representado pelo Centro de Direitos Constitucionais, o qual, em resposta ao an&#250;ncio do procurador-geral Holder, afirmou: &#8220;O governo de Obama admitiu uma falha pol&#237;tica hoje ao anunciar que julgar&#225; os acusados dos ataques do 11 de setembro mediante o profundamente viciado sistema de comiss&#245;es militares ao inv&#233;s de faz&#234;-lo em tribunais civis segundo o Artigo III da Constitui&#231;&#227;o, como se tinha previsto inicialmente. Ao mesmo tempo que os Estados Unidos excitam a aplica&#231;&#227;o do Estado de Direito no Oriente M&#233;dio, subverte-o em sua pr&#243;pria casa.&#8221; &#201; longa a lista de nomes de servidores p&#250;blicos estadunidenses envolvidos com tortura, no entanto, nenhum deles enfrentou qualquer acusa&#231;&#227;o: George W. Bush, Donald Rumsfeld, John Yoo, Alberto Gonzales e os psic&#243;logos, coronel Larry James e major John Leso, entre outros. Ao mesmo tempo em que todo o mundo celebra a &#8220;primavera &#225;rabe&#8221;, n&#243;s, dos Estados Unidos, dever&#237;amos virar a p&#225;gina e celebrar tamb&#233;m uma &#8220;primavera estadunidense&#8221;, que recuse a tortura e n&#227;o tenha medo de fazer uso de seu sistema judicial para julgar terroristas ou torturadores.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;-&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Denis Moynihan colaborou na produ&#231;&#227;o jornal&#237;stica desta coluna. @2010 Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Texto en ingl&#234;s traduzido por Fernanda Gerpe y Democracy Now! en espa&#241;ol, spanish&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;democracynow.org&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esta vers&#227;o &#233; exclusiva de Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise para o portugu&#234;s. O texto em espanhol traduzido para o portugu&#234;s por Rafael Cavalcanti Barreto, e revisado por Bruno Lima Rocha. As opini&#245;es adjuntas ao texto s&#227;o de exclusiva responsabilidade dos editores de Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; &#226;ncora do Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional que emite conte&#250;do di&#225;rio para mais de 650 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s, e mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &#8220;Os que lutam contra o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&#8221;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.
Coment&#225;rio da equipe do portal&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&#227;o surpreende o estado de exce&#231;&#227;o dos EUA no que diz respeito &#224; pris&#227;o de Guantanamo e o tratamento dedicado aos detentos l&#225; encarcerados. Esta base militar opera como aut&#234;ntico campo de concentra&#231;&#227;o, onde o Imp&#233;rio abusa da condi&#231;&#227;o de &#250;nica superpot&#234;ncia do mundo contempor&#226;neo. Os prisioneiros l&#225; encarcerados s&#227;o fruto da Guerra contra o Terror.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Desde sempre o n&#237;vel de opera&#231;&#245;es das for&#231;as especiais e dos servi&#231;os de intelig&#234;ncia &#233; de tempo completo. No per&#237;odo da Guerra Fria, ambas as partes das for&#231;as armadas dos EUA e aliados, assim como dos concorrentes do Bloco Sovi&#233;tico, operaram todo o tempo at&#233; a derrocada da chamada Cortina de Ferro. Ap&#243;s o 11 de setembro, ficou escancarada uma guerra sem tr&#233;gua, nem terreno ou teatro de opera&#231;&#245;es. Esta &#233; a guerra contra as redes integristas, criaturas h&#237;bridas da &#250;ltima etapa da Bipolaridade, fortalecidas com as resist&#234;ncias no Iraque e Afeganist&#227;o (com mais peso para a &#250;ltima guerra de ocupa&#231;&#227;o).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#201; da regra do Jogo Real da Pol&#237;tica compreender que uma institui&#231;&#227;o n&#227;o foge &#224; sua natureza mesma. Assim, uma for&#231;a armada em guerra, p&#250;blica ou velada, &#233; uma fonte inesgot&#225;vel de ilegalidade diante das pr&#243;prias leis de um pa&#237;s. Uma situa&#231;&#227;o de p&#226;nico e choque, como o atentado contra as Torres G&#234;meas aponta para a anomalia institucional como base de realidade. Importa pouco o que o Pent&#225;gono declara e sim o que os burocratas em armas do Imp&#233;rio fazem ou escondem. Neste caso vale tudo, at&#233; repetir o esquema onde se aplica o horror em escala interna (e reduzida) para elev&#225;-lo ao m&#225;ximo contra o outro, contra o inimigo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O major John Leso e o coronel Larry James, psic&#243;logos militares, s&#227;o dois a mais na multid&#227;o de operadores da ci&#234;ncia aplicada a servi&#231;o da domina&#231;&#227;o e do exerc&#237;cio da crueldade como forma de aniquilar o inimigo. A &#8220;revolu&#231;&#227;o behaviourista&#8221; assim como outras &#8220;revolu&#231;&#245;es&#8221; cient&#237;ficas foi c&#233;lebre em recrutar arrivistas e mercen&#225;rios para todos os fins e meios com o intuito de ganhar pontos tanto dentro de uma institui&#231;&#227;o indefens&#225;vel e na carreira da vida. Um Imp&#233;rio necessita de gente assim, seja natural ou naturalizada, recrutada de vida inteira ou &#8220;virada&#8221; no jogo de espionagem. Se a escravid&#227;o marcara a forma&#231;&#227;o da sociedade estadunidense, o Projeto Manhattan aumenta a vala comum da abertura de precedentes esp&#250;rios para o advento da tecnoci&#234;ncia com fins militares (primeiro) e comerciais depois.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Passados os anos, os modelos se sofisticaram, tornando-se ainda mais complexos. Guant&#225;namo &#233; uma aberra&#231;&#227;o, &#233; algo t&#227;o absurdo quanto imaginarmos uma masmorra p&#243;s-moderna. Seus operadores s&#227;o criminosos de guerra, ainda mais criminosos do que os suicidas que matam inocentes para defender a Umma sob a lei da Sharia e governado por Fatwas. Se a fam&#237;lia real saudita &#233; a vergonha dos &#225;rabes, Guant&#225;namo &#233; a excresc&#234;ncia o Ocidente.
E &amp; A&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/estanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://twitter.com/estanalise&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise: a pol&#237;tica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Contato com o editor: bruno.estrategiaeanalise&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com
skype: bruno.lima.rocha Revis&#227;o, diagrama&#231;&#227;o e envio: Lisandra Arezi&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradecemos &#224; publica&#231;&#227;o deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endere&#231;o eletr&#244;nico o LINK da p&#225;gina onde o texto foi reproduzido. Gratos pela aten&#231;&#227;o:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Equipe Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>A Opera&#231;&#227;o Guilhotina e a corrup&#231;&#227;o estrutural das pol&#237;cias do Rio de Janeiro. Tropa de Elite &#233; real.</title>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;Aviso aos leitores: este texto, como aporta um gr&#227;o de arei na cr&#237;tica estrutural da seguran&#231;a p&#250;blica no Rio (e em grande parte do Brasil), cremos est&#225; para al&#233;m das manchetes de jornais e portais de informa&#231;&#227;o e supera a gritaria sazonal de escaladas de telejornais.&lt;/p&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;A Opera&#231;&#227;o Guilhotina e a corrup&#231;&#227;o estrutural das pol&#237;cias do Rio de Janeiro. Tropa de Elite &#233; real.
1&#186; de mar&#231;o de 2011 - Da Vila Setembrina, Bruno Lima Rocha e das Alagoas, Rafael Cavalcanti&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aviso aos leitores: este texto, como aporta um gr&#227;o de arei na cr&#237;tica estrutural da seguran&#231;a p&#250;blica no Rio (e em grande parte do Brasil), cremos est&#225; para al&#233;m das manchetes de jornais e portais de informa&#231;&#227;o e supera a gritaria sazonal de escaladas de telejornais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tem situa&#231;&#245;es estruturais que se compreendidas tal como s&#227;o, mudam a no&#231;&#227;o de verdade, norma e consenso entre os cidad&#227;os. A seguran&#231;a p&#250;blica no estado do Rio de Janeiro caracteriza uma situa&#231;&#227;o limite, t&#237;picas da caracteriza&#231;&#227;o de Estado falido. &#201; certo, outros poderes e institui&#231;&#245;es desse n&#237;vel de governo sub-nacional n&#227;o t&#234;m tamanho grau de corrup&#231;&#227;o. Mas, em uma regi&#227;o metropolitana onde existe mais de mil espa&#231;os geogr&#225;ficos cujo controle do Estado &#233; parcial ou nulo, a banda podre na ponta (o varejo do tr&#225;fico, as apostas ilegais, os transportes clandestinos, servi&#231;os de consumo por fora da fiscaliza&#231;&#227;o, dentre outras variantes de tipo capitalismo informal com ares de selvageria) corrompe ou afeta o conjunto de poderes e agentes com capacidade de veto.
