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ASSEMBLÉIA POPULAR

Vale do Ribeira organiza marcha em defesa da Mata Atlântica

terça-feira 3 de abril de 2007

Mais de 3 mil moradores do Vale do Ribeira ocuparam a rodovia BR-116 para exigir do governo federal a defesa da Mata Atlântica da região, ameaçada de extinção pelo projeto das hidrelétricas no rio Ribeira de Iguape

Na manhã do dia 24 de março, mais de 3 mil manifestantes moradores de Iguape, Cananéia, Pariquera-Açú, Eldorado, Cajati, Jacupiranga, Barra do Turvo, Miracatu e Registro, todos municípios do Vale do Ribeira, ocuparam a rodovia BR-116 para exigir do governo federal a defesa da Mata Atlântica da região, ameaçada de extinção pelo projeto das barragens hidrelétricas no rio Ribeira de Iguape.

Os projetos, que podem trazer graves impactos socioambientais para a região, atenderiam especialmente aos interesses da CBA (Companhia Brasileira de Alumínio), de propriedade do Grupo Votorantin, do empresário Antonio Ermírio de Moraes.

A manifestação se iniciou com uma marcha pacifica que saiu do município de Cajati pela BR-116 rumo a Jacupiranga. Convocada pelo Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) e pelos quilombolas da região, a marcha terminou por bloquear a estrada durante 15 minutos em solidariedade aos caminhoneiros, vítimas dos roubos perpetrados pelos pedágios nas estradas brasileiras.

O Vale do Ribeira, localizado entre o Sul do Estado de São Paulo e o Norte do Estado do Paraná, abriga 61% da Mata Atlântica remanescente no Brasil, incluídos 150 mil hectares de restinga e 17 mil de manguezais. Por isso, em 1999, a região foi declarada Patrimônio Natural da Humanidade pela UNESCO.

Toda essa riqueza natural, porém, está ameaçada pelo projeto de construção de barragens ao longo do rio Ribeira de Iguape, em benefício de uma única empresa, a CBA. Um estudo aprovado pelo governo federal, na primeira metade da década de 90, prevê a construção de quatro hidrelétricas (nomeadas Tijuco Alto, Funil, Itaóca e Batatal) para gerar energia.

O Ribeira de Iguape é o único grande rio do Estado de São Paulo que não tem barragens, o que permite que seu curso de água corra livre desde sua nascente até sua foz, no Oceano Atlântico. Se as quatro barragens forem construídas, inundarão permanentemente 11 mil hectares de terra abarcando unidades de conservação, cidades, terras de quilombos e de famílias de pequenos agricultores. Além do mais, alterará significativamente o regime hídrico do rio, o que implica em alto impacto ambiental no coração da Mata Atlântica. Trará prejuízos sociais e econômicos para milhares de famílias e danos irreversíveis à Mata.

A preservação ambiental é a vocação natural do povo no Vale do Ribeira, diferentemente da vocação do grupo Votorantin, que em nome da sustentabilidade pode tornar insustentável o bioma da Mata Atlântica e ainda quer a permissão do governo, mais subsídios para a construção das obras - e claro com alto consumo de cimento Votorantin.

Não é só riqueza ambiental que torna a região do Vale do Ribeira singular. Seu patrimônio cultural e o conhecimento tradicional é igualmente valioso. Em seu território mora o maior número de comunidades remanescentes de quilombos de todo o Estado de São Paulo, presentes na região desde o século XVIII, 2.456 famílias de caiçaras e 12 aldeias do povo Guarani - milenares habitantes da região - que se relacionam com a natureza pautados por princípios éticos e religiosos que perduram. São povos que exibem um modo de vida altamente responsável com a natureza. Já o grupo Votorantin, como é de conhecimento público, se origina no monocultivo da cana-de-açúcar em Pernambuco e desenvolve -apartir de então- uma cultura em permanente conflito com o meio ambiente.

Por tudo isso a marcha na semana de defesa das águas convocada pelo MAB e pelos quilombolas contou com o apoio e participação das comunidades Guarani, pescadores artesanais, pequenos agricultores, estudantes e religiosos da diocese de Registro, com o Bispo Dom José Luiz encabeçando a caminhada. Também participaram o Vereador Raúl Calazans do PT de Registro, o prefeito de Jacupiranga, também do PT e o deputado estadual Raúl Marcelo do PSOL de São Paulo.


