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		<title>Ciranda</title>
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		<title>Democracia, seguran&#231;a p&#250;blica e a coragem para agir na pol&#237;tica</title>
		<link>http://www.ciranda.net/article6107.html</link>
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		<dc:date>2012-02-03T14:54:22Z</dc:date>
		<dc:format>text/html</dc:format>
		<dc:language>pt_br</dc:language>
		<dc:creator>Edson Teles</dc:creator>


		<dc:subject>Direitos &amp; pol&#237;ticas p&#250;blicas</dc:subject>
		<dc:subject>Destaques Br</dc:subject>
		<dc:subject>Eixo 03 Todos os direitos humanos</dc:subject>

		<description>&lt;p&gt;Democracia com viol&#234;ncia de Estado e especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria: m&#233;todo da Pol&#237;cia Militar do Estado de S&#227;o Paulo, para &#8220;restabelecer a ordem e a legalidade&#8221;, representam o interesse p&#250;blico?&lt;/p&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/rubrique51.html" rel="directory"&gt;FSM&lt;/a&gt;

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&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot201.html" rel="tag"&gt;Direitos &amp; pol&#237;ticas p&#250;blicas&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot222.html" rel="tag"&gt;Destaques Br&lt;/a&gt;, 
&lt;a href="http://www.ciranda.net/mot312.html" rel="tag"&gt;Eixo 03 Todos os direitos humanos&lt;/a&gt;

		</description>


 <content:encoded>&lt;img class='spip_logos' alt=&quot;&quot; align=&quot;right&quot; src=&quot;http://www.ciranda.net/local/cache-vignettes/L150xH113/arton6107-1e844.jpg&quot; width='150' height='113' style='height:113px;width:150px;' /&gt;
		&lt;div class='rss_chapo'&gt;&lt;p&gt;Democracia com viol&#234;ncia de Estado e especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria: duas quest&#245;es cruciais que nos chamam a aten&#231;&#227;o nos recentes epis&#243;dios de a&#231;&#227;o da Pol&#237;cia Militar do Estado de S&#227;o Paulo, para &#8220;restabelecer a ordem e a legalidade&#8221;, os quais se configuraram como violentos e sem efic&#225;cia do ponto de vista do interesse p&#250;blico.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class='rss_texte'&gt;&lt;p&gt;A chamada Cracol&#226;ndia (nome aparentemente cunhado pela grande m&#237;dia que, de certo modo significante, remete a um lugar de divers&#245;es, a estilo do nome do parque Disneyl&#226;ndia) e o bairro Pinheirinho, em S&#227;o Jos&#233; dos Campos, t&#234;m algo em comum al&#233;m do fato de terem sido o palco das recentes viola&#231;&#245;es de direitos sofridas por parte de uma parcela da popula&#231;&#227;o que parece n&#227;o ter &#8220;direito a ter direitos&#8221; (nas palavras cr&#237;ticas de Hannah Arendt). Ambos os locais possuem em comum o fato de serem &#225;reas de forte especula&#231;&#227;o imobili&#225;ria.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Os usu&#225;rios de crack do centro de S&#227;o Paulo encontram-se na regi&#227;o que o governo definiu para a execu&#231;&#227;o do projeto &#8220;Nova Luz&#8221;, em refer&#234;ncia ao discurso que assinala esta &#225;rea como decadente, repleta de marginais, abandonada, suja&#8230; Neste projeto higienista, a Prefeitura pretende vender ao sistema privado o direito de desapropriar e estabelecer as prioridades da nova ocupa&#231;&#227;o do bairro de acordo com interesses particulares, em detrimento do bem p&#250;blico. A &#225;rea classificada pelos governos como abandonada sedia um dos maiores centros brasileiros de com&#233;rcio de equipamentos eletr&#244;nicos e de inform&#225;tica. Quem j&#225; foi &#224; Santa Efig&#234;nia, ou mesmo &#224; rua 25 de mar&#231;o, constata, ao contr&#225;rio, a decad&#234;ncia da presen&#231;a do poder p&#250;blico, com aus&#234;ncia de servi&#231;os essenciais, inclusive os de sa&#250;de p&#250;blica, como a limpeza das ruas. A a&#231;&#227;o repressiva da PM somente espalhou os chamados craqueiros para outros locais da regi&#227;o central, passando longe de ser solu&#231;&#227;o, mas abrindo a possibilidade de formalizar o &#8220;progresso&#8221; imobili&#225;rio e comercial da regi&#227;o.