De uma hora para outra, diante dos helic&#243;pteros das emissoras de televis&#227;o Globo e Record (as duas redes de maior audi&#234;ncia no Brasil), a realidade fruto da experi&#234;ncia vivida por mais de dois milh&#245;es de cariocas e fluminenses (respectivamente, que moram na capital e no estado do Rio), supera a hiper-realidade midi&#225;tica e for&#231;a a a&#231;&#227;o do Estado para conter a rebeli&#227;o do Comando Vermelho. O pa&#237;s precisava de uma guerra tipo miss&#227;o humanit&#225;ria e atividade-fim civilizat&#243;ria. As c&#226;maras registram ent&#227;o um jovem delegado com trajet&#243;ria mete&#243;rica que surge para o p&#250;blico receptor como uma fonte confi&#225;vel e respeit&#225;vel. Ap&#243;s a tomada e invas&#227;o do Complexo do Alem&#227;o (conjunto de 13 favelas da Zona Norte do Rio de Janeiro onde moram mais de 65 mil pessoas) em novembro, o castelo de cartas come&#231;a a cair, porque como est&#225; na moda, esta tamb&#233;m era uma no&#231;&#227;o constru&#237;da em cima do nada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em maio de 2009, o ent&#227;o rec&#233;m empossado chefe da Pol&#237;cia Civil do Rio de Janeiro, Allan Turnowski, declarou para o jornal O Globo: &#8220;Estou mais preparado para combater mil&#237;cia do que qualquer um que n&#227;o esteve na ponta. Porque eu sei exatamente o que vai acontecer se nada for feito: meus policiais, pol&#237;ticos e jornalistas v&#227;o morrer em emboscada&#8221;. Nada mais prof&#233;tico. O delegado de carreira acertaria em cheio o progn&#243;stico, caso ele mesmo n&#227;o estivesse sendo acusado de envolvimento nos esc&#226;ndalos de abuso de poder. A emboscada fora montada com ordem judicial e demonstra um racha profundo e gangrenoso por dentro do aparelho repressivo estadual.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Bastaram dois anos e uma investiga&#231;&#227;o da Pol&#237;cia Federal (No Brasil, existem quatro pol&#237;cias: Federal, Rodovi&#225;ria Federal, Militar e Civil. As duas primeiras atuam em crimes de interesses da Uni&#227;o ou que afetam o pa&#237;s, como o tr&#225;fico de drogas e de armas, enquanto as duas &#250;ltimas atuam na esfera estadual. A PF corresponde a uma esp&#233;cie de FBI tupiniquim) para derrubar a estrela midi&#225;tica das invas&#245;es aos morros do Alem&#227;o e &#224; favela Vila Cruzeiro. A a&#231;&#227;o coordenada dos federais, chamada de Opera&#231;&#227;o Guilhotina prendeu dezenas de policiais sob a acusa&#231;&#227;o de participa&#231;&#227;o em mil&#237;cias, desvio de armas e liga&#231;&#245;es com bicheiros e narcotraficantes. O ex-subchefe operacional da Pol&#237;cia Civil e principal colaborador de Turnowski na corpora&#231;&#227;o, Carlos Oliveira, est&#225; entre os acusados. Turnowski pediu exonera&#231;&#227;o do cargo, que foi aceita pela Secretaria de Seguran&#231;a P&#250;blica do Rio sob o pretexto de ser o mais adequado para preservar &#8220;o bom funcionamento das institui&#231;&#245;es&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nunca &#233; demais lembrar que Turnowski tem por advers&#225;rio Cl&#225;udio Ferraz, outro delegado estrela da Delegacia de Repress&#227;o &#224;s A&#231;&#245;es Criminosas Organizadas (DRACO, da Pol&#237;cia Civil), que colaborou com a Opera&#231;&#227;o Guilhotina. Ferraz tamb&#233;m &#233; um dos co-autores do livro Elite da Tropa 2, texto que originou o roteiro do ultra-realista filme de Jos&#233; Padilha: Tropa de Elite 2, a continuidade do filme que ganhara o Urso de Ouro de Melhor Filme no Festival de Berlim em 2008. Logo depois da deflagra&#231;&#227;o da Opera&#231;&#227;o Guilhotina, as portas da DRACO foram lacradas devido a uma a&#231;&#227;o da Corregedoria da Pol&#237;cia Civil, no tempo recorde de dois dias para abertura e arquivamento de inqu&#233;rito, que tomara por base den&#250;ncias de irregularidades relatadas em uma carta an&#244;nima.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;V&#225;rias acusa&#231;&#245;es pesam contra o delegado Turnowski. Uma testemunha, que atuou durante 15 anos como informante do grupo de Oliveira, denunciou para a Pol&#237;cia Federal (ap&#243;s ter o irm&#227;o assassinado, segundo o pr&#243;prio depoente, pela quadrilha) que Turnowski recebia R$ 500 mil por m&#234;s de propina de uma mil&#237;cia no bairro Jacarepagu&#225;, na capital do Rio, e mais R$ 100 mil para permitir a venda de produtos falsificados no camel&#243;dromo Uruguaiana. O diretor da DRACO tamb&#233;m acusa o ex-chefe da Pol&#237;cia Civil de envolvimento em crimes na favela da Cor&#233;ia e desvio de armas apreendidas durante opera&#231;&#245;es. H&#225; ainda a suspeita de vazamento de informa&#231;&#245;es para &#8220;irm&#227;ozinhos&#8221; (termo usado pelos policiais cariocas acusados de pertencer ao Esquadr&#227;o da Morte criado na segunda metade dos anos '60 e que auxiliou os militares na repress&#227;o pol&#237;tica) alvos da investiga&#231;&#227;o da PF, policiais estes que resultaram presos da Opera&#231;&#227;o Guilhotina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Embora faltem provas conclusivas contra o delegado, &#233; ineg&#225;vel a corrup&#231;&#227;o do grupo que lhe acompanha h&#225; tanto tempo. Para piorar, um dos seus antecessores no mais alto posto da Pol&#237;cia Civil, o ex-oficial do Batalh&#227;o de Opera&#231;&#245;es Policiais Especiais (BOPE) e ex-deputado estadual &#193;lvaro Lins (pelo Partido do Movimento Democr&#225;tico Brasileiro &#8211; PMDB, vale lembrar, da base aliada do Governo Dilma e legenda do ex-presidente Jos&#233; Sarney e do atual vice-presidente Michel Temer), que o p&#244;s como diretor geral das delegacias especializadas, foi condenado a 28 anos de pris&#227;o por forma&#231;&#227;o de quadrilha armada, corrup&#231;&#227;o passiva e lavagem de bens.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Lins foi preso no exerc&#237;cio do mandato de parlamentar em maio de 2008, durante a Opera&#231;&#227;o Seguran&#231;a P&#250;blica S/A, da Pol&#237;cia Federal. O delegado da Federal, Jos&#233; Mariano Beltrame, badalado secret&#225;rio estadual de Seguran&#231;a P&#250;blica do RJ, o indicara para o cargo e, seguramente, ficou com uma batata quente nas m&#227;os, sendo fritas em azeite pelando. Curiosamente, o ex-oficial do BOPE passara num concurso para magistratura, mas optou pela carreira policial. Como diria o personagem do filme de Jos&#233; Padilha, o Capit&#227;o Nascimento, interpretado pelo ator Wagner Moura, &#8220;o sistema n&#227;o tem limite, parceiro. N&#227;o tem fronteira. Ele j&#225; faz parte da cultura da pol&#237;cia&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Trata-se de uma cultura de extors&#227;o e morte e estas barbaridades n&#227;o vem de agora. O Esquadr&#227;o Especial da antiga Pol&#237;cia Civil da Guanabara (estado brasileiro extinto em 1975, corresponde hoje &#224; cidade do Rio de Janeiro), ainda no governo do jornalista Carlos Lacerda (1960-1965), inaugura uma nova tradi&#231;&#227;o de &#8220;bandido bom &#233; bandido morto&#8221;, desde que n&#227;o sejam pistoleiros a servi&#231;o de pol&#237;ticos ou capangas do Jogo do Bicho, tipo de bolsa ilegal de apostas em n&#250;meros que representam animais &#8211; os respons&#225;veis pelo jogo de azar s&#227;o conhecidos por bicheiros. A nova modalidade de crime no Rio enquadra-se no conceito de Estado ampliado em sua forma falimentar, quando se forma um poder n&#227;o paralelo, mas complementar e alimentado por dentro do aparelho de seguran&#231;a e repress&#227;o. Esta realidade brutal, magistralmente narrada nas obras j&#225; citadas, torna-se alvo da elite da pol&#237;cia brasileira. A partir de investiga&#231;&#245;es, a Opera&#231;&#227;o Guilhotina tentar&#225; desvendar crimes de grande repercuss&#227;o no Rio de Janeiro.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;J&#225; existem evid&#234;ncias da participa&#231;&#227;o de policiais civis e militares, que gozavam do livre acesso &#224; c&#250;pula da Pol&#237;cia Civil, em mais de 15 homic&#237;dios. Entre os principais casos, est&#225; o do bicheiro. Rog&#233;rio Andrade em 2010. Rog&#233;rio &#233; filho de Castor de Andrade, padrinho da Escola de Samba Mocidade Independente de Padre Miguel e do clube de futebol Bangu Atl&#233;tico Clube (time da primeira divis&#227;o do estado do Rio e vice-campe&#227;o brasileiro e carioca de 1985). O atentado foi &#224; moda da antiga direita explosiva do Brasil, os mesmos que no per&#237;odo da Abertura pol&#237;tica e da transi&#231;&#227;o dos governos Geisel (1974-1979) para Figueiredo (1979-1981) explodiam bancas de jornal, institui&#231;&#245;es de tipo republicanas (como Ordem dos Advogados do Brasil e Associa&#231;&#227;o Brasileira de Imprensa) e que tiveram seu r&#233;quiem no epis&#243;dio do Riocentro, quando uma bomba a explodiu no colo de dois militares antes de chegar atividade do Dia do Trabalhador com o intuito de incriminar setores da esquerda.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No caso de Rog&#233;rio de Andrade, foi posto uma bomba caseira em seu carro; Andrade sobreviveu, mas seu filho acabou morrendo no atentado, que contou at&#233; com um mercen&#225;rio israelense. Outros epis&#243;dios famosos foram o sumi&#231;o da chinesa Ye Goue ap&#243;s trocar R$ 220 mil numa casa de c&#226;mbio em 2008, e os assassinatos do ex-deputado tucano (PSDB entre 1995 e 1998, durante o governo Marcelo Alencar) e &#224; &#233;poca assessor da Secretaria Estadual de Governo Ary Ribeiro Brum (j&#225; no mandato do ex-tucano e atual peemedebista S&#233;rgio Cabral Filho), e tamb&#233;m do presidente da associa&#231;&#227;o de ambulantes Alexandre Pereira, ambos em 2007. Al&#233;m, claro, de v&#225;rios epis&#243;dios de queima de arquivo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Direitos Humanos?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em outubro de 2010, estreou em todo o Brasil a continua&#231;&#227;o de um dos mais bem-sucedidos filmes nacionais. Tropa de Elite 2, do diretor Jos&#233; Padilha, baseia-se no livro de &#8220;fic&#231;&#227;o&#8221; Elite da Tropa 2, escrito pelo antrop&#243;logo Luiz Eduardo Soares, pelos policiais do BOPE (a tropa de elite original da pol&#237;cia militar, surgida como comando operacional ainda em 1978) Andr&#233; Batista e Rodrigo Pimentel, e pelo diretor da DRACO Cl&#225;udio Ferraz. Ao contr&#225;rio do primeiro filme, a nova vers&#227;o de Tropa de Elite mostra um estado onde os traficantes foram expulsos de comunidades e estas foram tomadas por mil&#237;cias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na produ&#231;&#227;o, os policiais que antes extorquiam os traficantes por meio do chamado arrego (tipo de propina), passaram a lucrar muito mais ao extorquir toda a comunidade em diversos servi&#231;os indispens&#225;veis, como a venda de g&#225;s, acesso a internet e &#8220;prote&#231;&#227;o&#8221; ao pequeno com&#233;rcio. Pela tradi&#231;&#227;o da Baixada Fluminense e da Zona Oeste do Rio, &#233; a sofistica&#231;&#227;o da chamada pol&#237;cia mineira, agora em uma escala organizacional superior, incluindo a venda de porteira fechada para pol&#237;ticos locais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dominar favelas gerava muito mais do que aumento nos ganhos. Gerava votos. E logo deputados, o secret&#225;rio de Seguran&#231;a P&#250;blica e at&#233; o governador do Rio &#8211; no caso ficcional da obra - passaram a se beneficiar com as mil&#237;cias, consideradas a essa altura como for&#231;as de seguran&#231;a do Estado em zonas de alta criminalidade. Qualquer semelhan&#231;a com o nascimento das Autodefesas Unidas da Col&#244;mbia (AUC) n&#227;o s&#227;o nenhuma coincid&#234;ncia. A vida e a arte se encontram na vala comum da sarjeta do aparato de seguran&#231;a.