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		<title>Implica&#231;&#245;es Epistemol&#243;gicas da Invisibilidade </title>
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		<dc:creator>Jose Geraldo Rocha</dc:creator>



		<description>Jos&#233; Geraldo da Rocha Unigranrio Dentre os tantos problemas em rela&#231;&#227;o ao negro na sociedade brasileira, encontramos a sua invisibilidade. Independentemente do seu quantitativo no universo da popula&#231;&#227;o, em v&#225;rias inst&#226;ncias de decis&#245;es ele n&#227;o est&#225; representado. Nesse caso trata-se de uma nega&#231;&#227;o presencial. Em outros espa&#231;os, mesmo estando presentes fisicamente, a desconex&#227;o com sua consci&#234;ncia negra o torna invis&#237;vel do ponto de vista de fazer valer as coisas e elementos associados &#224; (...)

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique10.html" rel="directory"&gt;Ciranda Afro &lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Jos&#233; Geraldo da Rocha Unigranrio&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Dentre os tantos problemas em rela&#231;&#227;o ao negro na sociedade brasileira, encontramos a sua invisibilidade. Independentemente do seu quantitativo no universo da popula&#231;&#227;o, em v&#225;rias inst&#226;ncias de decis&#245;es ele n&#227;o est&#225; representado. Nesse caso trata-se de uma nega&#231;&#227;o presencial. Em outros espa&#231;os, mesmo estando presentes fisicamente, a desconex&#227;o com sua consci&#234;ncia negra o torna invis&#237;vel do ponto de vista de fazer valer as coisas e elementos associados &#224; sua identidade, &#224; sua perten&#231;a &#233;tnica e cultural. Ainda existem os espa&#231;os e circunst&#226;ncias, onde sua presen&#231;a &#233; ignorada intencionalmente, ou n&#227;o, conscientemente ,ou n&#227;o.
Na perspectiva da invisibilidade &#233; que se coloca o questionamento relativo &#224; produ&#231;&#227;o do conhecimento. Os espa&#231;os privilegiados de produ&#231;&#227;o do conhecimento na sociedade brasileira s&#227;o espa&#231;os embranquecidos. Nesses espa&#231;os, n&#227;o s&#243; &#233; preocupante a aus&#234;ncia f&#237;sica sistem&#225;tica de negros, como a quase absoluta inexist&#234;ncia de possibilidades de formula&#231;&#245;es te&#243;ricas. Talvez aqui coubesse uma pesquisa mais abrangente e detalhada sobre produ&#231;&#227;o e sistematiza&#231;&#227;o de conhecimento a esse respeito nas teses de doutoramento ao longo da hist&#243;ria das universidades brasileiras. Evidentemente, que a aus&#234;ncia, por tanto tempo, dos negros nesse espa&#231;o privilegiado de produ&#231;&#227;o de conhecimento, corroborou substancialmente para esse quadro. Consequentemente, a parcialidade tornou-se uma marca do conhecimento produzido. Ao negar a possibilidade do negro ser nesse espa&#231;o, nega-se tamb&#233;m o saber sobre ele. O Ser que n&#227;o &#233; visto, torna-se o Ser que n&#227;o &#233; apreendido. A nega&#231;&#227;o da diversidade, da diferen&#231;a, acaba obstaculizando o pr&#243;prio saber. Nesse sentido, afirma Marcondes: Ver o ser &#233; possuir o saber. Possuir o saber &#233; obter a vis&#227;o do todo, superando a vis&#227;o parcial, ver os ser na sua totalidade.(MARCONDES,2006,27)
&#192; luz das afirma&#231;&#245;es de Marcondes, nos deparamos com um grande problema filos&#243;fico no trato com as quest&#245;es relativas ao negro no Brasil. Ver o ser negro na sua totalidade &#233; verdadeiramente algo n&#227;o costumeiro na sociedade brasileira. Ao contr&#225;rio, o que se naturalizou a respeito do negro &#233; que ele &#233; pobre, favelado, pagodeiro, sambista ou jogador de futebol, quando n&#227;o &#233; bandido. Essa rotula&#231;&#227;o naturalizada na verdade acaba sendo uma redu&#231;&#227;o do Ser negro. Tal redu&#231;&#227;o aplasta dimens&#245;es e valores constitutivos da dignidade requerida do Ser. &#201; o mesmo que dizer: olho um nego e vejo um Ser. Ser esse que &#233; humano, portador de riqueza, de beleza, de valores e tantos outros atributos constitutivos do Ser.
Nesse sentido, o pensamento de Leibniz trabalhado em Marcondes parece-nos extremamente relevante. Em vez de duvidar de tudo que possa parecer incerto, &#233; preciso considerar os graus de aceita&#231;&#227;o ou discord&#226;ncias que cada afirma&#231;&#227;o possa produzir, ou seja, examinar suas raz&#245;es(...)Toda verdade deve ter uma raz&#227;o segundo a qual ela &#233; verdade(... )a tarefa da filosofia consiste na integra&#231;&#227;o da totalidade do conhecimento humano.(MARCONDES,2006,192)
Muitas s&#227;o as verdades sobre o negro no Brasil, que os &#8220;ouvidos&#8221; da sociedade brasileira n&#227;o querem, n&#227;o suportam, n&#227;o admitem ouvir. A impregna&#231;&#227;o e a incrusta&#231;&#227;o do racismo na mente coletiva , n&#227;o apenas cegam os olhos mas tamb&#233;m entopem os ouvidos. Obviamente, tal realidade, inviabiliza toda e qualquer possibilidade de compreender o Ser negro na sua totalidade e consequentemente viabilizar a integra&#231;&#227;o da totalidade do conhecimento.
Enquanto Descartes afirmava &#8220;cogito ergo sum&#8221; - penso logo &#234;xito, como forma de estabelecer os fundamentos do conhecimento, no universo de uma epistemologia afro, tal afirma&#231;&#227;o seria modificada pelo &#8220; sou porque v&#243;s sois&#8221;. O fundamento do conhecimento est&#225; no sentido da exist&#234;ncia, n&#227;o est&#225; no pensar. E o sentido da exist&#234;ncia est&#225; no relacionar-se. Ora, do ponto de vista filos&#243;fico, isso encerra um enorme riqueza presente numa matriz cultural na sociedade. Entretanto para que isso se torne algo a ser partilhado nos espa&#231;os privilegiados de produ&#231;&#227;o de conhecimento, necess&#225;rio se faz um redimensionamento da inclus&#227;o presencial e relacional da diferen&#231;a. A sociabilidade &#233; a conseq&#252;&#234;ncia imediata das faculdades mais ligadas ao ser do homem, que s&#227;o: o conhecimento, a corporeidade, a linguagem, a liberdade e o amor. O conhecimento p&#245;e-no em contato com todo o mundo que o circunda, particularmente com o mundo humano. A linguagem permite-lhe trocar com os outros as suas id&#233;ias pr&#243;prias, os pr&#243;prios sentidos, os pr&#243;prios projetos. O corpo d&#225; lhe a possibilidade de trabalhar, jogar, divertir-se etc. junto com os outros. O amor e a liberdade colocam-no &#224; disposi&#231;&#227;o para dar-se aos outros e para faz&#234;-los participantes das pr&#243;prias coisas e do pr&#243;prio ser. (MONDIN, 2005, 170-171) Os preconceitos e a discrimina&#231;&#227;o s&#227;o impeditivos &#224; viv&#234;ncia e &#224; sociabilidade do ser. S&#227;o realidades que bloqueiam a express&#227;o do ser., assim como o impede de desenvolver do ponto de vista do conhecimento, que vai desde a nega&#231;&#227;o da oportunidade at&#233; a sedimenta&#231;&#227;o de entraves psicol&#243;gicos. Cria-se nessa perspectiva, processos de desconex&#227;o do ser com o mundo que o envolve e fundamentalmente com o seu mundo interior. &#201; a chamada nega&#231;&#227;o de si mesmo. Ao considerar um ser que nega a si mesmo, a sua dimens&#227;o corp&#243;rea n&#227;o lhe permite estabelecer relacionamentos dignificantes enquanto ser humano. Desencadeia-se se assim uma invisibilidade de si mesmo. O ser negro n&#227;o se v&#234; enquanto ser. A perda da consci&#234;ncia corp&#243;rea desvincula o ser de si mesmo. Em Marx essa perda de consci&#234;ncia aparece como aliena&#231;&#227;o, ou seja, o indiv&#237;duo se torna estranho a si mesmo em raz&#227;o das artimanhas do sistema capitalista. &#201; verdade que Marx n&#227;o est&#225; preocupado com a quest&#227;o da discrimina&#231;&#227;o. Sua preocupa&#231;&#227;o est&#225; centrada na explora&#231;&#227;o que a classe dominante exerce sobre a classe trabalhadora. Ent&#227;o a linguagem do ser n&#227;o mais significa possibilidade de trocar com os outros. Trocar o que se a discrimina&#231;&#227;o faz com que o que se &#233; n&#227;o tenha reconhecibilidade e aceitabilidade? Isso encerra uma implica&#231;&#227;o extremamente prejudicial a sociabilidade desencadeia dessa situa&#231;&#227;o. As id&#233;ias, os projetos e o sentido da vida s&#227;o desvirtuados. Quando um individuo perde esse referencial, a rela&#231;&#227;o que ele vai estabelecer com a sociedade estar&#225; obviamente desfocada do eixo da humaniza&#231;&#227;o. Como falar de amor a esse ser? Falar de liberdade, de disposi&#231;&#227;o para dar-se aos outros, se o que recebe dos outros s&#227;o gestos e pr&#225;ticas discriminat&#243;rias, que s&#243; o diminui e o aniquila enquanto ser?
