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BRASIL

T e m a s

Mulheres pelo direito de resposta

quinta-feira 8 de março de 2007

Brasileiras querem tempo e recursos na televisão para reverter a invisibilidade e as distorções de sua imagem. Leia e assine manifesto que circula neste 8 de Março

Foto: Henrique Parra

Veja abaixo mensagem e orientação de Rachel Moreno

Aos srs

Acionistas e diretores das diversas emissoras da TV Brasileira

Ao Fórum pela Ética na TV

Ao Sr. Sergio Gardenghi Suiama - Ministério Público Federal

Prezados Senhores,

A TV é uma concessão pública e, por isso, é legítimo considerar que as concessionárias têm, no mínimo, como contra partida, a responsabilidade de representar os mais altos anseios e interesses do público que pretende representar.

Importante lembrar que a comunicação hoje se inscreve entre os Direitos Humanos como um dos direitos básicos que a todos os cidadãos do mundo devem ser garantidos. A comunicação é uma via de duas mãos, assim sendo para que se efetive faz-se necessário, ouvir e ser ouvido/a; ver e poder mostrar, representar e se sentir representado/a.

Nós, mulheres feministas, sindicalistas, de movimentos sociais, intelectuais, trabalhadoras, de diversos extratos sociais, raças, etnias, idades, estado civil e inserção no mercado de trabalho, ou mesmo fora dele, representantes que somos da diversidade e da vida real que levam as mulheres do Brasil, consideramos que esta parcela da população (metade da humanidade e 52% da população brasileira) está sub ou muito mal representada nesse meio de comunicação que, por direito, também nos pertence.

Denunciamos que não nos reconhecemos em suas produções, quer na relativa invisibilidade nos momentos e segmentos mais sérios da programação televisiva (onde somos predominantemente invisíveis), quer na imagem, papéis, valores, dificuldades/facilidades, problemas e questionamentos, alegrias e prazeres que pretendem nos retratar, nos mais diversos programas - tele-jornais, na overdose de programas de cozinha, nos programas de auditório, programas “de sofá”, de entrevista, novelas, ou nas propagandas dos intervalos comerciais. E, o mais agravante, pior do que isso é, na maior parte do tempo, nos sentirmos vilependiadas, ridicularizadas, usadas para promover valores, padrões e produtos os mais variados, em detrimento de nossa realidade e aspirações.

A relativa invisibilidade das mulheres trabalhadoras, intelectuais, especialistas, profissionais liberais e outras, a falta de espaço para a discussão de nossas reivindicações e ideais, bem como de nossas conquistas e das mudanças que conseguimos introduzir no mundo, perpetua a reprodução dos estereótipos limitantes que influem na formação de uma subjetividade empobrecida e resultam no rebaixamento da auto-estima das mulheres e na busca de sua afirmação através da perseguição dos modelos, valores e produtos veiculados.

O padrão estético disseminado pela mídia em geral, e pela TV em especial, oferece um modelo de beleza feminina pasteurizado e de difícil acesso. Assim, se, por um lado, as mulheres dizem não se reconhecer na imagem dominante, por outro elas cobram de si mesmas - e são cobradas - continuamente para atingir esse “modelo ideal de beleza”.

As mortes recentes por anorexia, de jovens modelos ou aspirantes ao padrão veiculado pela mídia, ilustram bem como estes valores e padrões estéticos se transformam insidiosamente em exigência de mercado e padrão aspiracional - levando aos sacrifícios mais absurdos e ao rebaixamento da auto-estima das pessoas mais vulneráveis e das brasileiras em geral.

Convém que os senhores saibam que a nossa percepção também encontra respaldo em pesquisas internacionais, a saber:

O relatório de pesquisa da GMMP (Projeto Global de Monitoramento da Midia), coordenado por Margareth Gallagher, em sua última versão de 2005 e a WACC (World Association for Christian Communication), mostra claramente a aniquilação simbólica das mulheres, pela exclusão de suas vidas e pela trivialização de suas experiências.

O estudo mostrou que, mesmo constituindo 52% da população mundial, as mulheres aparecem em apenas 21% das notícias. Ou seja, para cada mulher que aparece no noticiário, cinco homens são retratados. No rádio este percentual é ainda menor: 17%. Em dez anos, apesar de toda a revolução no mundo das telecomunicações, este total evoluiu muito pouco, aumentando somente em três pontos.

Quando é feita uma análise qualitativa da presença das mulheres como fonte de reportagens, o estudo mostra que a opinião feminina é retratada em somente 14% dos artigos sobre política e em 20% sobre economia, os dois temas que dominam a agenda dos países. A voz feminina também é preterida quando se trata de ouvir a opinião de especialistas: 83% deles são homens.