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No mesmo dia em que Tropa de Elite 2 passara a ser o filme nacional de maior bilheteria da hist&#243;ria do cinema brasileiro, com quase 11 milh&#245;es de espectadores, for&#231;as militares e da pol&#237;cia fluminense ainda recebiam elogios pelas opera&#231;&#245;es na Vila Cruzeiro e Complexo do Alem&#227;o. Supostamente, o tr&#225;fico teria perdido para o Estado sob os aplausos da m&#237;dia corporativa e da opini&#227;o p&#250;blica. Contudo, a euforia escondia diversos desrespeitos aos direitos humanos, quase todos contra moradores das favelas que passaram a ser bandidos, sem diferencia&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Assim, se manteve o mesmo padr&#227;o operacional de toda uma vida, e especificamente aprimorado nos &#250;ltimos 25 a 27 anos. A diferen&#231;a era a cobertura multim&#237;dia, louvando as pol&#237;cias de forma n&#227;o cr&#237;tica, negando-se (as m&#237;dias) inclusive de p&#244;r contra a parede o governador do estado, que estava no balne&#225;rio de Angra dos Reis, bem distante dos tiros e da press&#227;o. Nos dias da invas&#227;o, os telespectadores do Brasil viram a a&#231;&#227;o republicana e os moradores da regi&#227;o sentiram o p&#226;nico do avan&#231;o das guarni&#231;&#245;es contra o botim do narcotr&#225;fico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Mais uma vez a realidade supera a fic&#231;&#227;o. A Organiza&#231;&#227;o N&#227;o-Governamental Justi&#231;a Global, que atua em defesa dos direitos humanos, tornou p&#250;blico, por meio de um manifesto em 21 de dezembro, uma verdadeira ca&#231;a pela heran&#231;a do tr&#225;fico. De acordo com a ONG, &#8220;equipes policiais de diferentes corpora&#231;&#245;es, de diferentes batalh&#245;es, se revezam em busca do dinheiro, das j&#243;ias, das drogas e das armas que criminosos teriam deixado para tr&#225;s na fuga; em lugar de encaminhar para a delegacia tudo o que foi apreendido, as equipes est&#227;o partilhando entre elas partes valiosas do &#8220;tesouro&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Aproveitando-se do clima de &#8220;pente fino&#8221;, agentes invadem repetidamente as casas e usam amea&#231;as e t&#233;cnicas de tortura como forma de arrancar de moradores a dela&#231;&#227;o dos esconderijos do tr&#225;fico. N&#227;o bastasse isso, praticam a extors&#227;o e o roubo de pequenas quantias e de telefones celulares, c&#226;meras digitais e outros objetos de algum valor&#8221;. Por atacado ou no varejo, o arrego tem que continuar! E, na aus&#234;ncia do arrego, passa-se a domina&#231;&#227;o territorial do tipo &#8220;mil&#237;cias&#8221; para-militares e para-policiais.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Das den&#250;ncias, a ONG passa a ser propositiva, desejando algum tipo de utopia republicana, algo mais distante de ser execut&#225;vel do que uma profunda e radical transforma&#231;&#227;o social. Em nova nota expedida na semana de 07 de fevereiro, a Justi&#231;a Global mostra que o resultado da Opera&#231;&#227;o Guilhotina refor&#231;a a necessidade de se debater uma reforma das pol&#237;cias. Reforma esta de car&#225;ter estrutural que vise transpar&#234;ncia, fiscaliza&#231;&#227;o e o controle externo e independente da atividade policial, diminuindo assim o poder das investiga&#231;&#245;es internas que costumam se contaminar pelo corporativismo ou por disputas internas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Apesar de errarem na proposta (pela utopia legalista), entendemos que acertam ao propor cortar na carne. A ONG tamb&#233;m entende que &#8220;o governo do estado do Rio de Janeiro deve ser responsabilizado pelos roubos e pelas invas&#245;es de domic&#237;lio praticadas por policiais nas favelas do Complexo do Alem&#227;o e da Vila Cruzeiro. Vamos lembrar que, logo ap&#243;s a ocupa&#231;&#227;o, o coronel Mario Sergio Duarte, comandante da Pol&#237;cia Militar do Estado do Rio de Janeiro, foi &#224; imprensa e deu carta branca aos abusos e &#224;s viola&#231;&#245;es de direitos na regi&#227;o ao afirmar: &#8216;A ordem &#233; vasculhar casa por casa'&#8221;. Como diziam os antigos, &#8220;liberou geral e a samangada n&#227;o perdeu a chance de faturar!&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vale frisar que o governador S&#233;rgio Cabral administra o Rio de Janeiro h&#225; quatro anos e que o seu partido, o PMDB, foi gestor do estado por outros oito, nas figuras do casal Anthony e Rosinha Garotinho. O governador teria inclusive vetado a lei que garantia o monitoramento das viaturas. Foi no mandato de Cabral que dois chefes da Pol&#237;cia Civil ca&#237;ram. Tudo isso leva a crer que h&#225; duas possibilidades n&#227;o excludentes relacionadas &#224; seguran&#231;a p&#250;blica do Rio de Janeiro: ou o governador sofre de uma terr&#237;vel falta de sorte nas escolhas, beirando &#224; incompet&#234;ncia administrativa, ou o mesmo sabe que, em certos momentos, &#233; imposs&#237;vel manter-se no poder sem o conv&#237;vio do que est&#225; posto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Apontando conclus&#245;es: a tropa de elite &#233; real&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nas antigas regras do mar era assim. Um navio tomado era uma embarca&#231;&#227;o saqueada. Muitos imp&#233;rios, dentre eles o brit&#226;nico no reinado de Elizabeth I, sangraram os oceanos municiando seus capit&#227;es com cartas de corso. O mais famoso, Francis Drake (1540-1596), ganhou t&#237;tulo de Sir e ajudou a Inglaterra a derrotar a &#8220;invenc&#237;vel&#8221; armada espanhola, como vice-almirante em 1588. N&#227;o &#233; de hoje que os Estados liberam seus agentes de ordem e for&#231;a para apropriar-se das presas em nome do bem comum.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No Brasil do in&#237;cio do s&#233;culo XXI, n&#227;o precisa ser especialista operador da &#225;rea e nem estudioso acad&#234;mico do tema para distinguir entre a a&#231;&#227;o coordenada de for&#231;as federais e estaduais com aquilo que mais pareceu uma contra manobra. Turnowski caiu porque acusou o golpe da Opera&#231;&#227;o Guilhotina, dando ordem e libera&#231;&#227;o para uma a&#231;&#227;o de repres&#225;lia da hierarquia superior da pol&#237;cia judici&#225;ria fluminense para com uma de suas unidades mais jacobinas, a DRACO. &#201; quase surreal, se n&#227;o fosse cotidiano. A chefia da Pol&#237;cia do Rio pune uma de suas unidades por esta operar como pol&#237;cia de Estado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E, para completar, a Associa&#231;&#227;o de Delegados de Pol&#237;cia Civil do estado do Rio de Janeiro (Adepol-RJ), no entender destes que escrevem, passa recibo e protesta veementemente contra o secret&#225;rio Beltrame pelo &#8220;ato espetaculoso&#8221; da PF com o devido aux&#237;lio da Sub-secretaria de Intelig&#234;ncia subordinada diretamente a c&#250;pula da seguran&#231;a p&#250;blica fluminense. A Associa&#231;&#227;o de Delegados torna-se, na pr&#225;tica, leal e fiel ao ex-chefe de Pol&#237;cia Allan Turnowski posiciona-se criticando a infiltra&#231;&#227;o policial dentro da pr&#243;pria pol&#237;cia. Assim, ainda na &#233;tica de defender &#8220;irm&#227;ozinhos&#8221;, a Adepol-RJ recorda a velha m&#225;xima do 10 por 1 (&#8220;Para cada um policial morto, mataremos dez bandidos!&#8221; Era um dos lemas do Esquadr&#227;o da Morte), querendo seguir o baile como toda uma vida.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&#227;o h&#225; nada de novo no front, a n&#227;o ser o fato de que por vezes, as disputas intra-policiais escancaram o modus vivendi de corpora&#231;&#245;es estruturalmente marcadas pela corrup&#231;&#227;o e a viol&#234;ncia ilegal. Percebam que n&#227;o afirmamos serem todos os policiais fluminenses corruptos, mas sim que o aparelho est&#225; todo atravessado por pr&#225;ticas de il&#237;citos. Um jornalista &#8220;das antigas&#8221;, ele mesmo ex-diretor de escola de samba, nos narra a sedu&#231;&#227;o do conv&#237;vio com a bandidagem com ou sem distintivo. Segundo suas contas, n&#227;o deveriam ser 35 policiais os punidos pela Opera&#231;&#227;o Guilhotina, mas um n&#250;mero na ordem dos milhares!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A dureza destas sociedades e territ&#243;rios cravados no Rio e Grande Rio (regi&#227;o metropolitana) &#233; t&#227;o gritante que at&#233; uma telenovela da TV Globo (Duas Caras, de Aguinaldo Silva, exibida de outubro de 2007 a maio de 2008, com a inesquec&#237;vel analogia da comunidade de Rio das Pedras, chamada de Portelinha) romantizou a situa&#231;&#227;o, atenuando a exist&#234;ncia de mil&#237;cias para-policiais, como que naturalizando um &#8220;estado de natureza&#8221; entre os pobres da metr&#243;pole. J&#225; se nos ativermos ao ambiente interno das institui&#231;&#245;es coercitivas fluminenses (e cuja trag&#233;dia &#233; pass&#237;vel de ser nacionalizada), a estrutura da banda podre salta aos gritos! Levando em conta o relat&#243;rio final da Comiss&#227;o Parlamentar de Inqu&#233;rito (CPI) das Mil&#237;cias conclu&#237;do na Assembl&#233;ia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro em novembro de 2008 e a opini&#227;o p&#250;blica influenciadas pelas obras j&#225; citadas, esta guilhotina j&#225; deveria estar cortando h&#225; mais tempo e em volume maior.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A retomada do controle do Estado no Alem&#227;o e na Vila Cruzeiro teve como mola propulsora um esquema de propaganda para subtrair marcas de um passado que n&#227;o passou. O teatro de m&#225;scaras caiu estrondosamente. Mais uma vez a Cidade Maravilhosa surpreende o mundo, e para pior.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/estanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://twitter.com/estanalise&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://groups.google.com.br/group/estrategiaeanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://groups.google.com.br/group/e...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise: a pol&#237;tica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Revis&#227;o, diagrama&#231;&#227;o e envio: Lisandra Arezi
Correio: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com
msn: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;hotmail.com
skype: bruno.lima.rocha&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradecemos a publica&#231;&#227;o deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endere&#231;o eletr&#244;nico o LINK da p&#225;gina onde o texto foi reproduzido. Gratos pela aten&#231;&#227;o Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise e Equipe&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>O or&#231;amento de Obama congelar&#225; os pobres </title>
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		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Democracy Now! em portugu&#234;s a coluna semanal de Amy Goodman traduzida para o portugu&#234;s, 19 de fevereiro de 2011&lt;/p&gt; &lt;p&gt; O or&#231;amento de Obama congelar&#225; os pobres&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nesta semana, o Presidente Barack Obama tornou p&#250;blico seu or&#231;amento para 2012 e, orgulhoso, pronunciou as seguintes palavras: &#8220;Pedi que congelassem o gasto dom&#233;stico anual nos pr&#243;ximos cinco anos. Este congelamento reduzir&#225; o d&#233;ficit em mais de 400 bilh&#245;es de d&#243;lares ao longo da pr&#243;xima d&#233;cada e levar&#225; este tipo de despesa &#8211; o gasto discricion&#225;rio dom&#233;stico - ao menor n&#237;vel de nossa economia desde a presid&#234;ncia de Dwight Eisenhower&#8221;.
Prestem aten&#231;&#227;o &#224; palavra &#8220;congelar&#8221;. Isso &#233; precisamente o que poder&#225; acontecer com muita gente se este or&#231;amento for aprovado tal qual foi proposto. Enquanto o gasto de defesa aumenta, principalmente ap&#243;s o Pent&#225;gono realizar seu maior pedido de financiamento desde a Segunda Guerra Mundial, o or&#231;amento prop&#245;e cortar metade do programa chamado Programa de Assist&#234;ncia Energ&#233;tica a Lares de Baixos Rendimentos (LIHEAP, por suas siglas em ingl&#234;s).