&#201; not&#243;rio na sociedade brasileira que essa invisibilidade do negro &#233; algo constru&#237;do socialmente e culturalmente. As marcas das culturas dominantes est&#227;o presentes nos mais diferenciados setores e aspectos da vida cotidiana do povo brasileiro. A nega&#231;&#227;o, quando conveniente, dos aspectos culturais relacionados aos negros cumpre um papel pol&#237;tico e ideol&#243;gico. Nesse sentido, o pensamento de Mondin &#233; ilustrativo. &#201; poss&#237;vel constatar a complexidade que est&#225; presente culturalmente na sua origem, na sua forma e na sua finalidade&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A cultura &#233; um fen&#244;meno complexo e a melhor maneira para entend&#234;-la &#233; a de fixar suas principais caracter&#237;sticas. Elas podem ser agrupadas segundo tr&#234;s aspectos: a origem, a forma e a finalidade. Do ponto de vista da origem a cultura &#233; humana, social e laboriosa (...) Do ponto de vista da forma, a cultura &#233; sens&#237;vel, din&#226;mica, m&#250;ltipla e criativa (..) Do ponto de vista da finalidade, para alguns &#233; considerada essencialmente religiosa, para outros humanistas, e por outros naturalista ( MONDIN, 2005, 179 -181)
Dada a complexidade do tema em quest&#227;o, todos os esfor&#231;os em busca de garantir uma visibilidade epistemol&#243;gica, sao poucos, diante do tanto tempo que tal realidade foi relegada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Referencia Bibliogr&#225;fica
MARCONDES, Danilo. Inicia&#231;&#227;o &#224; Hist&#243;ria da Filosofia: dos Pr&#233;-Socr&#225;ticos a Wittgenstein. Rio de Janeiro: ZAAR, 2004.
MONDIN, Battista. O Homem, Quem &#233; Ele? Elementos de Antropologia e Filosofia. S&#227;o Paulo: Paulus, 12&#170; Edi&#231;&#227;o, 2005.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Ningu&#233;m me contou, eu vi! - Reflex&#245;es acerca de atividades educacionais em uma escola de ensino b&#225;sico em Duque de Caxias</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article3325.html</link>
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		<description>Jose Geraldo da Rocha - Unigranrio O presente texto &#233; resultado de inquieta&#231;&#245;es nascidas a partir de algumas atividades realizadas em uma escola de ensino b&#225;sico da rede particular localizada no munic&#237;pio de Duque de Caxias no estado do Rio de Janeiro. Como educador no ensino superior, como pai de uma aluna na referida escola, n&#227;o poderia deixar de refletir algumas quest&#245;es que transpareceram no desenvolvimento de atividades escolares, nas quais estiveram envolvidos al&#233;m dos alunos e (...)

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		</description>


 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;Jose Geraldo da Rocha - Unigranrio&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O presente texto &#233; resultado de inquieta&#231;&#245;es nascidas a partir de algumas atividades realizadas em uma escola de ensino b&#225;sico da rede particular localizada no munic&#237;pio de Duque de Caxias no estado do Rio de Janeiro. Como educador no ensino superior, como pai de uma aluna na referida escola, n&#227;o poderia deixar de refletir algumas quest&#245;es que transpareceram no desenvolvimento de atividades escolares, nas quais estiveram envolvidos al&#233;m dos alunos e professores, os pais e pessoas da comunidade escolar.
Tudo come&#231;ou no dia 20 de outubro de 2009. No final do dia, j&#225; era noite, sa&#237; da Universidade onde acabara de dar minha aula de sociologia, na qual desenvolvi com os alunos o tema &#8220; Processos de Intera&#231;&#227;o Social&#8221;. Como fa&#231;o tantas outras noites, fui buscar minha pequena de seis anos, que ap&#243;s sair da sua escola, fica na casa de uma tia esperando a m&#227;e, ou eu busc&#225;-la , em conformidade com nossos hor&#225;rios. Notei que naquela noite minha filha estava meio triste. Nada comum com aquela menina. A m&#227;e j&#225; estava com ela. Ent&#227;o no carro indaguei o que estava acontecendo. Mais que depressa, a sinceridade da crian&#231;a aflorou e ela disse. &#8220;..&#233; por que amanh&#227; &#233; o sarau liter&#225;rio na escola e voc&#234; n&#227;o vai l&#225;&#8221;. Lembro-me que havia dito a ela que n&#227;o tinha como ir, pois estaria em sala de aula na universidade na quinta feira pela manh&#227;. Diante da tristeza dela e de sua insistente solicita&#231;&#227;o &#8220; ... mas pai, vai l&#225; s&#243; um pouquinho&#8221;, resolvi que daria uma passadinha no in&#237;cio da atividade. Foi s&#243; ela ouvir que iria, seu astral mudou completamente. Seu rostinho se alegrou, a conversa voltou a fluir a todo vapor, e de quebra ganhei aquele gostoso beijo afetuoso.
Chegou o dia do sarau. Ent&#227;o l&#225; est&#225;vamos todos. Ela, a m&#227;e e eu. Uma manh&#227; diferente e animada. Poemas, m&#250;sicas e muita anima&#231;&#227;o.