Fórum

  • Vale do Ribeira organiza marcha em defesa da Mata Atlântica
    18 de maio de 2007, por Elcio
    Em primeiro lugar acho ridiculo qualquer forma de censura o cerceamento, pois qualquer manifestação neste site precisar antes passar pelo crivo de seu organizador, isso já cria uma barreira contra qulauqer tipo de manifestação favorável ou contraria. Sou a favor das barragens no Rio Ribeira de Iguape, pelo simples motivo de que a grande população do Vale do Ribeira está pagando pelo progresso do resto do Estado, o que vcs que são contrários a barragem podem oferecer ao Vale do Ribeira, para que quem realmente mora no Vale possa continuar a preservar, necessitamos de escolas, faculdades estaduais e federais, empresas que gerem emprego para nossa população, se conseguirmos viabilizar as barragens para que não haja mais enchentes, as terras mais ferteis do estado de São Paulo que é a lomba da ribeira, poderemos criar miseravelmente 10.000 empregos direta ou indiretamente, transformando a lkomba da ribeira em um novo cinturão verde, pois estamos no centro de 04 grandes centros (Sorocaba, São Paulo, Santos e Curitiba).
    • Vale do Ribeira organiza marcha em defesa da Mata Atlântica
      21 de junho de 2007, por André Murtinho Ribeiro Chaves
      Em segundo lugar esta é uma mensagem vazia. Como a sua, caro Élcio.
    • amigo elcio você não sabe da importancia que o rio ribeira tem para seus ribeirinhos
      31 de março de 2008, por alaertis
      destruir este manancial è o mesmo que destruir avida de um povo, a obra deve gerar alguns milhares de emprego, e que vai durar no maximo 3 anos. meu amigo elcio como vai ficar os nossos ribeirinhos, afauna e aflora, as cavernas, quilombolas. elcio tu não noçã do que escreveu voê è fraco de conhecimento.
  • Vale do Ribeira organiza marcha em defesa da Mata Atlântica
    9 de abril de 2007, por Mário César de Mauro

    USINA DE TIJUCO ALTO NÃO VAI INUNDAR ÁREAS QUILOMBOLAS

    Esta é a conclusão do próprio relatório de vistoria do IBAMA e ponto destacado no EIA-Rima

    A manifestação que a MOAB - Movimento dos Ameaçados por Barragens realiza neste sábado (24/03), na região do Vale do Ribeira, é resultado de uma interpretação errada sobre qual será o impacto efetivo da construção da Usina de Tijuco Alto. Segundo a CNEC Engenharia - empresa responsável pela execução dos estudos ambientais do projeto, a construção da hidrelétrica não vai inundar, em hipótese alguma, terras de comunidades quilombolas.

    O EIA-RIMA (Estudo e Relatório de Impacto Ambiental) comprova que a primeira comunidade quilombola rio abaixo - a de Porto Velho - está distante 42 Km pelo curso do Ribeira de Iguape ou 24 Km em linha reta. Prevista para ser construída na região do Alto Ribeira, a usina se localizará a uma distância de 335 Km da foz do rio.

    A CNEC Engenharia levantou, a partir de dados oficiais, a relação de todas as comunidades quilombolas ao longo do Ribeira, principalmente no Baixo Ribeira. No relatório de vistoria o próprio IBAMA constatou que os remanescentes de quilombos estão fora da área onde será a barragem e o reservatório da hidrelétrica.

    É importante lembrar que está em licenciamento exclusivamente a usina de Tijuco Alto, e que o empreendedor já manifestou publicamente que não tem interesse em qualquer outro empreendimento neste rio.

    A interpretação infundada cria uma imagem equivocada sobre o efetivo impacto de Tijuco Alto, com o objetivo de colocar obstáculos à construção da hidrelétrica.

    Também é importante esclarecer que na região do empreendimento, no Alto Ribeira, que compreende os municípios de Adrianópolis, Apiaí, Ribeira, Dr. Ulysses, Cerro Azul e Itapirapuã Paulista, o projeto conta com o apoio de grande parte da população bem como das lideranças políticas locais e regionais.

    Conheça melhor o projeto da Usina Hidrelétrica de Tijuco Alto visitando o site www.usinatijucoalto.com.br

    GP Comunicação / Assessoria de Imprensa projeto UHE Tijuco Alto (11) 3129-5158 Mário César de Mauro (11) 9643-1287 // (11) 8367-0219 Giovanna Picillo (11) 9175-7550 // 8477-1405 gp@gpcom.com.br

    • São Paulo não quer a Barragem
      13 de abril de 2007, por André Murtinho Ribeiro Chaves

      Caro Mauro,

      Entendo a sua disposição em defender o empreendedor, só lamento que você não toca em alguns pontos essenciais. O que me deixa tranquilo é que a população do Vale do Ribeira não está mais acreditando neste papo de que vocês não têm interesse em construir outras usinas (quem barra um trecho do ÚLTIMO rio não perde nada em barrar o resto) e muito menos de que este empreendimento trará desenvolvimento econômico para o Vale.