O programa LIHEAP oferece fundos federais aos estados para que estes possam ajudar economicamente os lares de baixos rendimentos e assim satisfazer suas necessidades energ&#233;ticas, principalmente de calefa&#231;&#227;o. A maioria dos beneficiados do programa s&#227;o pessoas da terceira idade ou incapacitados. O programa tem atualmente um financiamento de cinco bilh&#245;es de d&#243;lares, e Obama est&#225; pedindo que se reduza a 2,57 bilh&#245;es &#8211; quase a metade. Este &#233; um programa de vida ou morte porque literalmente pode evitar que as pessoas morram de frio, al&#233;m de representar menos da d&#233;cima parte de 1% do or&#231;amento anual de 3,7 trilh&#245;es de d&#243;lares que foi apresentado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Comparemos esta cifra ao or&#231;amento militar apresentado. &#8220;Despesa de defesa&#8221; &#233; uma denomina&#231;&#227;o incorreta. At&#233; 1947-48, o nome oficial do Pent&#225;gono era (corretamente) Departamento de Guerra. No or&#231;amento dado a conhecer no Dia de S&#227;o Valentim, o Departamento de Defesa solicitou 553 bilh&#245;es de d&#243;lares como or&#231;amento b&#225;sico, mais um aumento de 22 bilh&#245;es com respeito &#224; concess&#227;o or&#231;ament&#225;ria de 2010. A Casa Branca solicitou o que chama de &#8220;78 bilh&#245;es&#8221; em cortes, que o Secret&#225;rio de Defesa Robert Gates est&#225; considerando. Mas, como assinala o Institute for Policy Studies, &#8220;o Departamento de Defesa fala em cortar seu pr&#243;prio or&#231;amento &#8211;78 bilh&#245;es em cinco anos &#8211; e a maioria dos meios de comunica&#231;&#227;o toma isto ao p&#233; da letra, mas n&#227;o deveriam faz&#234;-lo. O Pent&#225;gono segue com o costume de planificar aumentos ambiciosos, para depois baix&#225;-los e chamar isto de corte&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O or&#231;amento de 553 bilh&#245;es de d&#243;lares do Pent&#225;gono nem sequer inclui os gastos de guerra. Por m&#233;rito de Obama, os mesmos est&#227;o de fato no or&#231;amento geral. Recordem quando o Presidente George W. Bush referiu-se v&#225;rias vezes a gastos como necessidades de &quot;emerg&#234;ncia&#8221; e pressionou o Congresso para que aprovasse fundos complementares por fora do processo or&#231;ament&#225;rio habitual. No entanto, o governo de Obama deu &#224;s guerras do Iraque, Afeganist&#227;o e Paquist&#227;o o apelido orwelliano de &#8220;Opera&#231;&#245;es de conting&#234;ncia no estrangeiro&#8221; e solicita 118 bilh&#245;es de d&#243;lares. Se somarmos a isto os 55 bilh&#245;es para o Programa Nacional de Intelig&#234;ncia (um ponto do or&#231;amento cuja quantidade nunca antes tinha sido revelada, segundo o especialista do governo em assuntos secretos, Steven Aftergood), o or&#231;amento militar/de intelig&#234;ncia que se tornara p&#250;blico estaria na ordem dos 750 bilh&#245;es de d&#243;lares.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O or&#231;amento de 216 p&#225;ginas que apresentou o Presidente Obama n&#227;o menciona o Pent&#225;gono nem uma s&#243; vez. No entanto, menciona o nome do Presidente Eisenhower. Em duas oportunidades, Obama atribui a Eisenhower a cria&#231;&#227;o do sistema nacional de rodovias interestaduais e, como j&#225; se mencionou, faz alarde &#224; proposta de congelar os gastos: &#8220;Este congelamento ser&#225; o maior esfor&#231;o destinado a restringir a despesa discricion&#225;ria dos &#250;ltimos 30 anos, e para 2015, como parte da economia, diminuiremos os fundos discricion&#225;rios para gastos n&#227;o relacionados com a seguran&#231;a ao n&#237;vel mais baixo desde que Dwight Eisenhower foi Presidente&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se Obama vai referir-se a seu predecessor, deveria lembrar-se da advert&#234;ncia prof&#233;tica de Eisenhower, pronunciada em seu discurso de despedida de 1961: &#8220;Vemo-nos obrigados a criar uma ind&#250;stria armamentista permanente de enormes propor&#231;&#245;es. Tr&#234;s milh&#245;es e meio de homens e mulheres participam diretamente da consolida&#231;&#227;o da defesa. A influ&#234;ncia total - econ&#244;mica, pol&#237;tica e inclusive espiritual - sente-se em cada cidade, em cada capit&#243;lio estadual, em cada escrit&#243;rio do governo federal. Reconhecemos a necessidade fundamental deste desenvolvimento. No entanto, devemos entender suas graves consequ&#234;ncias. Nos conselhos do governo, devemos tratar de evitar que o complexo industrial-militar adquira influ&#234;ncia injustificada, j&#225; almejada ou n&#227;o. Existe e seguir&#225; existindo potencial para que haja um aumento desastroso do poder em m&#227;os inadequadas&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Outro discurso de Eisenhower que deveria guiar a Obama foi pronunciado em abril de 1953, ante a Sociedade Estadunidense de Diretores de Jornais, apenas duas semanas ap&#243;s ter tomado posse. Nesse discurso, o general que se tornara presidente, disse: &#8220;A cada arma que se fabrica, a cada navio de guerra que se lan&#231;a &#224; &#225;gua, a cada foguete que se dispara significa, em &#250;ltima inst&#226;ncia, um roubo a quem padece de fome e n&#227;o tem alimento, a quem tem frio e n&#227;o tem abrigo&#8221;. Estamos vivendo um dos invernos mais frios da hist&#243;ria. Uma em cada oito pessoas nos Estados Unidos utiliza cup&#245;es aliment&#237;cios (aux&#237;lio p&#250;blico para comprar alimentos), o que representa o maior percentual da hist&#243;ria. Muitos outros tamb&#233;m carecem de assist&#234;ncia de sa&#250;de, apesar dos benef&#237;cios iniciais da lei de reforma do sistema de sa&#250;de aprovada no ano passado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os estadunidenses t&#234;m frio, fome e est&#227;o desempregados. Ao aumentar a despesa militar, que j&#225; &#233; superior a soma de todos os or&#231;amentos militares do mundo, simplesmente, estamos levando esse sofrimento ao exterior. Dever&#237;amos ter claro quais s&#227;o nossas prioridades.
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;
Texto en ingl&#234;s traducido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&#237;az Cortez y Democracy Now! en espa&#241;ol, spanish&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;democracynow.org&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Texto em espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; &#226;ncora do Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional que emite conte&#250;do di&#225;rio para mais de 650 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s, e mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &#8220;Os que lutam contra o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&#8221;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/estanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://twitter.com/estanalise&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise: a pol&#237;tica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Expediente
Editor Bruno Lima Rocha
Revis&#227;o, diagrama&#231;&#227;o e envio: Lisandra Arezi
Correio: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com
msn: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;hotmail.com
skype: bruno.lima.rocha&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradecemos a publica&#231;&#227;o deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endere&#231;o eletr&#244;nico o LINK da p&#225;gina onde o texto foi reproduzido. Caso n&#227;o queira mais receber os artigos, por favor, envie e-mail para estrategia.analise&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com.
Gratos pela aten&#231;&#227;o Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise e Equipe&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>A hist&#243;ria de dois comiss&#225;rios </title>
		<link>http://www.ciranda.net/article5083.html</link>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>


		<dc:subject>Estados Unidos</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;O massacre de Tucson, que deixou um saldo de seis mortos e catorze feridos, entre eles a congressista Gabrielle Giffords, concentrou repentinamente a aten&#231;&#227;o p&#250;blica na figura do xerife local Clarence Dupnik. Dupnik tem sido o comiss&#225;rio do Condado de Pima, que inclui Tucson, a segunda maior cidade do Arizona, durante trinta anos. Antes disso, Dupnik foi policial durante vinte anos. Ele se transformou no centro das aten&#231;&#245;es nesta semana por vincular a matan&#231;a de Tucson com o clima pol&#237;tico violento em que se encontra os Estados Unidos, em particular o Arizona.&lt;/p&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O massacre de Tucson, que deixou um saldo de seis mortos e catorze feridos, entre eles a congressista Gabrielle Giffords, concentrou repentinamente a aten&#231;&#227;o p&#250;blica na figura do xerife local Clarence Dupnik. Dupnik tem sido o comiss&#225;rio do Condado de Pima, que inclui Tucson, a segunda maior cidade do Arizona, durante trinta anos. Antes disso, Dupnik foi policial durante vinte anos. Ele se transformou no centro das aten&#231;&#245;es nesta semana por vincular a matan&#231;a de Tucson com o clima pol&#237;tico violento em que se encontra os Estados Unidos, em particular o Arizona.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Imediatamente ap&#243;s a matan&#231;a, o comiss&#225;rio Dupnik realizou uma coletiva de imprensa: &#8220;A raiva, o &#243;dio e o fanatismo que se passa neste pa&#237;s est&#225; alcan&#231;ando um n&#237;vel horroroso. E lamentavelmente acho que Arizona se converteu na sua capital. N&#243;s nos tornamos a meca do preconceito e da intoler&#226;ncia&#8221;.
Arizona &#233; um dos tr&#234;s estados do pa&#237;s onde a popula&#231;&#227;o pode portar armas ocultas sem permiss&#227;o. Quando lhe perguntaram a respeito da lei, o comiss&#225;rio foi categ&#243;rico: &#8220;Bom, acho que somos a L&#225;pida dos Estados Unidos da Am&#233;rica. (...) Nunca fui a favor de que qualquer um possa portar armas neste estado em qualquer circunst&#226;ncia que deseje. E j&#225; estamos quase neste ponto. A legisla&#231;&#227;o, neste momento, permite que estudantes e professores portem armas nas escolas e na universidade. A universidade deve ser administrada pelos reitores, n&#227;o pela legisla&#231;&#227;o do Arizona. Por isso, chegamos a esta situa&#231;&#227;o absurda.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O suposto assassino, Jared Loughner, de 22 anos de idade, claramente sofre de algum tipo de doen&#231;a mental. No entanto, Loughner conseguiu comprar uma pistola semi-autom&#225;tica junto com compartimentos de capacidade estendida para carregar mais balas. Ele comprou as balas na mesma manh&#227; do atentado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando entrevistei o Comiss&#225;rio Dupnik, ele chamou as leis de porte de armas do Arizona de &#8220;insanas&#8221; e voltou a mencionar o v&#237;nculo entre o discurso pol&#237;tico e a matan&#231;a: &#8220;Acho que h&#225; muitas pessoas na ind&#250;stria da r&#225;dio, especialmente, e algumas na ind&#250;stria da televis&#227;o, que ganham milh&#245;es de d&#243;lares inflamando o p&#250;blico, alimentando o &#243;dio contra o governo e a desconfian&#231;a. E em alguns casos temos candidatos pol&#237;ticos que dizem: &#8220;Se n&#227;o podemos resolver estes problemas, devemos considerar a Segunda Emenda como a solu&#231;&#227;o&#8221;. Ou temos gente em posi&#231;&#227;o de poder que diz: &#8220;'Temos que ter pessoas como Gabrielle Giffords sob mira&#8221;. E na minha avalia&#231;&#227;o, estes tipos de declara&#231;&#245;es s&#227;o totalmente irrespons&#225;veis e trazem consequ&#234;ncias.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma das pessoas cujo discurso tem chamado a aten&#231;&#227;o &#233; Sarah Palin. Palin publicou um mapa dos Estados Unidos no site de seu comit&#234; de a&#231;&#227;o pol&#237;tica no ano passado, que inclu&#237;a uma lista de 20 assentos do Congresso ocupados por democratas, que, segundo ela, &#8220;estavam na sua mira&#8221; durante as elei&#231;&#245;es de 2010. Entre os alvos, Gabrielle Giffords. O mapa marcava cada distrito com uma mira de uma pistola. Para aumentar a pol&#234;mica, Palin vinculou as ditas miras no mapa a uma mensagem de twitter que dizia: &#8220;N&#227;o se retirem, RECARREGUEM!