Apesar da emancipação feminina e do brutal crescimento da nossa participação no mercado de trabalho, bem como da nossa ascendência na área da educação formal, somos ainda identificadas, sobretudo pela mídia, como esposas, mães ou filhas. Mesmo quando algumas de nós destacam-se desempenhando algum papel profissional, como por exemplo, especialistas de alguma área, não escapam da relação com o contexto familiar. “Então, enquanto os homens são valorizados como indivíduos autônomos, o status da mulher deriva originalmente de sua relação com outras pessoas. É dessas relações, muito mais do que de sua individualidade, que a mulher obtém sua autoridade” afirma o relatório internacional.

O estudo mostrou também que há duas vezes mais reportagens que reforçam estereótipos de gênero do que matérias que os desafiam. Ao mesmo tempo, a própria desigualdade de gênero não é considerada digna de ser notícia: 96% das matérias do mundo inteiro não ressaltam este tema, sendo que as demais estão concentradas em áreas como direitos humanos, relações familiares ou ativismo feminista - assuntos que geralmente recebem pouco destaque dentro do conjunto de artigos de um veículo, em matérias predominantemente escritas por jornalistas mulheres.

É fato notório que nós mulheres mudamos a face do mundo - a nossa luta mudou o cenário político, econômico e social do país e do mundo. Nossas reivindicações alteraram o funcionamento dos organismos de poder, das empresas, da estruturação da sociedade, da organização das instituições de ensino, da própria família e dos papéis estabelecidos para o homem e para a mulher.

Mas falam em nosso nome, reforçam os estereótipos que combatemos, não refletem as mudanças e conquistas já efetivas na vida real, usam e abusam de nossa imagem, dosando-a de mais ou menos sedução, prometendo nos entregar como brinde pelo consumo de tal ou qual produto, procurando nos iludir e iludir aos homens, aos jovens e às crianças, em função de interesses que raramente são os nossos.

É preciso que a sociedade tenha acesso a uma visão diferente da que a mídia ora nos impõe.

Queremos poder efetivamente usufruir de nosso direito à comunicação e mostrar a vida e a realidade das mulheres como nós a percebemos e vivemos. Queremos poder mostrar as mulheres em seus mais diversos contextos, na lida do cotidiano, em seus sonhos, em suas lutas, em suas conquistas, em suas contradições e problemas.

Por isso, exigimos o nosso direito de resposta.

Queremos oferecer uma alternativa a esta imagem plasmada que as emissoras de TV veiculam como sendo a única e verdadeira. E, para tanto, nos dirigimos aos senhores apresentando as seguintes reivindicações, como inalienáveis direitos nossos:

1. Queremos que, no decorrer de uma semana plena, possamos decidir, produzir e ver veiculada a nossa visão de qual é a realidade cotidiana vivida pelas mulheres brasileiras, em geral, de suas lutas, conquistas e aspirações, e das demandas que elas ainda querem e precisam realizar.

2. Queremos que as emissoras de tv, que tanto ganham em audiência e faturamento com a nossa imagem, forneçam os recursos para que possamos, de forma autônoma e independente, e com a mesma qualidade a que habituaram o seu público, produzir e veicular a nossa percepção e vivências das mulheres brasileiras.

Endossam o texto:

NOME................ENTIDADE...................RG

ATENÇÃO, PARA ASSINAR ESTE TEXTO:

Voce pode copiar e colocar em um email para colher mais assinaturas em suas e seus amigas/os

Pode imprimir, colher assinaturas e entregar no Ato Público do 8 de Março (concentração às 15 horas na Praça Oswaldo Cruz, seguindo de lá para a Avenida Paulista)

Pode enviar uma mensagem diretamente para o email moreno@postbox.com.br

Veja abaixo a mensagem de Rachel Moreno, sobre o texto

Companheiras/os,

Os grupos que estão na preparação das manifestações do Dia Internacional da Mulher (8 de março) de São Paulo, aprovaram o Manifesto anexo e, neste momento, estão solicitando a todas e todos que concordam com seus dizeres e intenção, que endossem o documento.

Precisamos de sua ajuda para coletar o maior número de assinaturas possíveis.

A primeira data-limite que nos colocamos para esta coleta de apoios é o dia 10 de março.

A cada 100 (cem) assinaturas, pede-se o envio do texto para o seguinte endereço eletrônico: moreno@postbox.com.br, contendo no "assunto" os seguintes dizeres "manifesto mulheres pelo direito de resposta".

Vamos nessa com toda força, cada qual em sua área de atuação?

