CirandaCiranda Internacional de Informação Independente
Para que outro mundo seja possível, é preciso reinventar a comunicação

Página inicial

FSM 2009 BELÉM FM Mídia Livre ]

Ciranda Mundi Ciranda Brasil Ciranda Afro]

Educação

Global Nairóbi Policêntrico Porto Alegre India Social Forum Oaxaca!]

Mapa do site

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(JPG)

(GIF)

sistema de publicação (JPG)

CirandaCiranda RSS

TV | Rádio | Fotos
Centro de Mídia Independente

Contra a Lei Arouca!

Leia e distribua o jornal PASSE, do Movimento Passe Livre de São Paulo


TV CIRANDA

Estúdio Livre

TV PIOLHO

RÁDIO PIOLHA

Programa de 10.04 - Recife

Programa de 31.03 - Recife

Programa de 29.03 - Recife

Programa de 25.03 - Nova Iguaçu

Programa de 23.03 - Nova Iguaçu

Casa Macunaíma

Cayapa - Forum TV

01 02 03 04 05 06 07 08

Site oficial do FSM

Fórum de Abril

FME-Nova Iguaçu

Será mesmo uma ironia?

domingo 8 de julho de 2007

A cena é típica em qualquer “sub-mundo” brasileiro. E por mais que os habitantes dos morros gritem por socorro, a resposta vem como um tiro de fuzil, disparado por policiais, toda semana na quebrada

Jéssica Balbino

Foto: P.St.Jacques

Casas sem reboco, dependuradas nos morros e encostas, vielas sujas e abandonadas, o mau cheiro dos esgotos a céu aberto misturam-se com o mau cheiro da violência. Milhares de crianças estão sem escola, envolvidas com o tráfico de drogas. A violência é generalizada. Exploração do trabalho. Subemprego, ônibus, trens e metrôs. Chacinas e invasões policiais.

Este é o retrato da senzala moderna, mais conhecida como favela, periferia ou gueto. Crianças estão jogadas, largadas por todos os cantos, tentando fazer do duro e sofrido dia-a-dia algo mais leve e alegre. Os campinhos de futebol estão presentes em toda parte, na terra batida, com traves improvisadas e bolas roubadas.

“- Aqui não era para ser um campo de futebol?” perguntam alguns garotos ao se depararem com um cemitério clandestino no meio da favela.

Sim, a sociedade promete, a elite ironiza, e a guerra continua. A céu aberto estão covas e corpos, sangue fresco de quem morreu há pouco, e é enterrado ali mesmo, como indigente, com a mãe chorando ao lado. Lágrimas desesperadas, de quem já sabia o futuro do filho.

A cena é típica em qualquer “sub-mundo” brasileiro. E por mais que os habitantes dos morros gritem por socorro, a resposta vem como um tiro de fuzil, disparado por policiais, toda semana na quebrada.

Aliás, a polícia e a sociedade matam mais do que a AIDS. Uma situação irônica? Acho que mais triste e desesperadora do que qualquer outra coisa.

Que futuro tem a criança que dribla a bola em meio aos corpos caídos na favela? Pelos becos e vielas também há outros, esperando uma vaga no novo “cemitério” que está sendo construído.

Do lado de lá, no asfalto a “burguesia” delicia-se com o fato irônico, tentando explicar como ele foi descoberto, contanto piadas acerca da situação.

A imprensa adora, é mais sangue estampado na primeira página. É uma branda denúncia ao sistema !?

A solução ? Ninguém conhece. Se conhece, desconhece.

O menino que queria o campo de futebol prometido sonha a noite, com uma bola nova, um par de chuteiras, e um campo igual ao que ele vê na TV. Mas ele vai ter que esperar, crescer para poder virar ladrão, traficante e respeitado no morro, aí vai poder comprar tudo isso, se ele não morrer e cair na cova de mais um cemitério que poderia virar quadra esportiva.


Copyright © 2004 - 2006 por Rede de Autoria Ciranda
Todo material neste sítio web, pode ser reproduzido livremente, desde que permaneça livre e a fonte seja citada, seguindo os termos da Creative Commons License: Atribuição-UsoNãoComercial-PermanênciaDaLicença.