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No bairro Pinheirinho, o conhecido especulador financeiro Naji Nahas det&#233;m, por meio de uma empresa falida, de sua propriedade, a &#225;rea de moradia de quase 1.600 fam&#237;lias. Pertencente a um casal de alem&#227;es mortos em 1969, n&#227;o se sabe ao certo como o terreno, de posse do Estado por falta de herdeiros legais, acabou como propriedade de Nahas. Sabemos que o Estado, via decis&#227;o de uma ju&#237;za de S&#227;o Jos&#233; dos Campos, confirmada pelo Tribunal de Justi&#231;a de S&#227;o Paulo, determinou o despejo deste enorme contingente de pessoas, sem lhes garantir o direito &#224; moradia, autorizando jog&#225;-las na incerteza da aus&#234;ncia de um teto, inclusive com o uso de cassetetes, balas de borracha e g&#225;s de pimenta. Autorizado pelas leis, o governo optou pela viol&#234;ncia em lugar de discutir uma alternativa de moradia ou mesmo de perman&#234;ncia no local.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Em v&#225;rias ocasi&#245;es, na hist&#243;ria da humanidade, pudemos ver a cena de pessoas amontoadas, crian&#231;as, idosos, doentes, sem seus pertences. Normalmente, fruto de algum tsunami ou cat&#225;strofe natural, ou mesmo de uma guerra. Em Pinheirinho, vimos a mesma cena, contudo, provocada pelo Judici&#225;rio e pelo governo do Estado, com o apoio do aparato repressivo da Pol&#237;cia Militar. &#201; chocante.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;De fato, o poder p&#250;blico, aliado ao interesse privado da especula&#231;&#227;o, coloca-se favor&#225;vel a uma ideia da expans&#227;o imobili&#225;ria como sinal de desenvolvimento. &#201; hist&#243;rico, em qualquer &#225;rea urbana, que tais &#8220;reformas&#8221; levam a uma valoriza&#231;&#227;o financeira do metro quadrado, lan&#231;ando a popula&#231;&#227;o pobre para al&#233;m dos limites das atuais condi&#231;&#245;es j&#225; prec&#225;rias de moradia. Para que o projeto especulativo se concretize nestas &#225;reas &#233; necess&#225;rio limp&#225;-las da presen&#231;a dos pobres. Leiam o coment&#225;rio postado na p&#225;gina da Secretaria de Seguran&#231;a P&#250;blica do Estado de S&#227;o Paulo:&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&#8220;Ap&#243;s a limpeza, j&#225; era poss&#237;vel circular tanto a p&#233; como de carro pelas alamedas Cleveland, Dino Bueno e Glete e a rua Helv&#233;tia, que ficam no entorno da pra&#231;a J&#250;lio Prestes. Locais que eram usados como esconderijos e moradia dos usu&#225;rios de drogas foram desocupados e estabelecimentos comerciais funcionavam normalmente.