&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A congressista Giffords falou diretamente a respeito do uso que Palin fazia das miras de pistola quando apareceram pela primeira vez. Disse em uma entrevista na emissora MSNBC:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(Gifford): &#8220;Temos recebido centenas e centenas de manifestantes nos &#250;ltimos meses. Nosso escrit&#243;rio converteu-se em uma zona de congrega&#231;&#227;o para todo o movimento do 'tea party', e a discuss&#227;o est&#225; muito acalorada: n&#227;o somente temos recebido telefonemas, sen&#227;o tamb&#233;m correios eletr&#244;nicos, insultos. A situa&#231;&#227;o tem piorado. Quero dizer que h&#225; que o pensar. Nossa democracia &#233; uma luz, um farol para todo mundo, porque provocamos mudan&#231;as nas urnas, e n&#227;o devido a estes estalos de viol&#234;ncia, em alguns casos, e aos gritos. A mudan&#231;a &#233; importante, &#233; parte de nosso processo. Mas &#233; realmente importante que nos centremos no fato de que temos um processo democr&#225;tico&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(Jornalista): &#8220;Voc&#234; considera que os deputados republicanos, os l&#237;deres republicanos, deveriam ter denunciados mais fortemente essa viol&#234;ncia, ou est&#225; de acordo com o que disseram? Por exemplo, o L&#237;der da Minoria John Baynor, que denunciou a viol&#234;ncia na Fox News.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;(Gifford): &#8220;Acho que &#233; importante para todos os l&#237;deres, n&#227;o s&#243; os l&#237;deres do Partido Republicano e do Partido Democrata. Certamente h&#225; muitos independentes que seque n&#227;o t&#234;m resson&#226;ncia. Mas os l&#237;deres comunit&#225;rios, as figuras de nossa comunidade devem dizer: &#8216;N&#227;o podemos suportar isto'. &#201; uma situa&#231;&#227;o em que a gente deve se dar conta do discurso e do ataque &#224;s pessoas, e inclusive coisas, por exemplo, como estar na mira de Sarah Palin. O problema foi a forma como ela mostrou, h&#225; uma mira de pistola sobre nosso distrito. Quando algu&#233;m faz isso, tem que se dar conta de que h&#225; consequ&#234;ncias&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O rival de Giffords nas elei&#231;&#245;es parlamentares, o veterano do Iraque Jesse Kelly, que conta com o apoio do movimento conservador 'tea party', realizou um evento cuja publicidade dizia &#8220;Ajustem o alvo para a vit&#243;ria em novembro. Ajudem a tirar Gabrielle Giffords do Congresso. Disparem uma M16 autom&#225;tica com Jesse Kelly&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando o pai de Gifford correu no s&#225;bado para v&#234;-la no hospital, perguntaram-lhe se ela tinha inimigos. &#8220;Sim&#8221;, disse, &#8220;Todo o tea party&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se por um lado a campanha de Palin foi direta e agressiva, a mesma corresponde apenas a uma pequena por&#231;&#227;o da viol&#234;ncia pol&#237;tica que consumiu o Arizona nos &#250;ltimos anos. A governadora republicana Jan Brewer ganhou m&#225; reputa&#231;&#227;o a n&#237;vel nacional ao promulgar o pol&#234;mico projeto de lei de imigra&#231;&#227;o S.B. 1070, ao que Dupnik se op&#244;s firmemente: &#8220;Cada latino deste pa&#237;s, especialmente os do Arizona, deve ter acordado. Falei pessoalmente com muitos no dia seguinte, sentindo que lhes tinham dado um soco na boca, sentindo que agora eram cidad&#227;os de segunda classe, que tinham uma mira de pistola nas costas, porque quando sa&#237;rem de suas casas ter&#227;o que levar seus documentos e se preparar para que os parem e interroguem. E isto, da noite para o dia, converteu os latinos em cidad&#227;os de segunda classe&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Comparemos o Comiss&#225;rio Dupnik ao comiss&#225;rio do condado vizinho de Maricopa, Joe Arpaio: &#8220;Se um oficial da pol&#237;cia v&#234; algu&#233;m em atitude suspeita ou assustado, ou o que seja, ou preocupado, e se essa pessoa fala e demonstra, de certa forma, que veio de outro pa&#237;s, podemos nos encarregar da situa&#231;&#227;o&#8221;. Arpaio &#233; conhecido pelas m&#225;s condi&#231;&#245;es no tratamento de presos, que s&#227;o alojados em barracas de lona sob o intenso calor do ver&#227;o. Ele prometeu ampliar sua 'cidade acampamento' para se adaptar ao fluxo previsto de imigrantes detentos. Arpaio est&#225; sendo investigado por um processo federal de direitos civis ante o Departamento de Justi&#231;a dos Estados Unidos pelo trato a prisioneiros e imigrantes e por abuso de poder.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Rep&#250;blica de Arizona informa que em condi&#231;&#245;es normais, teria decretado a pris&#227;o preventiva de Jared Loughner, acusado num tribunal federal pelos assassinatos e atentados, a efetivar-se na pris&#227;o do condado de Maricopa. Mas &#8220;considerando a gravidade do caso e a inclina&#231;&#227;o do comiss&#225;rio do condado de Maricopa, Joe Arpaio, a sair na m&#237;da, Loughner foi transferido a um estabelecimento federal&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto o pa&#237;s une-se contra o terror em Tucson, deixemos de apontar civis inocentes e esperemos que a sensibilidade do comiss&#225;rio Dupnik prevale&#231;a sobre a viol&#234;ncia cruel de Arpaio e todos aqueles de sua classe.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_ps'&gt;&lt;p&gt;Denis Moynihan colaborou na produ&#231;&#227;o jornal&#237;stica desta coluna. @2010 Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Texto em ingl&#234;s traduzido por Mercedes Camps, editado por Gabriela D&#237;az Cortez y Democracy Now! en espa&#241;ol, panish&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;democracynow.org
Texto en espanhol traduzido por Rafael Cavalcanti Barreto, revisado por Bruno Lima Rocha.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; &#226;ncora do Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional que emite conte&#250;do di&#225;rio para mais de 650 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s, e mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &#8220;Os que lutam contram o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&#8221;, editado pelo Le Monde Diplomatique do Cone Sul.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>Um grito vindo da Argentina: 'Fechem Guant&#225;namo' </title>
		<link>http://www.ciranda.net/article4948.html</link>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>


		<dc:subject>Argentina</dc:subject>
		<dc:subject>Guant&#225;namo</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;&#8220;Guant&#225;namo vai seguir aberto no curto prazo&#8221;, disse esta semana (obs. do tradutor, a de 15/11/2010) ao jornal Washington Post, um servidor p&#250;blico n&#227;o identificado, e lotado na Casa Branca. Para ter um exemplo de como proceder com a tristemente c&#233;lebre base naval estadunidense em Cuba, o Presidente Barack Obama deveria fixar sua aten&#231;&#227;o em um velho edif&#237;cio da armada argentina em Buenos Aires.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique43.html" rel="directory"&gt;Am&#233;ricas &lt;/a&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot130.html" rel="tag"&gt;Argentina&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot342.html" rel="tag"&gt;Guant&#225;namo&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L150xH48/arton4948-3e4d7.jpg&quot; width='150' height='48' style='height:48px;width:150px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;&#8220;Guant&#225;namo vai seguir aberto no curto prazo&#8221;, disse esta semana (obs. do tradutor, a de 15/11/2010) ao jornal Washington Post, um servidor p&#250;blico n&#227;o identificado, e lotado na Casa Branca.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Para ter um exemplo de como proceder com a tristemente c&#233;lebre base naval estadunidense em Cuba, o Presidente Barack Obama deveria fixar sua aten&#231;&#227;o em um velho edif&#237;cio da armada argentina em Buenos Aires.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quando Ana Mar&#237;a Careaga tinha 16 anos e estava gr&#225;vida, operadores das For&#231;as Armadas argentinas a seq&#252;estraram na rua, a levaram a um centro clandestino de deten&#231;&#227;o e a torturaram durante quatro meses. Corria o ano 1977 e as For&#231;as Armadas acabavam de dar um golpe de Estado na Argentina. Trinta mil pessoas foram &#8220;desaparecidas&#8221; entre 1976 e 1983 pela brutal Junta Militar na Argentina. A Junta gozava do apoio entusiasta do ent&#227;o Secret&#225;rio de Estado dos Estados Unidos, Henry Kissinger, a quem se atribui haver dado autoriza&#231;&#227;o para a cria&#231;&#227;o de uma rede de terrorismo de Estado integrada por v&#225;rios governos militares da regi&#227;o e denominada Plano Condor. Esta rede do terror de Estado assassinou a 60.000 pessoas em toda a Am&#233;rica do Sul.
D&#233;cadas mais tarde, a Argentina saiu da ditadura e da recente depress&#227;o e colapso da economia, vindo a ser considerada como uma das novas democracias progressistas da Am&#233;rica Latina. Ana Mar&#237;a Careaga, que agora tem 50 anos, &#233; a diretora do Instituto Espa&#231;o para a Mem&#243;ria, localizado dentro da velha Escola de Mec&#226;nica da Armada, em plena Buenos Aires, onde 5.000 pessoas foram detidas, torturadas e, em sua maioria, vindo a ser depois assassinadas. O objetivo do instituto &#233; preservar a mem&#243;ria deste cap&#237;tulo nefasto da hist&#243;ria argentina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ana temia perder a seu beb&#234;. Entre os horrores que teve que suportar, contam-se repetidos choques el&#233;tricos na vagina &#8211; atrav&#233;s de um cabo de metal condutor de eletricidade. Enquanto estava detida, sua m&#227;e, Esther Careaga, uniu-se a outras m&#227;es de jovens que tinham sido desaparecidos. Reuniam-se na Pra&#231;a de Maio, levando as fotografias de seus filhos desaparecidos e marchavam em c&#237;rculo para conscientizar, protestar e conseguir apoio internacional contra a viol&#234;ncia e o terrorismo de Estado argentino.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ap&#243;s Ana haver sido libertada, recebendo asilo pol&#237;tico na Su&#237;&#231;a, Esther Careaga n&#227;o deixou de marchar ao redor da Pra&#231;a de Maio. Estive em Buenos Aires nesta semana e perguntei-lhe a Ana por que: &#8220;Quando eu sa&#237; em liberdade, minha mam&#227;e voltou &#224; Pra&#231;a de Maio e as m&#227;es lhe disseram o que voc&#234; est&#225; fazendo aqui se recuperou a sua filha?', e ela disse 'eu vou seguir at&#233; que apare&#231;am todos, porque todos os desaparecidos s&#227;o meus filhos'. Isso mostrava que o acionar n&#227;o era uma busca individual, sen&#227;o uma busca coletiva&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Esther Careaga, outras duas M&#227;es da Pra&#231;a de Maio e duas freiras francesas foram desaparecidas, torturadas e assassinadas entre os dias 8 e 10 de dezembro de 1977. Foram levadas &#224; velha Escola de Mec&#226;nica da Armada (ESMA), onde com macabra sofistica&#231;&#227;o, o governo militar argentino levava adiante o que se conhece como &quot;v&#244;os da morte&quot;: depois de torturar suas v&#237;timas, as drogavam e, enquanto estavam ainda com vida, empilhavam seus corpos em frangalhos em avi&#245;es. Os avi&#245;es sobrevoavam as &#225;guas costeiras e lan&#231;avam os corpos das v&#237;timas l&#225; de cima, na altitude de v&#244;o da aeronave. Tempos depois, um regime de ventos e um c&#226;mbio de mar&#233; pouco freq&#252;ente arrastaram o corpo de Esther Careaga e de outras pessoas &#224; orla, vindo a ser finalmente identificados.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Do lugar onde sua m&#227;e foi vista com vida por &#250;ltima vez no centro de tortura, Ana me mostrou um livro que cont&#233;m um memorando diplom&#225;tico dos Estados Unidos, obtido em virtude da Lei de Liberdade de Informa&#231;&#227;o. O documento demonstra que a embaixada dos Estados Unidos na Argentina sabia que sua m&#227;e tinha sido assassinada e que seu corpo tinha sido recuperado, coisa que Ana e seu pai n&#227;o souberam durante d&#233;cadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na atualidade, os sobreviventes dos campos de deten&#231;&#227;o e o governo argentino est&#227;o julgando, &#8211; e na maioria dos casos condenando &#8211; a muitos dos repressores e torturadores (Kissinger ainda n&#227;o foi julgado, e se diz que toma muitas precau&#231;&#245;es antes de viajar ao exterior para evitar ser preso). Ana assiste a dois julgamentos ao mesmo tempo: nas segundas-feiras, ter&#231;as-feiras e quartas-feiras assiste ao julgamento daqueles que torturaram e assassinaram a sua m&#227;e. O resto da semana, na mesma sala de audi&#234;ncias, assiste ao julgamento de seus pr&#243;prios torturadores. Ela &#233; um depoimento vivo da busca paciente e disciplinada por justi&#231;a.