Ai algumas coisas pareciam n&#227;o soaram bem ao meu senso observador. Um poema das borboletas me deixou intrigado. A cena era linda. Algumas crian&#231;as vestidas coloridas, com uma grande flor desenhada e pintada em papel, em palco formavam um verdadeiro jardim. Ao som de uma linda m&#250;sica, uma outra crian&#231;a com asinhas de borboleta entra em cena e corre entre as flores, dan&#231;a e ensaia pousar em cada uma das flores. No final da cena, vem o poema. As Borboletas - Vinicius de Moraes
Brancas ,Azuis ,Amarelas,E pretas,Brincam,Na luz,As belas,Borboletas,Borboletas brancas,S&#227;o alegres e francas. Borboletas azuis,Gostam muito de luz.,As amarelinhas,S&#227;o t&#227;o bonitinhas! E as pretas, ent&#227;o . .oh , que escurid&#227;o!&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Na declama&#231;&#227;o do poema, &#8221;borboletas amarelinhas... s&#227;o t&#227;o bonitinhas... as azuis... procuram a luz... e as pretas ent&#227;o... oh que escurid&#227;o&#8221;. Ao ouvir tal afirma&#231;&#227;o no poema me pus a refletir o qu&#227;o tal associa&#231;&#227;o das borboletas pretas com a escurid&#227;o poderia estar desempenhando um papel na subliminaridade de uma crian&#231;a. Certamente a constru&#231;&#227;o liter&#225;ria no nosso pa&#237;s n&#227;o ficou imune ao processo de naturaliza&#231;&#227;o e veicula&#231;&#227;o de concep&#231;&#245;es preconceituosas em rela&#231;&#227;o a cor preta, que automaticamente se associa aos negros. Coloquei a mim mesmo uma s&#233;rie de quest&#245;es a respeito de como isso &#233; tratado na escola, se &#233; realmente tratado. Como isso &#233; visto pelos professores? E as implica&#231;&#245;es disso no dia a dia das crian&#231;as e em seus processos de intera&#231;&#227;o social. Essa realidade me fez voltar em meus tempos de menino negro, crescendo no sul do pa&#237;s e n&#227;o raras as vezes que me deparava com frases do tipo &#8220; escureceu o ambiente&#8221; quando eu chegava. Naquele tempo jamais poderia eu pensar e ter a consci&#234;ncia das formas como na sociedade, e principalmente no processo educacional, tais concep&#231;&#245;es acabam sendo veiculadas naturalmente, &#8221;inocentemente&#8221;. Para al&#233;m da quest&#227;o &#233;tnica, outras coisas me chamaram muito a aten&#231;&#227;o. Na encena&#231;&#227;o das borboletas, todas as crian&#231;as que representavam flores eram meninas, assim como a borboleta. Em outra cena, do rel&#243;gio tic-tac, todos os rel&#243;gios eram meninos. Do mesmo modo o teatrinho da &#8220;bola que rola&#8221;, todos os personagens meninos. Ali novamente surgiram quest&#245;es relacionadas &#224; g&#234;nero. As constru&#231;&#245;es sociais delegaram o que &#233; brincadeira de meninas e de meninos, e na escola, isso &#233; reproduzindo de forma t&#227;o natural, sem nenhuma reflex&#227;o. Em pleno s&#233;culo XXI, diante de tantos esfor&#231;os engendrados na perspectiva de uma sociedade sem discrimina&#231;&#227;o, sem machismo, o papel da escola nessa &#225;rdua tarefa &#233; preponderante. Ela n&#227;o pode se eximir, em nome da &#8220;incapacidade reflexiva&#8221;, de dar a sua contribui&#231;&#227;o. Em continuidade das atividades, vem o poema do elefantinho. Quem vai ser o elefantinho? O menino gordinho. Ora, n&#227;o est&#225; em jogo a inten&#231;&#227;o aqui. Mas o fato &#233; que isso marca a vida das pessoas. Abre caminhos para a deprecia&#231;&#227;o humana. Cria e reproduz estere&#243;tipos e sedimenta-se a discrimina&#231;&#227;o, que vai trazer como conseq&#252;&#234;ncia a diminui&#231;&#227;o da auto-estima da crian&#231;a, ou at&#233; mesmo a sua auto-nega&#231;&#227;o. Terminado o sarau liter&#225;rio, a outra atividade iria realizar-se no dia 24 de outubro. Dessa vez, uma atividade voltada para a comunidade escolar, digo, pais, alunos, professores entre outros. &#8220;Portas Aberta&#8221;! O pr&#243;prio nome da atividade d&#225; a no&#231;&#227;o da sua abrang&#234;ncia. Mais uma vez l&#225; est&#225;vamos minha filha, minha esposa e eu. A atividade se desenvolvia na quadra de esportes do col&#233;gio. Eram apresenta&#231;&#245;es onde as crian&#231;as demonstravam suas versatilidades art&#237;sticas. Em um dado momento iniciou-se uma apresenta&#231;&#227;o, onde um senhor entrou na quadra com uma enorme bola ou seja, um globo terrestre. Com passos de dan&#231;as, ao som de uma m&#250;sica, apresentava aquele globo &#224; plat&#233;ia presente na atividade. De repente surgiram meninos de v&#225;rias dire&#231;&#245;es, vestidos de preto, e iniciaram um ataque simulado &#224;quele senhor,.Este por sua vez, fazia de tudo para defender-se dos intrusos. Nas costas dos meninos vestidos de preto, podia-se ler palavras como &#8220; &#243;dio&#8221;, &#8220;viol&#234;ncia&#8221; , &#8220;ira&#8221; &#8220;mal&#8221;. Ap&#243;s alguns minutos cessa a luta, sem que os meninos de preto consiga destruir o homem com o globo terrestre. Em seguida entram em cena um grande grupo de crian&#231;as todos vestidos de preto, ao som de uma m&#250;sica de ritmo forte. Uns passos pra um lado e alguns para outro, todos tiram a blusa preta que estava sobre outra blusa branca, ao mesmo tempo em que a m&#250;sica mudava de ritmo, dando lugar a uma m&#250;sica mais calma. Dava-se ali a mudan&#231;a de uma situa&#231;&#227;o onde o bem, a paz era restabelecida e simbolizada na cor branca das blusas de cada participante da cena.
A realidade que ali se configurava, uma vez mais, de forma naturalizada, quase que de forma &#8220;inocente&#8221;, cumpria o seu papel ideol&#243;gico. Atividades educacionais, inadvertidamente, servindo de ve&#237;culo disseminador de uma formata&#231;&#227;o cultural, cuja concep&#231;&#227;o atenta contra a auto-estima da crian&#231;a negra. Como educadores, sabemos n&#243;s que uma crian&#231;a aprende muito r&#225;pido &#224; luz daquilo que presencia, sobretudo quando o que ele presencia &#233; estimulado pelos seus professores em sala de aula e ou em atividades extra classe. A associa&#231;&#227;o da cor preta com o &#243;dio, a viol&#234;ncia, o mal, a ira, naquela atividade, do ponto de vista pedag&#243;gico, n&#227;o nos parece um caminho recomendado. Ao contrario, resulta em danos irrepar&#225;veis ao desenvolvimento infanto-juvenil. Nessa perspectiva se inscreve o di&#225;logo de uma das crian&#231;as branca ,presente na atividade, em rela&#231;&#227;o a outra crian&#231;a negra, que com ela aplaudiu a cena que aqui referimos. &#8220; voc&#234; n&#227;o deve ficar perto de mim, voc&#234; representa o &#243;dio&#8221;. Ao ouvir tal afirma&#231;&#227;o relatada pela crian&#231;a negra, uma indigna&#231;&#227;o muito grande tomou conta de mim. Entretanto, a indigna&#231;&#227;o s&#243; nada resolve. Passei a refletir o que levou tal crian&#231;a a fazer tal associa&#231;&#227;o? Onde est&#225; o equ&#237;voco pedag&#243;gico? Que culpabilidade pode ter tal crian&#231;a? O que se est&#225; ensinado a esses seres t&#227;o pequenos, t&#227;o inteligentes, que aprendem t&#227;o r&#225;pido? Os acontecimentos parecem indicativos de que o problema &#233; muito maior do que aquilo que se revela. A associa&#231;&#227;o do preto ao &#243;dio,&#224; viol&#234;ncia, &#224; raiva, ao mal, confunde e marca profundamente o processo de forma&#231;&#227;o da personalidade de uma crian&#231;a; e da&#237; para a discrimina&#231;&#227;o do ser humano em fun&#231;&#227;o da sua cor negra &#233; um passo. Esse discernimento n&#227;o pode estar ausente no processo de qualifica&#231;&#227;o de educadores. Certamente, estes n&#227;o refletiram, portanto, n&#227;o se deram conta do que se passava em tais cenas aqui descritas, e muito menos colocaram, no universo de suas preocupa&#231;&#245;es, as poss&#237;veis implica&#231;&#245;es na vida daquelas crian&#231;as que tais atividades poderiam acarretar.
N&#227;o sei de onde tiraram a compreens&#227;o de que o &#243;dio &#233; preto! Nem de onde vem o entendimento de que a raiva, a viol&#234;ncia, o mal s&#227;o pretos. Do mesmo modo, n&#227;o ousaria afirmar que a paz &#233; branca. Sou sabedor que no universo religioso crist&#227;o, a paz &#233; simbolizada pela cor branca, e que o inferno &#233; negro. Por muito tempo se ensinou que a alma &#233; branca. At&#233; existem os negros de alma branca - para dizer que existem negros bons. Essa equ&#237;voca associa&#231;&#227;o da cor branca com aquilo que &#233; bom e da cor preta com aquilo que &#233; mau, tantos danos j&#225; causou &#224; dignidade humana dos negros no mundo inteiro, e de modo particular no Brasil. Com base nessa compreens&#227;o, se criaram os estere&#243;tipos. Os estere&#243;tipos, por sua vez, t&#234;m uma fun&#231;&#227;o importante no processo, uma vez que &#233; atrav&#233;s deles,em grande parte, que as ideologias s&#227;o veiculadas nos materiais did&#225;ticos ...Os estere&#243;tipos geram os preconceitos, que se constituem em ju&#237;zo pr&#233;vio a uma aus&#234;ncia de real conhecimento do outro ( SILVA 2005)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em virtude dos objetivos das atividades propostas pela escola, dentre elas, a constru&#231;&#227;o da paz e de um mundo mais justo, talvez fosse interessante repensar sobre em que bases pensamos, enquanto educadores, construir tal mundo. Certamente elementos como reconhecimento do outro, do diferente; o respeito ao outro, ao diferente; o conviver com o outro, com o diferente; n&#227;o poderiam ficar exclu&#237;dos das pilastras de sustenta&#231;&#227;o de um novo.