&#8221; (03.01.2012)&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Experimentamos, nestes casos, uma clara demonstra&#231;&#227;o de um projeto autorit&#225;rio para as rela&#231;&#245;es entre o poder p&#250;blico (podemos ler, inclusive, o Estado de Direito) e a popula&#231;&#227;o. Apesar de a Constitui&#231;&#227;o brasileira tratar o direito &#224; moradia como absoluto e o direito &#224; propriedade como relativo &#224; sua fun&#231;&#227;o social, o Estado, por meio de seus diversos poderes, em caso de conflito, tem atuado em favor do &#8220;desenvolvimento&#8221;. Para tanto, tem feito uso sistem&#225;tico, especialmente em S&#227;o Paulo, de uma Pol&#237;cia Militar cada vez mais violenta (nunca esta institui&#231;&#227;o matou tanto na &#250;ltima d&#233;cada quanto no ano de 2011!) e repressiva (espanca estudantes da USP dentro do campus). Sua organiza&#231;&#227;o e disciplina, subordinadas ao comando do Ex&#233;rcito, s&#227;o regidas pelas mesmas regras impostas pela Constitui&#231;&#227;o outorgada pela ditadura em 1969. Com a mudan&#231;a do regime de exce&#231;&#227;o para a democracia, n&#227;o houve a revis&#227;o ou reforma das institui&#231;&#245;es ligadas &#224; seguran&#231;a nacional e p&#250;blica, mantendo nestes setores uma ideologia agressiva com a popula&#231;&#227;o n&#227;o propriet&#225;ria e garantindo a impunidade para as viol&#234;ncias praticadas por seus agentes.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tal situa&#231;&#227;o evidencia o modelo que os setores patrimonialistas e da elite brasileira, com a anu&#234;ncia da classe m&#233;dia e o sil&#234;ncio amedrontado de uma parcela da esquerda que perdeu seus compromissos de classe, escolheram para uma democracia limitada, muitas vezes de fachada com um verniz reluzente, outras vezes com caracter&#237;sticas autorit&#225;rias.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Vivemos um momento grave de nossa vida social em que precisamos refletir sobre qual democracia queremos e, mais do que isto, agir com radicalidade para denunciar um modo autorit&#225;rio e manipulador de se fazer pol&#237;tica. Conflitos como os vividos neste m&#234;s de janeiro em S&#227;o Paulo demandam daqueles que se sentem ofendidos por tamanha viol&#234;ncia uma atitude corajosa de ruptura com o modelo conciliat&#243;rio da transi&#231;&#227;o &#8220;lenta, gradual e segura&#8221;, sob o qual constru&#237;mos o nosso Estado de Direito.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;&lt;strong&gt;Romper com a ditadura&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt; &lt;p&gt;O rompimento com a ditadura militar no Brasil se efetuou por meio da transi&#231;&#227;o de uma vis&#227;o da pol&#237;tica como enfrentamento e viol&#234;ncia para um modelo do consenso, acordado em negocia&#231;&#245;es entre os representantes pol&#237;ticos. O rito institucional do consenso, obtido nas negocia&#231;&#245;es da Lei da Anistia (1979), do Col&#233;gio Eleitoral (1985) e da Constitui&#231;&#227;o (1988), pretendeu for&#231;ar uma unanimidade de vozes e condutas em torno da racionaliza&#231;&#227;o da pol&#237;tica, difundindo significa&#231;&#245;es mais ou menos homog&#234;neas sobre os anos de repress&#227;o. A oposi&#231;&#227;o entre a raz&#227;o pol&#237;tica pacificadora e as mem&#243;rias doloridas da repress&#227;o obstrui a express&#227;o p&#250;blica da dor e reduz a mem&#243;ria &#224;s emo&#231;&#245;es, acabando por construir um novo espa&#231;o social justamente sobre a nega&#231;&#227;o do passado.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Era o marco da transi&#231;&#227;o da ditadura para o Estado de Direito, visando superar &#8211; e mais do que isso, silenciar &#8211; o drama vivido diante da viol&#234;ncia estatal.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Diante do Estado autorit&#225;rio e da imposi&#231;&#227;o do medo nos anos da ditadura, n&#227;o bastava remover o chamado &#8220;entulho autorit&#225;rio&#8221;, ou seja, era insuficiente modificar certas leis e estruturas de governo, reformar o sistema eleitoral e pol&#237;tico, entre outras medidas institucionais. Eram a&#231;&#245;es limitadas para a cria&#231;&#227;o de uma nova dimens&#227;o p&#250;blica, o que exclu&#237;a o movimento social de participa&#231;&#227;o no &#8220;jogo&#8221;.