A menina Maasai é personagem desta história, contada em uma peça de teatro das mulheres de sua tribo no FSM e transformada aqui em fotonovela.
Esta é uma história com final feliz contada pelas mulheres Maasai, uma antiga tribo do Quênia que até hoje conserva suas tradições e costumes. Em uma peça teatral apresentada em Swahili, idioma nacional queniano, elas falam de sua luta para conquistar um direito que sempre lhes foi negado, como o de estudar em vez de submeter-se a um casamento forçado ainda na infância. Enquanto a platéia se acomoda para o espetáculo, as atrizes explicam que vão apresentar uma história que aconteceu de verdade.
A movimentação na tenda já repleta de mulheres, a maioria com insignias de uma associação chamada Women’s Guild, vai aos poucos atraindo inúmeras outras pessoas que circulam pelos espacos do FSM.
No palco da tenda, a pequena Ledaa diz ao pai e a mãe que deseja continuar frequentando a escola. Esse momento é de muita tensão na família Maasai. Toda uma tradição relacionada à vida e ao futuro das meninas está sendo questionada com a revelação desse desejo
Nao! É a resposta intransigente do pai, que informa estar justamente aguardando um pretendente para a filha. Leeda é informada que vai se casar ainda muito jovem. A mãe, solidária mas impotente diante da autoridade conferida aos homens Maasai, ainda assim tenta proteger a menina do terrivel destino e argumenta com energia.
O destino de Ledaa parece irreversível. Em poucos minutos o noivo escolhido pelo pai é recebido em sua casa.
Indiferente ao sofrimento da filha e aos apelos da mulher, o pai está entusiasmado com o casamento e negocia a filha com o futuro marido, que lhe oferece em troca um dote de três vacas.
A escola é um refúgio. Ali o mundo parece ter muitas possibilidades e não apenas a realidade de uma tradição que não considera seu desejo de estudar. Ledaa volta a sorrir enquanto aprende coisas novas com a professora, solidária. Mas sua tranquilidade nao dura muito...
A pequena Ledaa chega em casa desolada. Ela é consolada pela mãe que, no entanto, não sabe o que pode fazer. A vontade do pai é mais poderosa, na tradição Maasai, do que a de todas as mulheres que cercam uma menina prometida ao noivo.
Os passos seguintes são conhecidos de qualquer família Maasai. Escoltado pelo pai, o futuro marido chega à casa da noiva para levá-la de lá como esposa. Ledaa é chamada para a cerimônia, e se vê sem saída.
O ritual começa. Sobre as costas, o pai coloca o manto que agora cobre de uma vez as roupas de menina usadas para ir à escola.
Ramos são colocados entre os cordões dos sapatos da menina
Sem alternativa, só resta à pequena noiva seguir o marido para um lar desconhecido.
A menina conversa com o noivo e descobre que há mais duas esposas na casa, que igualmente sofrem com a falta de escolhas e a rejeitam. É um mundo totalmente sem sentido para uma menina que sente falta dos pais. Desesperada, em sua ousadia de criança, ela decide fugir
Em casa, se atira nos braços do pai pedindo socorro e acolhida
A rebeldia da menina mobiliza a mãe, que também decide enfrentar a autoridade do marido
Ao saber do ocorrido, a professora, as vizinhas, as mulheres da comunidade correm para apoiar a inédita atitude das duas
O homem titubeia, mas explica que não pode voltar atrás em um negócio de honra. Mas elas percebem que tudo tem uma saída...É hora de quebrar uma tradição em nome do direito da meninas de crescer e estudar
A casa é tomada por mulheres que decidem ajudar o homem a pagar em dinheiro pelo dote, mas insistem que a menina ficará em casa e voltará à escola Neste momento o pai se da conta de que a comunidade está preocupada com o futuro de sua filha
É tão importante o que acaba de acontecer que o pai comovido se ajoelha diante da força daquelas mulheres, que o cercam vitoriosas...A pequena Ledaa não mais será obrigada a se casar.
FIM
Colaboraram Rita Freire e Rita Casaro, com ajuda de mulheres quenianas que foram explicando a peça e traduzindo seus diálogos do swahili