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O que nos leva de volta a Guant&#225;namo. Enquanto os Estados Unidos passa serm&#245;es em Cuba a respeito de sua falta de democracia e mant&#233;m o bloqueio econ&#244;mico contra o pa&#237;s h&#225; d&#233;cadas, seria certo algu&#233;m pensar que os EUA deveriam dar um exemplo de democracia na parte da Ilha que est&#225; baixo seu controle. No entanto, a maior pot&#234;ncia militar do planeta instalou ali um campo de concentra&#231;&#227;o que tem recebido um en&#233;rgico rep&#250;dio em n&#237;vel internacional, pois se considera esta pris&#227;o como um territ&#243;rio kafkeano acima do alcance de qualquer lei internacional e do seu pr&#243;prio pa&#237;s.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O novo Relator Especial da ONU sobre a Tortura est&#225; exortando aos Estados Unidos a investigar, pesquisar e condenar a tortura cometida durante o governo de George W. Bush. Na primeira entrevista que brindou desde que assumiu o cargo como novo Relator Especial da ONU sobre a Tortura, Juan Ernesto M&#233;ndez disse: &#8220;Os Estados Unidos tem o dever de pesquisar todos os atos de tortura. Lamentavelmente n&#227;o temos visto muitos sinais de que assumam esta responsabilidade&#8221;. M&#233;ndez tem planos de visitar Guant&#225;namo. Ele mesmo foi v&#237;tima de tortura durante a ditadura argentina.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;H&#225; ainda ao redor de 180 homens detidos na Ba&#237;a de Guant&#225;namo, com cada vez menos perspectivas de ser julgados em algum dia por um tribunal real. Durante anos foram submetidos a interrogat&#243;rios e isolamento prolongado, o que se considera tortura tanto de fato, como em termos legais. O Presidente Obama havia prometido fechar a pris&#227;o de Guant&#225;namo. Por&#233;m, &#233; pouco prov&#225;vel que o Congresso financie agora o fechamento de Guant&#225;namo e o translado dos prisioneiros, o qual deixa ao presidente encadeado a Guant&#225;namo, condenando tamb&#233;m aos prisioneiros ali &#224; deten&#231;&#227;o e desespero por tempo indeterminado, e aprofundando a indigna&#231;&#227;o com a que muitos no mundo olham a Estados Unidos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ana Mar&#237;a Careaga &#233; uma sobrevivente da tortura que trabalha no mesmo lugar em que sua m&#227;e foi torturada e onde passou suas &#250;ltimas horas. Seu conselho ao Presidente Obama &#233; simples: &#8220;Fechem Guant&#225;namo&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Denis Moynihan colaborou na produ&#231;&#227;o jornal&#237;stica desta coluna. &#169; 2010 Amy Goodman Texto traduzido da vers&#227;o em castelhano e revisado do original em ingl&#234;s por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em portugu&#234;s em Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise. &#201; livre a reprodu&#231;&#227;o de conte&#250;do desde que citando a fonte.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; a &#226;ncora de Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s e em mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver online : &lt;a href="http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=fd7fbb78a7dcd10fe2b81b7db3daff7b&amp;&amp;idtitulo=beafaa3d04f22f96f685d4cf2553e478" class="spip_out"&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>A tortura no Iraque n&#227;o diminui </title>
		<link>http://www.ciranda.net/article4750.html</link>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>


		<dc:subject>Iraque </dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Depois de prender a dezenas de milhares de iraquianos (em muitos casos sem nenhuma acusa&#231;&#227;o formal) e de manter a muitos deles prisioneiros durante anos sem os julgar, os Estados Unidos entregaram o controle das pris&#245;es do Iraque, com seus 10.000 prisioneiros, ao governo iraquiano. Conhe&#231;am o novo chefe, &#233; igual que o anterior.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique42.html" rel="directory"&gt;Oriente M&#233;dio&lt;/a&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot116.html" rel="tag"&gt;Iraque &lt;/a&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Democracy Now! em portugu&#234;s, 24 de setembro de 2010 &#8211; coluna semanal de Amy Goodman&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Se algu&#233;m chegasse a acreditar no discurso do Presidente Barack Obama deveria pensar que as opera&#231;&#245;es de combate no Iraque terminaram. No entanto, ap&#243;s a tortura haver sido exposta publicamente pela primeira vez com o esc&#226;ndalo de Abu Ghraib, a barb&#225;rie nas cadeias iraquianas cresce e cresce, ficando cada vez mais distante de qualquer tipo de escrut&#237;nio ou responsabilidade. Depois de prender a dezenas de milhares de iraquianos (em muitos casos sem nenhuma acusa&#231;&#227;o formal) e de manter a muitos deles prisioneiros durante anos sem os julgar, os Estados Unidos entregaram o controle das pris&#245;es do Iraque, com seus 10.000 prisioneiros, ao governo iraquiano. Conhe&#231;am ao novo chefe, &#233; igual que o anterior.
Tarde na noite de s&#225;bado, depois de aterrissar em Londres, fomos &#224; pequena zona residencial de Kilburn para falar com Rabiha al-Qassab, uma refugiada iraquiana que recebeu o direito de asilo em territ&#243;rio brit&#226;nico depois do irm&#227;o haver sido executado por Saddam Hussein. Seu marido, de 68 anos de idade, Ramze Shihab Ahmed, foi general do ex&#233;rcito iraquiano durante o regime de Saddam, lutou na guerra entre Ir&#227; e Iraque e fez parte de uma frustrada tentativa de derrubar ao ditador iraquiano. O casal viveu confortavelmente em Londres por v&#225;rios anos at&#233; setembro do ano 2009.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nessa data, Ramze Ahmed se informou de que seu filho Omar tinha sido preso em Mosul, Iraque. Ahmed regressou ao Iraque para encontrar ao filho, mas foi preso tamb&#233;m.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Durante meses, Rabiha n&#227;o soube nada a respeito do paradeiro de seu marido. Mas em 28 de mar&#231;o de 2010 toca seu celular. Rabiha conta o sucedido: &#8220;Meu celular soou e respondi. Parecia outra pessoa, n&#227;o reconheci sua voz e perguntei: &#8216;Quem &#233;?' Disse que estava muito doente e depois disse: &#8216;Sou eu, Ramze, Ramze. Ligue para a embaixada.' Logo ap&#243;s lhe retiram o telefone e terminou a conversa.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ramze Ahmed estava preso num c&#225;rcere secreto localizado no velho aeroporto de Muthanna em Bagd&#225;. Em um relat&#243;rio recente da Anistia Internacional intitulado &#8220;Nova ordem, os mesmos abusos&#8221; descreve a pris&#227;o de Muthanna como &#8220;uma das mais duras&#8221; cadeias do Iraque, palco de m&#250;ltiplas torturas, sob controle direto do Premi&#234; Iraquiano Nouri a o-Maliki.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto Rabiha me mostrava fotos de sua fam&#237;lia, caiu um peda&#231;o de papel com palavras em ingl&#234;s e em &#225;rabe. Ela me explicou que para poder dizer em ingl&#234;s o que acontecia com seu marido teve de buscar no dicion&#225;rio algumas palavras, j&#225; que nunca antes tinha utilizado naquele idioma palavras como: &#8220;viola&#231;&#227;o&#8221;, &#8220;pau&#8221;, &#8220;tortura&#8221;. Ca&#237;am l&#225;grimas de seus olhos enquanto transmitia o que seu marido lhe tinha relatado: &quot;eles o sodomizaram com um peda&#231;o de pau, foi afogado repetidas vezes com sacos pl&#225;sticos ao redor de sua cabe&#231;a, lhe deram v&#225;rios choques el&#233;tricos.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;A primeira tortura cometida era p&#244;r sacos em sua cabe&#231;a, umas cinq&#252;enta vezes por dia, at&#233; perder a consci&#234;ncia e n&#227;o sentir nada, ent&#227;o lhe dava cargas el&#233;tricas deixando-o em estado de choque. Quando acordava, colocavam de novo a sacola de pl&#225;stico e, outra vez mais faziam o mesmo, repetindo a tortura o tempo todo. Tamb&#233;m botavam um peda&#231;o de pau dentro de um pl&#225;stico ou enrolavam a extremidade de uma arma longa, uma pequena parte do cano, n&#227;o se tratava de um rev&#243;lver ou de uma pistola, n&#227;o era nenhuma arma curta, era como um rifle ou fuzil. Enrolavam sua ponta no pl&#225;stico e a fechavam. Depois traziam a seu filho e lhe ordenavam que violentasse ao seu pai e vice-versa. Diziam-lhe: `Agora voc&#234; ter&#225; de violentar a teu filho&#180;.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;N&#227;o surpreende ent&#227;o, que segundo est&#225; detalhado no relat&#243;rio de Anistia Internacional, o governo do Iraque afirme que Ramze Shihab Ahmed tenha confessado v&#237;nculos com a Al-Qaeda no Iraque. Em janeiro de 2010, durante uma confer&#234;ncia de imprensa organizada pelo Ministro de Defesa iraquiano, projetaram v&#237;deos que mostravam a outros nove prisioneiros confessando crimes, entre eles o filho de Ahmed, Omar, que apresentava sinais de haver sofrido espancamento. No v&#237;deo, Omar confessa &#8220;ter assassinado a v&#225;rios crist&#227;os em Mosul e ter detonado uma bomba em uma localidade pr&#243;xima &#224;quela cidade.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Malcolm Smart, diretor do programa da Anistia Internacional para o Oriente M&#233;dio e o Norte da &#193;frica me disse em Londres: &#8220;[No Iraque] h&#225; uma cultura do abuso que tem ficado ra&#237;zes. &#201; verdade que esta cultura j&#225; estava presente durante o tempo de Saddam Hussein, mas o que pretend&#237;amos a partir do ano 2003 era virar a p&#225;gina dessa hist&#243;ria, e isto n&#227;o vem acontecendo. O que sim acontece &#233; a exist&#234;ncia de pris&#245;es secretas, gente torturada e maltratada que se v&#234; for&#231;ada a realizar confiss&#245;es. Apesar de que nos tribunais s&#227;o muitos os presos que dizem terem obrigados a assinar falsas confiss&#245;es, a Justi&#231;a n&#227;o investiga estes fatos e nem luta para erradic&#225;-los. Quem comete tais crimes n&#227;o sofre conseq&#252;&#234;ncia alguma e os torturadores n&#227;o s&#227;o identificados.&#8221;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Depois daquela breve e interrompida liga&#231;&#227;o telef&#244;nica que recebeu de seu marido, Rabiha p&#244;s-se em contato com o governo brit&#226;nico e sua embaixada no Iraque seguiu o rastro de Ahmed at&#233; a pris&#227;o de o-Rusafa em Bagd&#225;. Habitualmente Ahmed utilizava bengala, mas agora estava em uma cadeira de rodas. Rabiha tem uma foto dele tirada pelo representante do governo brit&#226;nico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Anistia Internacional estima haverem cerca de 30.000 prisioneiros no Iraque, 200 dos quais continuam sob cust&#243;dia estadunidense. Perguntei a Malcolm Smart da Anistia Internacional a respeito destes &#250;ltimos prisioneiros e ele me respondeu: &#8220;Me disse o ex&#233;rcito estadunidense considerar este tema como um assunto iraquiano e que tem entregado aos &#250;ltimos prisioneiros, a exce&#231;&#227;o das duas centenas ainda sob sua guarda.&#8221; No entanto, enquanto os Estados Unidos continuarem destinando bilh&#245;es de d&#243;lares para manter sua presen&#231;a militar no Iraque e a financiar ao governo iraquiano, &#233; claro que o tratamento recebido pelos prisioneiros tamb&#233;m &#233; um assunto dos EUA. A Anistia lan&#231;ou uma campanha de base para promover mais a&#231;&#245;es e assim assegurar a liberta&#231;&#227;o de Ahmed.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto isso, Rabiha a o-Qassab, que est&#225; isolada e sozinha no norte de Londres, passa o tempo alimentando patos em um parque pr&#243;ximo. Era isso o que seu marido costumava fazer.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Rabiha me disse: &#8220;Vou ao parque e dou de comer aos patos. Falo com os patos e lhes digo: &#8216;Lembram-se do homem que lhes dava de comer? Est&#225; preso. Pe&#231;am a Deus que o ajude.' &#8221;&lt;/p&gt; &lt;hr class=&quot;spip&quot; /&gt;