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A an&#225;lise da transi&#231;&#227;o brasileira aponta a inten&#231;&#227;o de dividir a sociedade em parcelas previamente identificadas. O estabelecimento de grupos determinados como part&#237;cipes do novo regime ocorre mediante a exclus&#227;o de outros segmentos, silenciados em suas demandas. Entretanto, se considerarmos que na democracia o povo que a comp&#245;e n&#227;o corresponde a parcelas socialmente determin&#225;veis, ent&#227;o, a democracia seria a pr&#225;tica pol&#237;tica de sujeitos que n&#227;o coincidem com qualquer parte do Estado ou da sociedade em particular, mas sujeitos que se transformam e se sobrep&#245;em &#224;s parcelas representadas nas institui&#231;&#245;es.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;No Brasil, o estado de exce&#231;&#227;o surgiu como estrutura pol&#237;tica fundamental, prevalecendo como norma quando a ditadura transformou o topos indecid&#237;vel da exce&#231;&#227;o &#8211; me refiro ao fil&#243;sofo Giorgio Agamben, em sua obra Homo Sacer, e a indefini&#231;&#227;o do que est&#225; dentro e fora do ordenamento na exce&#231;&#227;o &#8211; em localiza&#231;&#227;o sombria e permanente nas salas de tortura. Tamb&#233;m o crime de desaparecimento for&#231;ado &#233; marcado pela aus&#234;ncia de um lugar definido, haja visto que a busca pela localiza&#231;&#227;o do corpo mobiliza os familiares das v&#237;timas at&#233; hoje.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Figura jur&#237;dica an&#244;mala da constitucionalidade do Estado autorit&#225;rio, seu produto mais discricion&#225;rio no Brasil foi o Ato Institucional n&#250;mero 5 (AI-5). Este decreto ampliou os poderes de exce&#231;&#227;o do cargo de Presidente e extinguiu v&#225;rios direitos civis e pol&#237;ticos (artigos 4&#186;, 5&#186; e 8&#186;), especialmente o habeas corpus (artigo 10&#186;). De fato, investiu o Estado da prerrogativa de manipula&#231;&#227;o dos corpos e, tamb&#233;m, da vida mat&#225;vel dos cidad&#227;os. O corpo passa a ser algo fundamental para a a&#231;&#227;o do regime. No caso do desaparecido pol&#237;tico, sabe-se da exist&#234;ncia de um corpo &#8211; desaparecido &#8211; e de uma localidade &#8211; desconhecida &#8211;, mas marcado pela aus&#234;ncia. Se a sala de tortura tem como resto de sua produ&#231;&#227;o um corpo violado, o assassinato pol&#237;tico produz o corpo sem vida. O grande aumento de desaparecidos pol&#237;ticos a partir do AI-5 demonstra como essa pe&#231;a jur&#237;dica indicava a implanta&#231;&#227;o do estado de exce&#231;&#227;o como normalidade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Tendo sido o primeiro ato institucional sem data para acabar, o AI-5 foi extinto em dezembro de 1978, mas alguns de seus dispositivos foram, ao longo dos 10 anos de sua exist&#234;ncia, inseridos na Constitui&#231;&#227;o e na Lei de Seguran&#231;a Nacional, ainda hoje vigente.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A viol&#234;ncia origin&#225;ria de determinado contexto pol&#237;tico, que no caso da nossa democracia seriam os traumas vividos na ditadura, mant&#233;m-se, seja nos atos de tortura ainda praticados nas delegacias, seja na suspens&#227;o dos atos de justi&#231;a contida no simbolismo da anistia, impunidade reafirmada pela decis&#227;o do STF em aceitar a inimputabilidade dos crimes de viola&#231;&#227;o dos direitos fundamentais ocorridos na ditadura. Tais atos, por terem sido silenciados nos debates da transi&#231;&#227;o, delimitam um lugar inaugural de determinada pol&#237;tica e criam valores herdados na cultura, tanto objetivamente, quanto subjetivamente &#8211; nas narrativas, nos testemunhos, nos sentimentos e paix&#245;es dos sujeitos subtra&#237;dos da raz&#227;o pol&#237;tica. O medo do que n&#227;o foi julgado, do que n&#227;o se sabe a verdade, paira sobre a pol&#237;tica brasileira como modo de coer&#231;&#227;o em favor de uma pol&#237;tica do poss&#237;vel.