Abs Rachel Moreno

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Fórum

  • Mulheres pelo direito de resposta
    16 de março de 2007, por MARIA GORETTI13AMF
    ASSINO ESTE MANIFESTO,COM TODA CERTEZA.NÃO PODEMOS DEIXAR QUE OS HOMENS COMANDEM COMO QUEREM ,O NOSSO AGIR E PENSAR.PODEMOS AGIR E PENSAR JUNTOS.BASTA DE SER JOGUETE NAS MÃOS MASCULINAS,NA MODA,MODISMO,TENDENCIAS...QUEREMOS ANDAR AO LADO E DO LADO. E NÃO SEGUINDO OS NOSSOS HOMENS.
  • Mulheres pelo direito de resposta
    14 de março de 2007, por Sandra Mariano
    Esses são os nossos meios de comunicação informam o que querem e não a realidade dos fatos
  • Mulheres pelo direito de resposta
    12 de março de 2007
    Dizia Che, que a liberdade se conquista no dia-a-dia... A liberdade, o direito, são consequencias da luta contínua e persistente. Não se pede "direito de"... se conquista e, a partir daí, impõe condições. É na mulher que a mídia tem o maior público, em todas as horas. A mídia vive de público. Não seria lógico, então, desligar a TV, o rádio, não comprar revistas? Até descobrirem, então, que a jugular não é tão forte assim. Que fortes são voces, se souberem a força da união.
  • Mulheres pelo direito de resposta
    10 de março de 2007, por MARIA APARECIDA DE LIMA
    “ A ASSOCIAÇÃO DE MULHERES DA ZONA LESTE TAMBEM APOIA; MULHERES PELO DIREITO DE RESPOSTA .CHEGA DE MANIPULAÇÃO DA MIDIA.”
    • Mulheres pelo direito de resposta
      13 de março de 2007, por Rachel Moreno

      Companheiras/os

      Para endossar o manifesto, temos duas alternativas: 1) entrem no www.petitiononline.com/moreno e ponham lá o seu nome, RG e, se for o caso, entidade que representam 2) manifestem o seu desejo de endossar o texto, enviando um e.mail para moreno@postbox.com.br, com os mesmos dados (nome, RG e, se for o caso, nome da entidade).

      E, por favor, divulguem. Queremos divulgar e reinvindicar que, como concessão pública, o espaço e conteudo da tv deveria efetivamente nos representar, e que temos o direito de ver representadas visões da realidade que não apenas as do concessionário. Desligar a TV não basta. Temos que exercer a democracia direta.

  • Mulheres pelo direito de resposta
    9 de março de 2007, por Sheila Guimarães Frederico
    Precisamos nos empenhar firmemente pelo direito de resposta. A nossa vitória terá uma repercussão importante para todos os seguimentos sociais que são discriminados pela midia. Precisamos interferir neste espaço de poder que servem de instrumento para a manutenção de uma sociedade excludente.
  • Mulheres pelo direito de resposta
    8 de março de 2007, por Maria do Carmo Soares D’Oliveira
    Lutar contra a nossa invisibilidade é instrumento fundamental no combate a violência contra as mulheres pois essa violência se apresenta, de forma cada vez mais sofisticada, nas dimensões material e simbólica.
  • Mulheres pelo direito de resposta
    1º de março de 2007, por Sueli Nascimento
    também gostaria de assinar, mas não consegui entender onde......... Sueli Nascimento DaTerra Produtos Culturais
  • Mulheres pelo direito de resposta
    28 de fevereiro de 2007, por Grupo Mulher Maravilha
    Nós, mulheres e homens que fazemos o Grupo Mulher Maravilha, no Estado de Pernambuco, também abaixo-assinamos este texto.
  • Mulheres pelo direito de resposta
    27 de fevereiro de 2007
    Gostaria de assinar este manifesto.
    • Mulheres pelo direito de resposta
      28 de fevereiro de 2007, por Mabel Dias

      Apoio este manifesto! Nós mulheres devemos nos manifestar, não apenas no dia 08 de março ou no mês de março , considerado nosso, mas sim em todos os meses do ano, porque a discirminação e a opressão que nos vitima acontece todos os dias, em todos os lugares!!!

      Força a todas nós! Mabel Dias - anarcofeminista João Pessoa -PB

  • Mulheres pelo direito de resposta
    20 de fevereiro de 2007, por Anna Christina
    Como podemos assinar esse manifesto?
    • Mulheres pelo direito de resposta
      21 de fevereiro de 2007
      Voce pode copiar no corpo da mensagem, colocar seu nome, de sua entidade e seu RG e enviar para amigas/os com a recomendação de enviar, a cada 100 assinaturas, para o email moreno@postbox.com.br, ou envie seus dados diretamente para lá
    • Mulheres pelo direito de resposta
      22 de fevereiro de 2007
      Gostaria muito de poder assinar esse manifesto. Aguardo retorno.
      • Mulheres pelo direito de resposta
        8 de março de 2007, por sol
        Vamos nessa com toda força, cada qual em sua área de atuação.... Adorei site, meu profº pediu para fazer uma redação o tema foi "As mulheres possui de fato os menos direitos dos homens?"Comente
  • Mulheres pelo direito de resposta
    20 de fevereiro de 2007, por Fabiana
    Apesar de todo avanço, mulheres, crianças e idosos são subvalorizados, vistos com preconceitos antigos.
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