&lt;p&gt;Denis Moynihan colaborou na produ&#231;&#227;o jornal&#237;stica desta coluna.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#169; 2010 Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Texto traduzido da vers&#227;o em castelhano e revisado do original em ingl&#234;s por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em portugu&#234;s em Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise. &#201; livre a reprodu&#231;&#227;o de conte&#250;do desde que citando a fonte.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; a &#226;ncora de Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s e em mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
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		<title>No telejornal: como a mudan&#231;a clim&#225;tica te afeta </title>
		<link>http://www.ciranda.net/article4583.html</link>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>


		<dc:subject>&lt;span lang='it'&gt;Comunica&#231;&#227;o&lt;/span&gt;</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;As reportagens di&#225;rias a respeito do clima e da previs&#227;o do tempo, apresentadas alegremente com gr&#225;ficos coloridos e anima&#231;&#227;o de &#250;ltima gera&#231;&#227;o, parecem transmitir cada vez mais informa&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No entanto, sem importar o qu&#227;o chamativa seja a apresenta&#231;&#227;o, um fato fundamental &#233; sistematicamente omitido. Imaginemos se, depois de salientar a express&#227;o &#8220;condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas extremas&#8221; para chamar nossa aten&#231;&#227;o, os relat&#243;rios indicassem o termo gen&#233;rico &#8220;aquecimento global&#8221;. Ent&#227;o n&#227;o ficar&#237;amos apenas inteirados se devemos p&#244;r roupas mais leves ou levar guarda-chuvas, sen&#227;o de que temos que fazer algo a respeito da mudan&#231;a clim&#225;tica.&lt;/p&gt;

-
&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique17.html" rel="directory"&gt;Comunica&#231;&#227;o &lt;/a&gt;

/ 
&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot46.html" rel="tag"&gt;&lt;span lang='it'&gt;Comunica&#231;&#227;o&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L100xH150/arton4583-14d6b.jpg&quot; width='100' height='150' style='height:150px;width:100px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Nesta se&#231;&#227;o, Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise tem o orgulho de apresentar a coluna semanal de Amy Goodman, jornalista, &#226;ncora e uma das fundadoras do projeto Democracy Now! Trata-se do notici&#225;rio de m&#237;dia alternativa de maior repercuss&#227;o no mundo. Os textos s&#227;o traduzidos a partir da vers&#227;o em castelhano e revisados do original em ingl&#234;s. A partir da publica&#231;&#227;o em nosso portal, a difus&#227;o &#233; livre para p&#225;ginas em l&#237;ngua portuguesa.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No telejornal: como a mudan&#231;a clim&#225;tica te afeta&lt;/p&gt; &lt;p&gt;13 de agosto de 2010, coluna semanal de Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As reportagens di&#225;rias a respeito do clima e da previs&#227;o do tempo, apresentadas alegremente com gr&#225;ficos coloridos e anima&#231;&#227;o de &#250;ltima gera&#231;&#227;o, parecem transmitir cada vez mais informa&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No entanto, sem importar o qu&#227;o chamativa seja a apresenta&#231;&#227;o, um fato fundamental &#233; sistematicamente omitido. Imaginemos se, depois de salientar a express&#227;o &#8220;condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas extremas&#8221; para chamar nossa aten&#231;&#227;o, os relat&#243;rios indicassem o termo gen&#233;rico &#8220;aquecimento global&#8221;. Ent&#227;o n&#227;o ficar&#237;amos apenas inteirados se devemos p&#244;r roupas mais leves ou levar guarda-chuvas, sen&#227;o de que temos que fazer algo a respeito da mudan&#231;a clim&#225;tica.
Apresentei esta quest&#227;o a Jeff Masters, co-fundador e diretor de meteorologia de Weather Underground, um servi&#231;o de informa&#231;&#227;o meteorol&#243;gica atrav&#233;s da Internet. Masters escreve um blog sobre o clima que tem muitos leitores e n&#227;o evita vincular as condi&#231;&#245;es meteorol&#243;gicas extremas com a mudan&#231;a clim&#225;tica:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;Calor, calor, calor &#233; o nome do jogo neste ano no planeta Terra&#8221;, diz o meteorologista Jeff Masters, enquanto o mundo est&#225; afetado por eventos climatol&#243;gicos extremos que t&#234;m provocado a morte de milhares de pessoas e a desloca&#231;&#227;o de milh&#245;es.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os inc&#234;ndios florestais na R&#250;ssia cobriram o pa&#237;s de fuma&#231;a, exacerbando o que tem sido o ver&#227;o mais quente nesse pa&#237;s nos &#250;ltimos mil anos. As chuvas torrenciais na &#193;sia provocaram grandes inunda&#231;&#245;es e deslizamentos de terra mortais no Paquist&#227;o, Cachemira, Afeganist&#227;o e China. Um grande bloco de gelo desprendeu-se da Groenl&#226;ndia, deixando uma ilha de gelo quatro vezes maior do que a ilha de Manhattan navegando no oceano. A seca amea&#231;a ao N&#237;ger e &#224; toda regi&#227;o africana do Sahel.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Masters relaciona estat&#237;sticas nuas e cruas entre si:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L8xH11/puce-32883.gif&quot; width='8' height='11' class='puce' alt=&quot;-&quot; style='height:11px;width:8px;' /&gt; Em 2010 registraram-se temperaturas m&#225;ximas hist&#243;ricas em mais pa&#237;ses no mundo em um &#250;nico ano: 17.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L8xH11/puce-32883.gif&quot; width='8' height='11' class='puce' alt=&quot;-&quot; style='height:11px;width:8px;' /&gt; A &#250;ltima d&#233;cada foi a mais quente j&#225; registrada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L8xH11/puce-32883.gif&quot; width='8' height='11' class='puce' alt=&quot;-&quot; style='height:11px;width:8px;' /&gt; A primeira metade de 2010 foi o semestre mais quente na hist&#243;ria do planeta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;img src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L8xH11/puce-32883.gif&quot; width='8' height='11' class='puce' alt=&quot;-&quot; style='height:11px;width:8px;' /&gt; Os cinco meses mais quentes da hist&#243;ria na zona tropical do Atl&#226;ntico ocorreram neste ano (o que provavelmente provocar&#225; furac&#245;es mais freq&#252;entes e severos no oceano Atl&#226;ntico).&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;Cada vez mais teremos anos como este, quando ocorrem acontecimentos de uma magnitude incr&#237;vel, provocando mortes e uma tremenda destrui&#231;&#227;o. O que me preocupa &#233; que na medida em que estas condi&#231;&#245;es clim&#225;ticas extremas continuem aumentando nas pr&#243;ximas d&#233;cadas, e tamb&#233;m aumente a popula&#231;&#227;o, a capacidade da comunidade internacional de responder a estes desastres e brindar ajuda &#224;s v&#237;timas se ver&#225; for&#231;ada ao limite&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;E, no entanto, as negocia&#231;&#245;es da ONU sobre mudan&#231;a clim&#225;tica parecem estar rumando para um fracasso.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As negocia&#231;&#245;es sobre o clima, realizadas na cidade de Copenhague em dezembro do ano passado chegaram a um ponto morto, depois de que as na&#231;&#245;es industrializadas encabe&#231;adas por Estados Unidos ofereceram um acordo do tipo de '&#233; pegar ou largar'. Muitos pa&#237;ses em desenvolvimento decidiram por &#8216;largar'. O chamado Acordo de Copenhague &#233; visto como um documento fraco e n&#227;o vinculante, um texto imposto aos pa&#237;ses mais pobres como um estratagema para permitir a pa&#237;ses como Estados Unidos, Canad&#225; e Chinesa escapar das metas legalmente vinculantes de redu&#231;&#227;o de emiss&#245;es de gases de efeito estufa estipuladas no Protocolo de Kioto, tratado este que deve ser renovado em 2012.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A Bol&#237;via, por exemplo, busca um acordo mundial sobre emiss&#245;es mais agressivo. Est&#225; pedindo limites estritos &#224;s emiss&#245;es, legalmente vinculantes, em lugar das metas volunt&#225;rias estabelecidas no Acordo de Copenhague. Depois de que a Bol&#237;via se negou a assinar o acordo, os Estados Unidos retirou milh&#245;es de d&#243;lares em ajuda j&#225; prometidos. O embaixador de Bol&#237;via na ONU, Pablo Sol&#243;n, me disse: &#8220;Disseram que n&#243;s n&#227;o apoiamos o Acordo de Copenhague, e n&#243;s dissemos: 'Podem ficar com o dinheiro. N&#227;o vamos brigar por umas moedas. Estamos lutando pela vida'&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ainda que a Bol&#237;via tenha conseguido aprovar uma resolu&#231;&#227;o na ONU no m&#234;s passado, reconhecendo a &#225;gua e o saneamento como um direito humano, algo sem precedentes para este &#243;rg&#227;o internacional, isto n&#227;o muda o fato de que &#224; medida que se derretam as neves perenes da Bol&#237;via, como conseq&#252;&#234;ncia da mudan&#231;a clim&#225;tica, seu fornecimento de &#225;gua est&#225; sob amea&#231;a.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As na&#231;&#245;es localizadas em ilhas do Pac&#237;fico, como Tuvalu, poderiam desaparecer do planeta se os n&#237;veis do mar continuar aumentando, o que &#233; outra conseq&#252;&#234;ncia do aquecimento global.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A pr&#243;xima confer&#234;ncia da ONU sobre a mudan&#231;a clim&#225;tica vai acontecer em Cancun, M&#233;xico, em dezembro deste ano. As perspectivas de conseguir ali um consenso mundial com compromissos vinculantes parecem cada vez mais improv&#225;veis. Em definitiva, a pol&#237;tica dos Estados Unidos, o maior contaminador na hist&#243;ria da humanidade, tem de mudar. Isto somente acontecer&#225; se o povo estadunidense fizer a conex&#227;o necess&#225;ria entre o clima local do pa&#237;s e a mudan&#231;a clim&#225;tica mundial. Sendo esta a necessidade, quer maneira melhor para fazer essa conex&#227;o do que replicar diariamente esta amea&#231;a atrav&#233;s das reportagens e mat&#233;rias de servi&#231;o de previs&#227;o do tempo? A este respeito, o meteorologista Jeff Masters explicou qual &#233; o ponto crucial do problema:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;Muitos meteorologistas da televis&#227;o s&#227;o muito c&#233;ticos, n&#227;o cr&#234;em realmente que a mudan&#231;a clim&#225;tica seja provocado pelo homem. Foram seduzidos pela opini&#227;o imposta pela ind&#250;stria dos combust&#237;veis f&#243;sseis de que os seres humanos n&#227;o s&#227;o realmente respons&#225;veis, e por isso podem inventar qualquer tipo de desculpas. Eu n&#227;o sei se j&#225; escutei a todas estas mentiras, tais como: que os cientistas do clima est&#227;o fazendo isto para captar aten&#231;&#227;o e dinheiro para pesquisa, que os registros de temperatura s&#227;o alterados porque a ilha de calor afeta &#224;s cidades, e por a&#237; vai. Mas tudo isso n&#227;o passa de propaganda imposta pelos escrit&#243;rios de rela&#231;&#245;es p&#250;blicas da ind&#250;stria dos combust&#237;veis f&#243;sseis, e t&#234;m convencido a muitos meteorologistas da televis&#227;o. Ent&#227;o, &#233; um caminho dif&#237;cil porque estamos travando uma batalha contra um inimigo que est&#225; muito bem financiado, e que est&#225; decidido a desinformar sobre o que diz a verdadeira ci&#234;ncia&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quem sabe n&#227;o deveria ser um meteorologista a dizer para onde o vento est&#225; soprando.&lt;/p&gt; &lt;hr class=&quot;spip&quot; /&gt;
&lt;p&gt;Denis Moynihan colaborou na produ&#231;&#227;o jornal&#237;stica desta coluna.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#169; 2010 Amy Goodman&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Texto traduzido do castelhano e revisado do original em ingl&#234;s por Bruno Lima Rocha; originalmente publicado em portugu&#234;s em Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Amy Goodman &#233; a &#226;ncora de Democracy Now!, um notici&#225;rio internacional transmitido diariamente em mais de 550 emissoras de r&#225;dio e televis&#227;o em ingl&#234;s e em mais de 250 em espanhol. &#201; co-autora do livro &quot;Os que lutam contra o sistema: Her&#243;is ordin&#225;rios em tempos extraordin&#225;rios nos Estados Unidos&quot;, editado por Le Monde Diplomatique Cono Sur.