      Primeiro por que a energia produzida por esta (ainda que seja uma) usina não contribuirá em NADA para o Vale do Ribeira e sim para a fábrica de Alumínio em Alumínio e para os bolsos de seu dono. Emprego? Estabilidade? Com certeza, não. Segundo, você acha mesmo que uma empresa poluidora do porte da CBA, que é do Grupo Votorantim, que por sua vez está espallhando um deserto verde de eucalipto no sul da Bahia e no Espíto Santo, principalmente em terras indígenas, pensa no bem estar das populações quilombolas, ribeirinhas e caiçaras? Caiçaras, sim, pois no Complexo Estuarino-Lagunar de Iguape-Cananéia-Paranaguá, uma rica região de vida, de pesca e de cultura, podemos correr o risco de um desequilíbrio ecológico nos manguezais, que são berçários da vida marinha e terrestre.

      Pois se você quer convencer aos desinformados que a Usina de Tijuco Alto não trará impacto para as comunidade quilombolas, podemos afirmar que certamente trará prejuízo para o nosso estuário, bem abaixo de Eldorado e Iporanga. É só comparar com o histórico de degradação do Rio São Francisco, principalmente na foz: começou com uma usina acima e hoje o rio está assoreado em diversos pontos e suas águas nem força mais têm para avançar no mar. É só comparar com a usinas da CBA em Juquiá, aqui no Vale. O IDH da cidade é um dos piores do Vale. Será que é porque no rio que dá nome à cidade tem 7 usinas da CBA? Que desenvolvimento houve a não ser o enriquecimento de uma família. O lucro sempre fica com vocês, o prejuízo sempre fica com quem mora na região e depende dela. Não caiam neste discurso tolo e não deixem interceptar a nossa cultura e a nossa vida.

      Ah, antes que me esqueça, se no Paraná você acha que as populações apóiam o empreendimento (embora e u truque esta informação), aqui em São Paulo posso afirmar: NÓS NÃO QUEREMOS!

      André - Ecólogo Marinho e Professor de Ciências

      • São Paulo não quer a Barragem
        28 de outubro de 2008, por Joana

        Acredito que mais do que barragens, necessitamos hoje é preservar o pouco ou quase nada que nos resta da Mata Atlântica. Há outras formas de se gerar energia sem agredir o meio ambiente, uma delas é energia solar, se faz necessário que as ações humanas no presente garanta a vida para as gerações futuras.

        Se pararmos para refletir sobre a Usina de Itaipu que, os interessados em sua construção diziam que nenhum impacto haveria sobre o meio ambiente, certamente nos convenceremos que, sua construção alterando o cursos das águas, acabou por interfirir na produção agrícola daquela região.

        Joana Olher da Silva - Assistente Social e Educadora Ambiental

    • Vale do Ribeira organiza marcha em defesa da Mata Atlântica
      19 de abril de 2007, por noel castelo da costa

      Interessante a sua òtica sr. Mário Cesar Mauro, para o sr. cauasr danos ou prejuizos aos quilombolas, só se estes estivessem diretamente dentro da área a ser feita a construção. O que esperar de pessoas como o sr que só vêem o dinheiro como fonte para tudo na vida , coisa que os quilombolas e as demais comunidades tradicionais não têm o privilégio. O que esperar das nossas autoridades, num país que escravizou os negros e índios por mais de 500 anos, e que a corrupção, principalmente quando se refere às construções de grandes obras(desvios de dinheiro) torn’-se o mote da ética, da honestidade e outras putarias todas que estamos cansados de ver e ouvir neste país? Queria ver se fosse a sua família, se fosse a sua propriedade, que caso o sr tivesse feito algum tipo de esforço para conseguir que estivesse em jogo. Porque o sr não usa da honestidade e e não esclarece ao povo o seguinte: Na área a ser construída a barragem não tem quilombos, mas a construção afetará sim essas comunidades, afetará a sua sobrevivência, o seu modo e o seu meio de vida. A pesca tradicional, respeitando às épocas corretas para tal prática, coisas que a CBA, nunca respeitou e não será agora que irá respeitar. Mudarão o ciclo do rio, inundar’ ao as cavernas, etc. Acabarão com a qualidade da água, a não ser que os quilombolas também não tomem dela ao longo do rio!!!!!!!

      Noel castelo da costa, Pedagogo, Diretor de escola.

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