&#192; luz das experi&#234;ncias e viv&#234;ncias mencionadas, constata-se que o desafio &#233; muito grande e os esfor&#231;os necessitam ser articulados. O preconceito, a discrimina&#231;&#227;o &#233; uma realidade que o processo educacional tem um papel preponderante na busca de suas supera&#231;&#245;es. Para tanto, as observa&#231;&#245;es propostas pela educadora Azoilda Trindade significam uma relevante contribui&#231;&#227;o.
...&#233; importante, ao voltarmos como docentes para a tem&#225;tica das africanidades brasileiras, pensarmos na dimens&#227;o da did&#225;tica e das pr&#225;ticas pedag&#243;gicas. Contudo, mais do que aprendermos conte&#250;dos, precisamos mudar de mentalidade a cerca das quest&#245;es das rela&#231;&#245;es &#233;tnicas brasileiras, mudar nossas percep&#231;&#245;es e a&#231;&#245;es frente ao Ser Negro (TRINDADE, 2007, p. 18)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Uma nova cultura necessita ser engendrada na sociedade brasileira e a sala de aula &#233; um espa&#231;o privilegiado para tal tarefa. Dai uma preocupa&#231;&#227;o particular com a forma&#231;&#227;o dos professores. O que esperar de um professor que n&#227;o teve sequer oportunidade de discutir esses aspectos da sociedade brasileira em seu processo de forma&#231;&#227;o?
Os cursos de licenciaturas, em sua maioria ainda n&#227;o entenderam a relev&#226;ncia e a pertin&#234;ncia de conte&#250;dos e pr&#225;ticas curriculares que envolvam os temas aqui apresentados.
...a abordagem das quest&#245;es &#233;tnico-raciais na Educa&#231;&#227;o b&#225;sica depende muito da forma&#231;&#227;o inicial dos profissionais da educa&#231;&#227;o. Eles ainda precisam avan&#231;ar para al&#233;m dos discursos, ou seja, se por um lado, as pesquisas acad&#234;micas em torno da quest&#227;o racial e educa&#231;&#227;o s&#227;o necess&#225;rias, precisam chegar &#224; escola alternando antes o espa&#231;o de forma&#231;&#227;o docente. (MONTEIRO, 2006, p.126) Concluindo, longe, de querer ser o dono da verdade, no processo educacional, os desafios de aprender a cada dia com as novas experi&#234;ncias poder&#225; ser enriquecedor para todos n&#243;s que sonhamos e buscamos um mundo mais justo, mais humano, mais irm&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Refer&#234;ncia Bibliogr&#225;fica
MONTEIRO, Rosana Batista. Licenciaturas. In: CAVALLEIRO, Eliane. Valores civilizat&#243;rios - dimens&#245;es hist&#243;ricas para uma educa&#231;&#227;o anti-racista. In: Minist&#233;rio da Educa&#231;&#227;o/Secretaria de Educa&#231;&#227;o Continuada, Alfabetiza&#231;&#227;o e Diversidade. Orienta&#231;&#245;es e A&#231;&#245;es para a Educa&#231;&#227;o das Rela&#231;&#245;es &#201;tnico-Raciais. Bras&#237;lia: SECAD, 2006
SILVA, Ana C&#233;lia da. A Desconstru&#231;&#227;o da Discrimina&#231;&#227;o no Livro Did&#225;tico.In: MUNANGA, Kabenguele (org.) Superando o Racismo na Escola. Bras&#237;lia: SECAD, 2005.
TRINDADE, Azoilda Loretto. O projeto pol&#237;tico da/na escola: capilarizando a tem&#225;tica das africanidades brasileiras. Rio de Janeiro: CEAP, 2007.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Qual &#233; a Sua Cor?</title>
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		<description>&lt;p&gt;uns me chamam de moreno, outros de mulato, de pardo, e alguns at&#233; me chamam de negro...sabe de uma coisa mo&#231;o? Branco eu sei que n&#227;o sou, mas sinceramente, sabe que n&#227;o sei que cor eu sou.&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique10.html" rel="directory"&gt;Ciranda Afro &lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;Qual &#233; a Sua Cor?&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eu negro? Virgem Maria mo&#231;o! Negro eu? Deus me livre .S&#243; me faltava essa! Como posso ser negro?- n&#227;o sei - Eu n&#227;o sou negro?- o que voc&#234; acha? - N&#227;o sei, olhe pra mim. Eu sou assim... como &#233; que se diz....voc&#234; me entende ..- ah t&#225; - . que cor eu sou? Cruz credo s&#244;! Nunca tinha pensado nisso... mas por que voc&#234; perguntou isso pra mim? - por perguntar - eu preciso responder? - seria bom- Deixa eu pensar um pouquinho... Bobagem essa. Que besteira s&#244;! Que diferen&#231;a faz ser negra ou qualquer outra cor? Ah mas voc&#234; quer saber mesmo qual &#233; a minha cor... uns me chamam de moreno, outros de mulato, de pardo, e alguns at&#233; me chamam de negro...sabe de uma coisa mo&#231;o? Branco eu sei que n&#227;o sou, mas sinceramente, sabe que n&#227;o sei que cor eu sou. Meu Deus! Engra&#231;ado n&#233;! Agora veja eu n&#227;o sei que cor eu sou. Como pode isso? - Sei n&#227;o.- E se eu soubesse....o que iria mudar? Certamente nada. Meus cabelos continuariam assim.. duros, ruim, feios e rebeldes. Meu nariz continuaria chato. Ou ficaria fininho s&#243; por que eu sei minha cor mo&#231;o? O senhor acha que o meu sal&#225;rio aumentaria por eu saber a minha cor? Ou que meu barraco na favela se transformaria numa casa num lugar chique? As pessoas passariam a me tratar diferente?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sabe mo&#231;o... tem horas que algumas perguntas n&#227;o devem ser feitas. E o pior as respostas a essas perguntas, quando somos obrigados, aumentam a nossa dor!&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Responder uma pergunta como essa exige pensar muito, exige consci&#234;ncia. E tem momentos que &#233; melhor fingir mo&#231;o. Fingir que n&#227;o se sabe, que n&#227;o se tem consci&#234;ncia e continuar vivendo na ilus&#227;o... o senhor t&#225; me entendendo? Fingir j&#225; faz parte da minha forma de resistir, da minha vida. Tantos fingem que eu n&#227;o existo, que eu n&#227;o tenho direitos, que eu sou isso, que sou aquilo... Vivemos num mundo de muito fingimento mo&#231;o. Fingir minha cor &#233; apenas mais um fingimento entre tantos fingimentos que nos trazem tanta dor.&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Jos&#233; Geraldo da Rocha&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Para Refletir Sobre as Diferen&#231;as</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article3164.html</link>
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		<dc:creator>Jose Geraldo Rocha</dc:creator>


		<dc:subject>Educa&#231;&#227;o</dc:subject>

		<description>O objetivo da contribui&#231;&#227;o aqui apresentada &#233; impulsionar no meio estudantil o debate sobre as diferen&#231;as. Os fatos apresentados visam sua leitura em sala e a partir da&#237; suscitar trocas de opini&#245;es dos estudantes em rela&#231;&#227;o &#224;s atitudes e encaminhamentos por parte dos &#8220;atores&#8221; presentes no texto. Primeiro fato: Numa sala de aula da 4&#170; s&#233;rie do ensino b&#225;sico , Antonia, 10 anos, discute com Isabel, 9 anos. Isabel chama Antonia de negra feia e macaca. Antonia furiosa, d&#225; um (...)