&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; A coluna foi originalmente publicado em portugu&#234;s no portal Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise, no seguinte link: &lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=fd7fbb78a7dcd10fe2b81b7db3daff7b&amp;&amp;idtitulo=685af769ee8969cd69ed1f7c2ae5cb48&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://www.estrategiaeanalise.com.b...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Leia tamb&#233;m: O debate dos presidenci&#225;veis no pa&#237;s do futebol.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver em linha : &lt;a href="http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=fd7fbb78a7dcd10fe2b81b7db3daff7b&amp;&amp;idtitulo=685af769ee8969cd69ed1f7c2ae5cb48" class="spip_out"&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>O debate dos presidenci&#225;veis no pa&#237;s do futebol</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article4574.html</link>
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		<dc:creator>Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;Na 5&#170; feira dia 05 de agosto do corrente ano o pa&#237;s p&#244;de assistir ao primeiro debate entre os quatro mais destacados candidatos &#224; Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica. Como se sabe, &#233; da &#8220;tradi&#231;&#227;o&#8221; democr&#225;tico-liberal brasileira que a Rede Bandeirantes inaugure a rodada de embates verbais entre os concorrentes ao Executivo da Uni&#227;o e dos estados. Simultaneamente a exibi&#231;&#227;o do embate televisivo, a Rede Globo, ainda emissora l&#237;der, transmitia um jogo de futebol de grande relev&#226;ncia, a partida de volta da semifinal da Copa &#8220;Santander&#8221; Libertadores, entre o S&#227;o Paulo F.C. e o Internacional S.C. Alegrias futebol&#237;sticas &#224; parte, era a cr&#244;nica do desastre anunciado.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique17.html" rel="directory"&gt;Comunica&#231;&#227;o &lt;/a&gt;


		</description>


 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L150xH103/arton4574-4f306.jpg&quot; width='150' height='103' style='height:103px;width:150px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O debate dos presidenci&#225;veis no pa&#237;s do futebol&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Quinta feira 13 de agosto de 2010, da Vila Setembrina dos Farrapos pelas costas apunhalados por latifundi&#225;rios escravagistas, Bruno Lima Rocha, cientista pol&#237;tico&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na 5&#170; feira dia 05 de agosto do corrente ano o pa&#237;s p&#244;de assistir ao primeiro debate entre os quatro mais destacados candidatos &#224; Presid&#234;ncia da Rep&#250;blica. Como se sabe, &#233; da &#8220;tradi&#231;&#227;o&#8221; democr&#225;tico-liberal brasileira que a Rede Bandeirantes inaugure a rodada de embates verbais entre os concorrentes ao Executivo da Uni&#227;o e dos estados. Simultaneamente a exibi&#231;&#227;o do embate televisivo, a Rede Globo, ainda emissora l&#237;der, transmitia um jogo de futebol de grande relev&#226;ncia, a partida de volta da semifinal da Copa &#8220;Santander&#8221; Libertadores, entre o S&#227;o Paulo F.C. e o Internacional S.C. Alegrias futebol&#237;sticas &#224; parte, era a cr&#244;nica do desastre anunciado.
&#201; de praxe afirmar ser o Brasil o pa&#237;s do futebol, haja vista o n&#250;mero de horas de programa&#231;&#227;o dedicadas quase exclusivamente para este esporte que movimenta recursos astron&#244;micos. No miolo do fen&#244;meno do descolamento de pre&#231;os, com a alta de sal&#225;rios e cotas de patroc&#237;nio, a TV ocupa a base de sustenta&#231;&#227;o dessa ind&#250;stria do entretenimento desportivo, pagando (e em via de regras de forma antecipada), as cotas de direitos de exibi&#231;&#227;o. O senso comum tamb&#233;m noz faz ouvir que os brasileiros n&#227;o se interessam pela pol&#237;tica em nenhum aspecto. Infelizmente, os n&#250;meros de medi&#231;&#227;o de audi&#234;ncia instant&#226;nea, organizados pelo Instituto Ibope (o mais contestado em termos de pesquisas eleitorais) em domic&#237;lios da Grande S&#227;o Paulo, d&#227;o a prova material dos ditados populares. Para termos uma id&#233;ia de propor&#231;&#227;o, para cada ponto contabilizado pelo Ibope temos a equival&#234;ncia de 60 mil domic&#237;lios na capital paulista e sua regi&#227;o metropolitana. Os n&#250;meros indicam que o primeiro debate da corrida presidencial oscilou entre 2,5 e 5 pontos; enquanto a partida teve m&#233;dia de 29,5 atingindo um pico de 33,8 pontos. Nada de novo no front.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Podemos tamb&#233;m realizar uma ila&#231;&#227;o do fracasso devido ao debate ser insosso. Plasticamente limpo e vazio de conte&#250;do estrat&#233;gico. Isto &#233;, ningu&#233;m debate a fundo a chave do cofre, n&#227;o se aponta a &#250;nica sa&#237;da prevista para atender todas as demandas do povo brasileiro. Em contrapartida, a produ&#231;&#227;o audiovisual &#233; de alta qualidade. At&#233; onde se sabe, os candidatos s&#227;o assessorados por competentes profissionais. Receberam treinamento para a m&#237;dia (os gringos chamam de media training), de postura diante do v&#237;deo (como um diretor de palco), realizaram sabatina pr&#233;via de perguntas (atrav&#233;s de memoriza&#231;&#245;es e jogos de mnemotecnia) e passam por algum preparo em orat&#243;ria e dic&#231;&#227;o. Enfim, estavam tecnicamente preparados para suas performances. O problema pode estar a&#237;. Mesmo que exista uma disc&#243;rdia de conceitos e id&#233;ias-guia, n&#227;o h&#225; muita desaven&#231;a na forma. Para a maioria do eleitorado, distante da pol&#237;tica por tr&#234;s anos e meio e convocado a decidir sobre temas complexos encarnados nas candidaturas, a rela&#231;&#227;o &#233; muito desigual.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ao mesmo tempo, dentro das quatro linhas dos gramados, o interesse e a familiaridade s&#227;o proporcionalmente inversos. No caso, n&#243;s brasileiros prestamos muita aten&#231;&#227;o e estamos familiarizados com tem&#225;ticas de alguma complexidade. Desafio um oponente do futebol a provar que se trata de atividade desprovida de intelig&#234;ncia. Em geral, uso este exemplo em sala de aula. Uma parte consider&#225;vel dos brasileiros, para al&#233;m de paix&#245;es torcedoras ou &#243;dios contra cartolas e dirigentes, entende e muito a respeito de temas complexos. Cidad&#227;os comuns, quando familiarizados com um jarg&#227;o apropriado e participando de uma cultura pr&#243;pria, conseguem emitir opini&#227;o a respeito de estrat&#233;gia, t&#225;tica, desempenho dos indiv&#237;duos, ambiente coletivo, qualidade das lideran&#231;as, investimentos em contrata&#231;&#245;es oportunas ou equivocadas e assuntos do g&#234;nero. As vari&#225;veis de possibilidades e as tramas diretas e indiretas s&#227;o muitas, exigindo no m&#237;nimo uma mente treinada e um olhar aplicado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Na pol&#237;tica poderia acontecer o mesmo, se e caso camadas mais abrangentes do povo brasileiro fizessem a pr&#225;tica pol&#237;tica ao longo do ano. Acontece que o &#8220;excesso de participa&#231;&#227;o&#8221; &#233; visto como algo &#8220;perigoso&#8221;, pois aumenta o poder de grupos de press&#227;o que n&#227;o s&#227;o naturalizados como sendo os &#250;nicos leg&#237;timos para isso. O fosso est&#225; justamente na agenda discreta, ou quase indecifr&#225;vel. Poucos sabem que o PIB brasileiro est&#225; em torno de R$ 3,143 trilh&#245;es, dos quais cerca da metade passa pelo caixa da Uni&#227;o. No or&#231;amento executado em 2009, segundo dados do SIAFI, o Brasil gastou 2,8% de sua receita com Educa&#231;&#227;o e &#8220;apenas&#8221; 35,57% da d&#237;vida p&#250;blica (isso sem contabilizar o refinanciamento). A totaliza&#231;&#227;o dos gastos com os credores financeiros, segundo o Instituto de Estudos Socioecon&#244;micos (Inesc), atinge a absurdos 48% do projeto de or&#231;amento que foi previsto para 2009. Portanto, &#233; falsa a pol&#234;mica do aumento de despesa da m&#225;quina p&#250;blica como causadora de d&#233;ficit. O rombo est&#225; na forma de financiamento do Estado brasileiro, e por tabela, do conjunto das pol&#237;ticas que punem ou beneficiem agentes econ&#244;micos e sociais. Esses s&#227;o os segredos de Estado, e &#233; isto que deveria ser a prioridade de qualquer debate pol&#237;tico.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se fossem compreens&#237;veis estes n&#250;meros e estivesse em jogo o modelo de sustentar a sociedade brasileira, n&#227;o estar&#237;amos lamuriando a pouca audi&#234;ncia de um debate de presidenci&#225;veis. Enquanto isso n&#227;o ocorrer, teremos o paradoxo brasileiro de ver a pol&#237;tica como sazonal e o futebol como permanente. Uma &#8220;democracia&#8221; assim tende a pasmaceira ou exaspera&#231;&#227;o. Quem planta colhe. &lt;a href=&quot;http://www.estrategiaeanalise.com.br/&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://twitter.com/estanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://twitter.com/estanalise&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;a href=&quot;http://groups.google.com.br/group/estrategiaeanalise&quot; class='spip_url spip_out' rel='nofollow external'&gt;http://groups.google.com.br/group/e...&lt;/a&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise: a pol&#237;tica, a economia e a ideologia na ponta da adaga.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Expediente
Editor: Bruno Lima Rocha
Revis&#227;o, diagrama&#231;&#227;o e envio: Lisandra Arezi
Correio: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;gmail.com
msn: blimarocha&lt;span class='spancrypt'&gt; chez &lt;/span&gt;hotmail.com
skype: bruno.lima.rocha&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Agradecemos a publica&#231;&#227;o deste artigo, sempre citando a fonte e solicitamos o favor de enviar para nosso endere&#231;o eletr&#244;nico o LINK da p&#225;gina onde o texto foi reproduzido.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Gratos pela aten&#231;&#227;o&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Estrat&#233;gia &amp; An&#225;lise e Equipe&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver em linha : &lt;a href="http://www.estrategiaeanalise.com.br/ler02.php?idsecao=e8f5052b88f4fae04d7907bf58ac7778&amp;&amp;idtitulo=6aadae76ecbffb9f94c7f364fd213489" class="spip_out"&gt;www.estrategiaeanalise.com.br&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		
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