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ASSEMBLÉIA POPULAR

Sob ocupação brasileira

sexta-feira 9 de março de 2007

Rachel Beauvoir Dominique veio relatar o que sofrem as mulheres do Haiti e divulgar campanha de solidariedade

Mariana Lettis

Durante o dia, manifestantes na Avenida Paulista gritaram Fora Bush do Iraque e fora Lula do Haiti. Á noite, na Quadra dos Bancários, a antropóloga, pesquisadora e professora da Universidade do Haiti, Rachel Beauvoir Dominique fez um depoimento sobre a situação das mulheres em seu país.

O tema é parte integrante das programações do 8 de Março e da Assembléia Popular que começou em São Paulo nesta sexta-feira, na quadra dos bancários, mas teve um primeiro momento de encontro com a vinda de Rachel. As haitianas sofrem tanto com a miséria provocada pelas imensas remessas cobradas do Haiti para pagar uma dívida externa ilegítima quanto com o quadro de violência decorrente da ocupação do país por forças estrangeiras, lideradas pelo Brasil

Rachel veio ao Brasil com o arquiteto, professor da Universidade do Haiti e do movimento Batay Ouvriye - do crioulo, “Luta Operária”, para divulgar uma campanha de solidariedade com o Haiti em 11 cidades brasileira e também para entregar em Brasília o relatório final de uma investigação conduzida por Adolfo Pérez Esquivel, Prêmio Nobel, por Nora Cortiñas, um das mães da Praça de Maio, e Beverly Keene, do Jubileu Sul Américas.

Além do fim da ocupação e cancelamento da dívida, participantes da campanha querem que seja feita uma auditoria "integral e participativa" que apure tanto as dívidas financeira quanto as sociais, ecológicas e históricas. Queremos mostrar "quem deve a quem", diz a haitiana. E então apresentar a fatura, através de mudanças política estruturais no país, e alianças políticas que promovam a justiça, os direitos humanos, a autodeterminação e a soberania.

O relatório entregue por Rachel e Didier é resultado de uma Missão Internacional de Investigação e Solidariedade com o Haiti, composta por 20 representantes de redes, movimentos e instituições sociais da América Latina, Caribe, América do Norte e África. Suas páginas trazem relatos de mortes e massacres em bairros periféricos, resultantes da ocupação do país, e da exploração econômica do povo.


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