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot55.html" rel="tag"&gt;Educa&#231;&#227;o&lt;/a&gt;

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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O objetivo da contribui&#231;&#227;o aqui apresentada &#233; impulsionar no meio estudantil o debate sobre as diferen&#231;as. Os fatos apresentados visam sua leitura em sala e a partir da&#237; suscitar trocas de opini&#245;es dos estudantes em rela&#231;&#227;o &#224;s atitudes e encaminhamentos por parte dos &#8220;atores&#8221; presentes no texto.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Primeiro fato:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Numa sala de aula da 4&#170; s&#233;rie do ensino b&#225;sico , Antonia, 10 anos, discute com Isabel, 9 anos. Isabel chama Antonia de negra feia e macaca. Antonia furiosa, d&#225; um tapa no rosto de Isabel e d&#225; inicio a uma briga acalorada. A professora Clarice separa a briga e leva as duas meninas para a sala da diretora Ana. Ap&#243;s alguns minutos de conversa, a diretora manda chamar &#224; escola os pais das duas meninas. Na conversa com os pais, Rafael e Lia, pais de Isabel ficam exaltados e dizem: &#8220; vamos tirar nossa filha dessa escola de favelados e pretos, esse povo barraqueiro, aqui n&#227;o &#233; mesmo lugar para nossa filha freq&#252;entar&#8221; Os pais de Antonia, Julio e Margaret tentam argumentar que s&#227;o coisas de crian&#231;as e isso est&#225; relacionado a um problema maior na sociedade. Em v&#227;o! Rafael e Lia saem da reuni&#227;o e sentenciam: &#8220; nossa filha n&#227;o p&#245;e mais os p&#233;s nessa escola.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Segundo fato:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um dia, Alice, 21 anos, fala aos seus familiares que gostaria de fazer um almo&#231;o especial e que teria uma decis&#227;o muito importante para partilhar com todos. Na hora combinada chega Alice com uma amiga. &#8220; Pessoal essa &#233; a Rebeca , minha companheira e n&#243;s decidimos que vamos viver juntas&#8221;. Naquele momento houve um sil&#234;ncio profundo. Ap&#243;s alguns instantes o pai disse: &#8220; N&#227;o criei filha minha para essa safadeza, de hoje em diante n&#227;o tenho mais filha, sai dessa casa e n&#227;o p&#245;e mais os p&#233;s aqui&#8221; . A m&#227;e , sem palavras abra&#231;a a filha e chora copiosamente. O irm&#227;o, homem religioso, diz &#8220; voc&#234; est&#225; possu&#237;da! Isso &#233; coisa do dem&#244;nio&#8221; e sai da sala. A irm&#227; mais nova ap&#243;s instantes opina: &#8220; olha Alice, a vida &#233; sua, fa&#231;a dela o que for melhor pra voc&#234;. Siba que pode contar comigo para o que precisar&#8221;.
Acaba a reuni&#227;o, Alice e Rebeca se abra&#231;am e seguem seus caminhos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Jos&#233; Geraldo da Rocha&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Educar para o reconhecimento do direito &#224; diferen&#231;a</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article3156.html</link>
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		<dc:date>2009-08-19T16:10:00Z</dc:date>
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		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator> Angela Maria Roberti Martins, Jose Geraldo Rocha</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;O artigo &#233; fruto das reflex&#245;es que vem sendo desenvolvidas na pesquisa: &#8220;Discrimina&#231;&#227;o e Intoler&#226;ncia Religiosa nos Terreiros do Rio de Janeiro&#8221;&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique10.html" rel="directory"&gt;Ciranda Afro &lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O artigo &#233; fruto das reflex&#245;es que vem sendo desenvolvidas na pesquisa: &#8220;Discrimina&#231;&#227;o e Intoler&#226;ncia Religiosa nos Terreiros do Rio de Janeiro&#8221;, cujos objetivos s&#227;o identificar como &#233; percebida e sentida a discrimina&#231;&#227;o e a intoler&#226;ncia religiosa, por seus praticantes, bem como buscar estrat&#233;gias coletivas de supera&#231;&#227;o da mesma.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Somos um povo caracterizado pela pluralidade cultural subjacente &#224; raiz do nosso processo de forma&#231;&#227;o.&#201; hist&#243;rico a constata&#231;&#227;o do qu&#227;o longe tem ficado no processo educacional os elementos que destoam da matriz cultural dominante, al&#233;m dos equ&#237;vocos nas formas de abordagens que s&#227;o feitas de aspetos relevantes das matrizes culturais dos povos &#8220;dominados&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A educa&#231;&#227;o &#233; um campo com seq&#252;elas profundas de racismo, pra n&#227;o dizer, um ve&#237;culo de comunica&#231;&#227;o da ideologia racial branca. Quase nada aprendemos em nossa passagem pela sala de aula sobre contribui&#231;&#245;es, valores, hist&#243;ria e realidades relacionadas ao negro no Brasil. Essa constata&#231;&#227;o n&#227;o &#233; feita no ensino b&#225;sico, e estende-se at&#233; nas inst&#226;ncias de prepara&#231;&#227;o dos educadores, no ensino superior&lt;/p&gt; &lt;p&gt;.O processo educacional na hist&#243;ria do Brasil tem, sistematicamente, privilegiado a popula&#231;&#227;o branca em detrimento dos afro-brasileiros. A hist&#243;ria do Brasil &#233; constru&#237;da com base no trabalho escravo. Os negros em um per&#237;odo de 350 anos garantiram aos brancos escravocratas as bases s&#243;cio-econ&#244;micas para o desenvolvimento, inclusive no campo da educa&#231;&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No p&#243;s aboli&#231;&#227;o aos negros, dentre tantas proibi&#231;&#245;es, o acesso &#224; educa&#231;&#227;o se constituiu em um dos maiores e mais perverso mecanismo de exclus&#227;o social, cujas conseq&#252;&#234;ncias chegam at&#233; nossos dias. A restri&#231;&#227;o dos negros &#224; educa&#231;&#227;o na historia do Brasil vem desde 1854 quando o Decreto 1.331 de 17 de fevereiro impedia aos escravos o acesso &#224; educa&#231;&#227;o nas escolas publicas. J&#225; no Decreto 7.031 de 6 de setembro de 1878 restringia ao hor&#225;rio noturno a presen&#231;a dos negros nas escolas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A diversidade &#233; uma marca da sociedade brasileira, contempla-la necessariamente passar&#225; por reflex&#245;es profundas de como est&#227;o estruturadas a pr&#225;ticas do racismo na vida da sociedade brasileira, bem como que estrat&#233;gias utilizarem para super&#225;-las. As marcas das culturas de matrizes africanas na sociedade brasileira &#233; uma realidade que em pleno s&#233;culo XXI encontram profundos desafios no tocante a sua compreens&#227;o, reconhecimento, respeitabilidade e aceitabilidade social. No modo de organiza&#231;&#227;o da sociedade brasileira a comunidade afro-brasileira ocupa os piores lugares em todos os aspectos da vida social.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No aspecto religioso, a f&#233; professada a partir dos elementos da africanidade, tem sido concebida pela cultura dominante como uma pr&#225;tica primitiva, agressiva aos &#8220;bons costumes&#8221; e n&#227;o raro, associada &#224; coisas do dem&#244;nio. Os danos causados por essa concep&#231;&#227;o, presente at&#233; os dias atuais na cultura brasileira s&#227;o incontest&#225;veis.Na contemporaneidade estamos presenciando o aumento da intoler&#226;ncia religiosa em determinados segmentos sociais.O direito &#224; liberdade religiosa &#233; uma condi&#231;&#227;o, uma exig&#234;ncia, um pr&#233;-requisito, para o exerc&#237;cio da democracia e , consequentemente, da cidadania.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A ignor&#226;ncia, os preconceitos, acabam atuando como elementos que v&#227;o dar sustenta&#231;&#227;o &#224;s pr&#225;ticas do desrespeito &#224; diversidade cultural e religiosa presentes no cotidiano de f&#233; da sociedade brasileira.O entendimento entre as diferentes religi&#245;es &#233; exig&#234;ncia para a conviv&#234;ncia digna entre os povos, entre as culturas, entre as na&#231;&#245;es e entre os cidad&#227;os. Nessa perspectiva, &#233; not&#243;rio os esfor&#231;os que vem sendo realizados no mundo inteiro buscando encontrar formas de supera&#231;&#227;o da intoler&#226;ncia religiosa. No Brasil, esses esfor&#231;os ganharam maior impulso a partir das delibera&#231;&#245;es da Conferencia Mundial de Durban,-&#193;frica do Sul - 2001, onde tal tem&#225;tica ocupou espa&#231;o de destaque na agenda da Confer&#234;ncia.Os aspectos relativos &#224; dimens&#227;o religiosa no processo de forma&#231;&#227;o para o exerc&#237;cio da cidadania t&#234;m se colocado como desafiadores no universo da educa&#231;&#227;o na contemporaneidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O crescimento da intoler&#226;ncia religiosa tem causado danos &#224; dignidade das pessoas do segmento afro-brasileiro. Nos &#250;ltimos meses, no Brasil em geral, e no Rio de Janeiro, em particular, vem acontecendo diversos atos de intoler&#226;ncia dirigidos aos praticantes das religi&#245;es de matrizes africanas, sendo o epis&#243;dio mais conhecido a invas&#227;o e depreda&#231;&#227;o do Centro Esp&#237;rita Cruz de Oxal&#225;, situado no Catete. Como rep&#250;dio, tem sido comum manifesta&#231;&#245;es de protesto como caminhadas em defesa da liberdade religiosa, f&#243;runs de debates sobre intoler&#226;ncia religiosa e a organiza&#231;&#227;o de semin&#225;rios que discutem a rela&#231;&#227;o entre Estado e religi&#227;o.Com rela&#231;&#227;o aos procedimentos metodol&#243;gicos s&#227;o utilizados, como instrumentos, a observa&#231;&#227;o, o question&#225;rio uniformizado e a entrevista semi-estruturada&lt;/p&gt; &lt;p&gt; Jos&#233; Geraldo da Rocha e Angela Maria Roberti Martins&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Discrimina&#231;&#227;o racial e sala de aula</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article3157.html</link>