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Nos aspectos sociais e nacionais, as marcas de esferas pol&#237;ticas origin&#225;rias, como a sala de tortura e a transi&#231;&#227;o consensual, se constituem como partes fundantes da democracia nascida ap&#243;s o fim da ditadura. O car&#225;ter maldito da tortura e o aspecto de impunidade da democracia incluem na atual mem&#243;ria coletiva brasileira o medo da viol&#234;ncia e da fabrica&#231;&#227;o do corpo nu dos torturados. A aceita&#231;&#227;o simb&#243;lica da anistia como uma lei de anula&#231;&#227;o das possibilidades de justi&#231;a, se configurou, seguindo &#224; sala de tortura, como a exce&#231;&#227;o pol&#237;tica origin&#225;ria na qual a vida exposta ao terrorismo de Estado vem a ser inclu&#237;da no ordenamento social e pol&#237;tico. A fidelidade ao princ&#237;pio da n&#227;o inscri&#231;&#227;o da matabilidade na norma mant&#233;m-se na lei ao anistiar os criminosos sem a apura&#231;&#227;o dos crimes e de seus agentes. A implica&#231;&#227;o da inclus&#227;o da vida na ordem, via sua exclus&#227;o, cria a indetermina&#231;&#227;o das distin&#231;&#245;es entre as esferas p&#250;blica e privada.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;A transi&#231;&#227;o consensual criou uma falsa quest&#227;o: punir ou perdoar?! Encontramo-nos diante do problema de como conviver com um passado doloroso em um presente democr&#225;tico, administrando conflitos que n&#227;o se encerraram com a mera passagem institucional de um governo de exce&#231;&#227;o para um democr&#225;tico. Por que passadas d&#233;cadas dos crimes h&#225; reclama&#231;&#227;o por justi&#231;a? Deve-se julgar e punir os respons&#225;veis pelas viola&#231;&#245;es aos direitos humanos? Ou eles podem ser perdoados em nome da reconcilia&#231;&#227;o nacional?&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Se alguns pa&#237;ses latino-americanos se dedicaram &#224; cria&#231;&#227;o de novos investimentos em direitos humanos, o Brasil manteve-se como modelo de impunidade e n&#227;o seguiu sequer a pol&#237;tica da verdade hist&#243;rica. Houve aqui uma grande ditadura, mas os arquivos p&#250;blicos n&#227;o foram abertos e as leis de repara&#231;&#227;o somente ouviram o reclamo das v&#237;timas por meio de frios documentos; n&#227;o deram direito &#224; voz e n&#227;o apuraram a verdade.&lt;/p&gt; &lt;p&gt;Enquanto os torturadores do passado n&#227;o forem julgados e punidos, n&#227;o teremos &#234;xito nas pol&#237;ticas de diminui&#231;&#227;o da viol&#234;ncia. Precisamos de uma Comiss&#227;o da Verdade que apure as circunst&#226;ncias dos crimes, abra os arquivos da ditadura e proponha a puni&#231;&#227;o dos respons&#225;veis. Somente assim teremos como elaborar o passado e construir uma democracia respeitosa aos direitos do cidad&#227;o.&lt;/p&gt;&lt;/div&gt;
		&lt;div class="hyperlien"&gt;Ver online : &lt;a href="http://boitempoeditorial.wordpress.com/category/colunas/edson-teles/" class="spip_out"&gt;http://boitempoeditorial.wordpress....&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;
		
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