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		<dc:creator>Jose Geraldo Rocha</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;O contexto em que a atua&#231;&#227;o dos educadores entra no jogo da conviv&#234;ncia extra-escola e intra-familiar&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique10.html" rel="directory"&gt;Ciranda Afro &lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;O desfio colocada pela realidade da discrimina&#231;&#227;o racial em uma sala de aula de primeira a quarta s&#233;rie, a cada dia passa a exigir dos educadores mais perspic&#225;cia no tratamento da quest&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#201; verdadeiro afirmarmos que nenhuma crian&#231;a saiba utilizar das diferen&#231;as &#233;tnico-raciais para desenvolver processos de discrimina&#231;&#227;o e exclus&#227;o de um ou uma coleguinha em um grupo de 06 a 07 ansos de idade. No entanto, a capacidade que as crian&#231;as com essa idade t&#234;m em reproduzir aquilo que presenciam no cotidiano dos adultos &#233; fant&#225;stica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Evidentemente que se uma crian&#231;a consegue magoar a outra com um gesto de discrimina&#231;&#227;o, a ela n&#227;o poderemos imputar nenhuma culpabilidade. Elas manifestam aquilo que na conviv&#234;ncia familiar foi aprendido com os adultos. Essa &#233; a realidade problem&#225;tica na sociedade brasileira.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;As formas de expressar o racismo, a discrimina&#231;&#227;o e os preconceitos s&#227;o rotineiras no contexto da sociedade brasileira. As atitudes, as palavras, os gestos discriminadores passaram a ser algo vividos com demasiada naturalidade no cotidiano de uma fam&#237;lia.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A escola &#233; um espa&#231;o privilegiado de forma&#231;&#227;o de uma crian&#231;a, mas n&#227;o substitui a fam&#237;lia e o seu preponderante papel na forma&#231;&#227;o do car&#225;ter. Uma crian&#231;a aprende e apreende os ensinamentos familiares, os valores cultivados, o respeito, mas tamb&#233;m as pr&#225;ticas nocivas &#224; conviv&#234;ncia social que ali na fam&#237;lia s&#227;o explicitadas.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Penalizar uma crian&#231;a nessa fase da vida, jamais. Entretanto permitir que tais comportamentos continuem vitimando outras crian&#231;as &#233; uma blasf&#234;mia &#224; dignidade humana, quando n&#227;o um crime, cuja responsabilidade dever&#225; recair sobre os adultos com que ela convive.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#201; nesse contexto que a atua&#231;&#227;o dos educadores entra no jogo da conviv&#234;ncia extra-escola e intra-familiar. &#201; um mesmo educador que tem em sua sala de aula, os filhos de das diferentes fam&#237;lias no que diz respeito &#224; composi&#231;&#227;o &#233;tinca da popula&#231;&#227;o. &#201; esse educador que cotidianamente administra as a&#231;&#245;es, gestos e atitudes dessas pequenas crian&#231;as cidad&#227;s. Ao perceberem que os gestos e atitudes n&#227;o condizem com uma pr&#225;tica pedag&#243;gica da escola em quest&#227;o, cabe buscar uma solu&#231;&#227;o para al&#233;m dos muros da escola.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Do grau de compreens&#227;o da tem&#225;tica em quest&#227;o na vida do educador depender&#225; a efic&#225;cia e o tratamento adequadamente da problem&#225;tica suscitada. E todos n&#243;s temos suficiente clareza de como no processo educacional, sobretudo na forma&#231;&#227;o docente, os conte&#250;dos e os m&#233;todos de an&#225;lises da quest&#227;o racial no p&#225;is foram negligenciados. N&#227;o s&#227;o raras as situa&#231;&#245;es em que educadores temem pronunciar a palavra negro numa sala de aula, alegando que isso &#233; ofensivo. Ou ainda se esquivam de toda e qualquer oportunidade de abordar a quest&#227;o das rela&#231;&#245;es raciais, temendo serem tachados e ou rotulados de racistas. H&#225; ainda os que entendem ser uma tremanda bobgem tal tem&#225;tica, uma vez que trabalham com crian&#231;as t&#227;o pequenas que n&#227;o entendem nada a respeito.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ao depararem com situa&#231;&#245;es de discrimina&#231;&#227;o ficam sem saber como agir. Assustados, surpreendidos se perguntam como foi poss&#237;vel tal situa&#231;&#227;o. Entao, passam a perceber que &#233; necess&#225;rio tomar atitudes, para as quais nunca foram preparados. Fazer o que?
Aos que se sentem instigados diante da realidade nova - nem tao nova assim - acabam lan&#231;ando-se na busca inqueitante de solu&#231;&#245;es. Muitos, surpresos, encontram com a lei 10.639 e descobrem que isso j&#225; &#233; uma luta que vem de longe. E que mais do que nunca, nosso processo democr&#225;tico n&#227;o &#233; tao democr&#225;tico assim, enquanto a discrimina&#231;&#227;o atuar como fator de exclus&#227;o em todo e qualquer espa&#231;o da vida social, e de um modo particular na fam&#237;lia e na escola.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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		<title>Identidade Cultural</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article3154.html</link>
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		<dc:date>2009-08-19T13:21:47Z</dc:date>
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		<dc:creator>Jose Geraldo Rocha</dc:creator>



		<description>&lt;p&gt;Para saber sobre os elementos de identidade de um grupo social &#233; preciso que seus pr&#243;prios integrantes falem deles&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique10.html" rel="directory"&gt;Ciranda Afro &lt;/a&gt;


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 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L81xH150/arton3154-ad8b8.jpg&quot; width='81' height='150' style='height:150px;width:81px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;&lt;i&gt;&lt;a href=&quot;http://www.ciranda.net/spip/article3150.html&quot; class=''&gt;Imagem: Daniela Amaral&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O tema do presente artigo &#233; deverasmente instigante. Identidade no contexto da sociedade brasileira &#233; um desafio que a cada tempo foi abordado em conformidade com os interesses que se desejavam afirmar. Segundo (ORTIZ, 2006), em diferentes &#233;pocas, e sob diferentes aspectos, a problem&#225;tica da cultura popular se vincula &#224; da identidade cultural. Corroborando com ele, Holanda vai afirmara que:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Existe na hist&#243;ria intelectual brasileira uma tradi&#231;&#227;o que em diferentes momentos hist&#243;ricos procurou definir a identidade nacional em termos de carater brasileiro. Sergio Buarque de Holanda buscou as raizes do brasileiro na cordialidade, Paulo Prado, na tristeza, Cassiano Ricardo na bondade, outros escritores procuraram encontrar a brasilidade em eventos sociais como o carnaval ou ainda na &#237;ndole malandra do ser nacional (HOLANDA, 1973)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#201; claro que ao colocarmos o tema em quest&#227;o na contemporaneidade, tamb&#233;m n&#243;s o fazemos movidos por interesses, que julgamos leg&#237;timos. Em pleno s&#233;culo XXI, vivemos o tempo das diferen&#231;a se manifestarem. E sua manifesta&#231;&#227;o &#233; condi&#231;&#227;o de proclama&#231;&#227;o de dignidade humana.
Tratar de identidade cultural pressupoe uma certa dose de navegabilidade pelos meandros das culturas. Navegabiliade essa que obviamente perpassa os m&#250;ltiplos conceitos e concep&#231;&#245;es de cultura.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A cultura &#233; um fen&#244;meno complexo e a melhor maneira para entend&#234;-la &#233; a de fixar suas principais caracter&#237;sticas. Elas podem ser agrupadas segundo tr&#234;s aspectos: a origem, a forma e a finalidade. Do ponto de vista da origem a cultura &#233; humana, social e laboriosa (...) Do ponto de vista da forma, a cultura &#233; sens&#237;vel, din&#226;mica, m&#250;ltipla e criativa (..) Do ponto de vista da finalidade, para alguns &#233; considerada essencialmente religiosa, para outros humanistas, e por outros naturalista ( MONDIN, 2005, 179 -181)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Motivado por uma brincadeira de um aluno quando propus o tema das identidades para ser trabalhado em uma aula de cultura brasilera, vislumbrei uma din&#226;mica que pudesse aproveitar a brincadeira que ao meu ver objetivava gerar dispers&#227;o na sala. Ao falar que naquela aula o assunto era as identidades, um &#8220;gaiato- aluno metido a esperto&#8221; mais que depressa juntou umas quatro c&#233;dulas de identidades e me ofereceu. Entao aproveitei a situa&#231;&#227;o transformei o gesto em uma din&#226;mica em classe para abordar a tem&#225;tica das identidades.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Recolhi os documentos de identidade que cada aluno portava. Ap&#243;s embaralh&#225;-los destribui entre eles, de modo que nenhum ficasse com o seu verdadeiro documento. Entao pedi que, a partir do documento que cada um tinha em m&#227;os respondessem algumas perguntas que eu ia fazendo. As perguntas se referiam ao dono verdadeiro do documento.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Eram coisas simples como: o que fulano mais gosta de fazer ao chegar em sua casa, quais os sonhos e aspira&#231;&#245;es, quantos irm&#227;os, ? O aluno olhando o nome do outro no documento teria que responder. O dono verdadeiro do documento ouvia e n&#227;o podia se manifestar, n&#227;o se admitia ali dar qualquer dica. Muitos risos obviamente nasciam dos desencontros de informa&#231;&#227;o nas respostas. Alguns elementos at&#233; conincidiam, mas quest&#245;es mais profundas n&#227;o eram respondidas a contento &#224; luz da verdadeira resposta que o verdadeiro dono do documento teria a dar.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A din&#226;mica buscava evidenciar alguns aspectos releventes no processo de discuss&#227;o de identidade. &#201; verdade que muitas informa&#231;&#245;es que constam nos nossos documentos de identidade civil s&#227;o recorrentes. Todos temos um RG, todos temos fotos, filia&#231;&#227;o, naturalidade, data de nascimento etc. Para uma identifica&#231;&#227;o na sociedade, essas informa&#231;&#245;es s&#227;o suficientes. Aparentemente, todos somos iguais, mas na verdade somos todos diferentes. Entretanto, muitos outros aspectos constituidores de nossa identidade como ser pertencente a um grupo social, n&#227;o constam no referido documento. E mais, s&#243; poderemos saber sobre esses elementos, quando possibilitamos que o indiv&#237;duo fale deles. O que eu gosto, o que eu sinto, minhas aspira&#231;&#245;es e desejos, sonhos, minha hist&#243;ria, meus valores, minha heran&#231;a s&#243;cio,cultural e religiosa, nada disso saber&#225; o outro a meu respeito se n&#227;o expresso, como Ser ,tais elementos. Dai que nas discuss&#245;es sobre identidades &#233; fundamental que o sujeito tenha voz, que ele diga sobre si e suas aspir&#231;&#245;es, que ele revele o que realmente &#233; importante para si, o que &#233; valoroso. Quando o outro fala por mim, pode n&#227;o dizer o que deveria ser dito. Por mais que tente me conhecer, sua fala &#233; diferente da minha. Nesse contexto, o discurso da representa&#231;&#227;o n&#227;o conta.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A discuss&#227;o suscitada a partir da din&#226;mica nos permite afirmar que em virtude das concep&#231;&#245;es de cultura que se tem em uma determinda sociedade, a compreens&#227;o de identidade ser&#225; diferente.
Etendo ser pertinente trilharmos o caminho de uma compreens&#227;o cultural onde possa ser real&#231;ado o jeito de ser, jeito de fazer e de viver de um determinado grupo entnico o mesmo povo. Evidente que se cultura pode ser compreendida como a capacidade de transforma&#231;&#227;o da natureza presente na a&#231;&#227;o do ser humano, isso &#233; feito &#224; luz de uma melhor qualidade de vida. Os diferentes grupos ou povos agem na natureza em fun&#231;&#227;o do seu modo de ser. Os elementos de car&#225;ter identit&#225;rios influenciar&#227;o decisivamente no modo de pensar, organizar e atuar no mundo, enfim, no modo de viver. N&#227;o &#233; a mesma coisa esatr no mundo como povos ind&#237;genas, negros, brancos e tanto quantos outros povos existirem.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Sentimos, enquanto seres humanos, a necessidade de nos identificarmos com algu&#233;m em todos oso espa&#231;os de inter&#231;&#227;o social. Ao chegarmos nos lugares, nossos olhares se voltam para todas as dire&#231;&#245;es buscando alg&#233;m conhecido, parecido conosco, que goste das coisas que gostamos, que fale a nossa l&#237;ngua, que torce pelo memso time de futelbol, que professe uma mesma f&#233; religiosa, que acredita num memso Deus. Buscar algo ou alg&#233;m com quem nos identificamos passa a sr uma necessidade para sentirrmos &#8220;enturmados&#8221;. Do contrario, o ditado poular faz jus e nos tornamos &#8220;um p&#225;ssaro fora do ninho&#8221;, ou &#8220;um peixe fora da &#225;gua&#8221;... em fim ficamos deslocados socialmente falando.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Ao tratarmos de identidades, dois aspectos s&#227;o profundamente relevantes a serem notados. Primeiro, que exitem elementos no processo de constitui&#231;&#227;o das identidades que s&#227;o de natureza individual. Pertencem ao indiv&#237;duo. Ele ent&#227;o precisa tomar ci&#234;ncia de uma identifica&#231;&#227;o consigo mesmo. Saber quem &#233; ele, o que o diferencia dos demais. A apropria&#231;&#227;o de si mesmo &#233;, no contexto da sociedade brasileira, um problema que historicamente, os afrodescendentes foram conduzidos a desprezar. A perda da consci&#234;ncia de ser negro foi processo arquitetado e ideologicamente veiculado por todos os meios poss&#237;veis na hist&#243;ria do pa&#237;s. Em n&#227;o sendo poss&#237;vel matar todo um povo, torna-se necess&#225;rio matar a sua consci&#234;ncia de povo. Em conformidade com o pensamento de Karl Marx, isso equivale a aliena&#231;&#227;o completa do ser humano. A morte da consci&#234;ncia de perten&#231;a &#233;tnica, estabelece um rompimento sist&#234;mico com a pr&#243;pria hist&#243;ria e tira do horizonte da vida qualquer perspectiva de proclama&#231;&#227;o da dignidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Consequentemente, &#8220;os negros n&#227;o s&#227;o negros&#8221;, tornara-se embranquecidos. O maldito mito da democracia racial que tem imperado na sociedade brasileira e atuado como fundante do processo de nega&#231;&#227;o identit&#225;ria aos afrosdescendentes. O exercicio de reconstru&#231;&#227;o identit&#225;ria, que inicialmente passa pela consciencia individual do ser, vai encontrar eco na esfera da coletividade de povo negro. Aqui est&#225; o segundo aspecto que queremos enfocar. A descoberta que inicialmente &#233; individual, se encontra com outras identidades individuais em circust&#226;ncias semelhantes e passam a formatar uma identidade coletiva de negros. O encontro de hist&#243;rias, experi&#234;ncias e viv&#234;ncias do ser negro na sociedade brasileira vai gerar um novo elemento de fortalecimento da busca. Nasce assim a solidariendade no processo de reconstru&#231;&#227;o da dignidade humana.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A demara&#231;&#227;o da diferen&#231;a acaba significando a firma&#231;&#227;o identit&#225;ria. S&#243; &#233; possivel reconhecer a identidade na rela&#231;&#227;o com o diferente. O que me diferencia do outro &#233; que demarca a minha presen&#231;a identit&#225;ria. N&#227;o somos todos iguais. Somos todos diferentes. E nas diferen&#231;as que quremos construir a igualdade de oportunidades e de direitos na conviv&#234;ncia social. A diferen&#231;a entao n&#227;o &#233; mais vista como algo depreciador das rela&#231;&#245;es humanas, ao contr&#225;rio, passa a se tronar condi&#231;&#227;o sin ne qua non, para o exerc&#237;cio da cidadania.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Um estudo desenvolvido por Darcy Ribeiro que resultou na publica&#231;&#227;o do livro &#8220; O Povo Brasileiro&#8221;, na tentativa de definir uma identidade do povo brasileiro, RIBEIRO, prop&#245;e algo assustador:
O surgimento de uma etnia brasileira, inclusiva, que possa envolver e acolher a gente variada que aqui se juntou, passa tanto pela anula&#231;&#227;o das identifica&#231;&#245;es etnicas de &#237;ndios, africanos e europeus, como pela indiferencia&#231;&#227;o entre as v&#225;rias formas de mesti&#231;agem (...) s&#243; por esse caminho, todos eles chegam a ser uma gente s&#243;, que se reconhece como igual em alguma coisa tao substancial que anula suas diferen&#231;as e os op&#245;e a todas as outras gente. (RIBEIRO, 2005,. 133)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Talvez esteja aqui um dos grandes equ&#237;vocos desse respeitado educador brasileiro. Seu pesnamento a esse respeito contribui muito pouco nos debates atuais numa perspectiva de reconhecimento e valoriza&#231;&#227;o das diferen&#231;as.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O processo de constru&#231;&#227;o identit&#225;ria vai demarcar por um lado a semelhan&#231;a entre os indiv&#237;duos e grupos, algo necess&#225;rio na conviv&#234;ncia de todos n&#243;s. Por outro lado, vao ser evidenciadas tamb&#233;m as diferen&#231;as.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Essa compreens&#227;o nos remete ao desafio da supera&#231;&#227;o da domina&#231;&#227;o cultural, onde o outro, pelo simples fato de ser diferente, &#233; massacrado, execrado e exclu&#237;do. Aprender a conviver com a diferen&#231;a, respeitando e valorizando as realidades que para o outro s&#227;o fundantes acabam fortalecendo a capacidade que tenho em demonstrar o quanto estou inteirado de minha pr&#243;pria identidade. Aquele que est&#225; seguro de sua identidade n&#227;o pode temer relacionar-se com o diferente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nessa perspectiva, &#233; interessante observarmos o que escreve Paulo Coelho: &quot;O universo vai boicotar todos os preconceitos. A energia da tera precisa ser renovada sempre e as id&#233;ias novas precisam conquistar mais espa&#231;o. O corpo e a alma querem novos desafios. O futuro est&#225; &#224; nossa porta, pr&#243;ximo a todos n&#243;s, e todas as id&#233;ias ter&#227;o chance de aparecer. O que for de fato importante ficar&#225;. N&#227;o somos e nunca seremos ju&#237;zes dos sonhos do pr&#243;ximo. Para ter f&#233; em nosso caminho, no precisamos provar para ningu&#233;m que o caminho do outro est&#225; errado. Quem costuma agir assim se sente inseguro e n&#227;o confia nos pr&#243;prios passos&quot;.( COELHO, 2009)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;H&#225; quem diga, condicionado a uma vis&#227;o cultural, que acentuar, demarcar as diferen&#231;as &#233; propiciar e alimentar a divis&#227;o na sociedade. Ainda mais se essas diferen&#231;as estiverem relacionadas aos grupos &#233;tnicos como afrodescendentes no Brasil. Nesse caso, os fatores ideol&#243;gicos, assoberbdos pela prepot&#234;ncia acad&#234;mica vinculada aos privil&#233;gios seculares acabam tornando-se mais um ingrediente nas discuss&#245;es. A fal&#225;cia da igualdade proplada e sustentada pelo mito da democracia racial reverbera em forma de intelectualidade, querendo fazer crer que seja possivel um grupo ter a sua identidade condicionada &#224;quilo que o outro diz sobre si. N&#227;o queremos com isso dizer que alguns intelectuais n&#227;o possam se manifestar sobre as dientidades de negros e indios no Brasil, at&#233; porque, vivemos em um pa&#237;s que se diz democr&#225;tico, apesar desses dois grupos &#233;tnicos n&#227;o se encontrarem representados nas inst&#226;ncias de deci&#245;es, ou quando muuito, subrepresentados. Afirmamaos entretanto que em determindaos momentos, alguns intelectuias na sociedade brasileira, perdem a oportunidade de ficarem calados. Certamente o seu sil&#234;ncio prestaria um grande servi&#231;o &#224; na&#231;&#227;o, e de quebra a si mesmos pela n&#227;o exposi&#231;&#227;o ao rid&#237;culo.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pensar que a afirma&#231;&#227;o das identidades enquanto afrobrasileiros &#233; dividir o pa&#237;s racialmente &#233; de uma hipocresia tamanha, que parece cegar as pessoas para a constat&#231;&#227;o de que a sociedade brasileira j&#225; est&#225; dividida. E isso n&#227;o &#233; de hoje, os dados estat&#237;sticos demonstram que tal situa&#231;&#227;o &#233; hist&#243;rica.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Pensar identidade cultural &#233; vislumbrar um horizonte novo, que se encontra condicionado &#224; consci&#234;ncia de nega&#231;&#227;o dos direitos enquanto segmento &#233;tnico, enquanto classe social e enquanto ator social. &#201; essa consci&#234;ncia que fortalece uma busca qualitativa na vida. Quanto mais apurado a consci&#234;ncia que tenho de quem sou na sociedade, tanto mais qualificada ser&#225; minha interve&#231;&#227;o, a&#231;&#227;o nos rumos da hist&#243;ria. Entao n&#227;o busco divis&#227;o, ao contr&#225;rio, busco sim solidariedade com todos quantos estejam inseridos em um processo de gesta&#231;&#227;o ou engendramento de uma sociedade verdadeiramente justa e democr&#225;tica. Sobre isso vale destacar:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Podemos afirmar que as quest&#245;es relativas &#224; identidade, direitos e a cidadania perpassaram todos os cursos e encontros de forma&#231;&#227;o. O movimento negro de um modo geral encontrava nestas tr&#234;s palavras o horizonte de suas lutas de combate ao racismo. A quest&#227;o n&#227;o era combater o racismo por simples gosto, mas para se construir a identidade negra, bem como recuperar os direitos e a cidadania tamb&#233;m para a comunidade negra. A afirma&#231;&#227;o da identidade negra &#233; o restabelecimento da estrutura psicol&#243;gica do negro, elemento indispens&#225;vel para ser de fato um cidad&#227;o. A afirma&#231;&#227;o desta identidade passa pela valoriza&#231;&#227;o da hist&#243;ria, da cultura, da religi&#227;o, do modo de se organizar e do modo de viver. Do reconhecimento deste conjunto de elementos vir&#225; a garantia da reconstru&#231;&#227;o da dignidade e da cidadania para a comunidade negra.(ROCHA,1998, 58)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A busca da identidade cultural, &#233; mais que um sonho, &#233; uma necessidade, &#233; um feto que n&#227;o pode ser abortado em nome de nenhum projeto pol&#237;tico ou ideol&#243;gico que salvaguarde os mesquinhos interesses das elites usurpadoras das esperan&#231;as dos povos.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Refer&#234;ncia Bibliogr&#225;fica
COELHO, Paulo. Abaixo o preconcieto. In Jornal Extra, Rio de Janeiro: Sess&#227;o Extra, 18 de maio de 2009, p.1)
HOLANDA, Sergio Buarque. Raizes do Brasil, Rio de Janeiro: Jos&#233; Olympio, 1973.
MONDIN,Battista. O Homem Quem &#233; Ele? Elementos de Antropologia Filosofica. S&#227;o Paulo: Paullus, 2005, 12&#170; Edi&#231;&#227;o.
ORTIZ, Renato. Cultura Brasileira e Identidade Nacional. S&#227;o Paulo: Brasiliense, 2006, 8&#170; reimpre. 5&#170; edi&#231;&#227;o de 1994.
RIBEIRO, Darcy. O Povo Brasileiro: a forma&#231;&#227;o e o sentido do Brasil. S&#227;o Paulo: Compahia das Letras, 2&#170; edi&#231;&#227;o, 27&#170; reimpressao, 2005.
ROCHA, Jos&#233; Geraldo da. Teologia e Negritude: Um estudo sobre os Agentes de Pastoral Negros. Santa Maria: Pallotti, 1998.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		
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