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Para não esquecer a tragédia palestina

terça-feira 20 de novembro de 2007, por ,

No dia 29 de novembro de 1947 as Nações Unidas recomendaram a partilha da Palestina em dois estados, um judeu e um árabe, não obstante a avaliação da própria ONU (Organização das Nações Unidas) de que tal medida poderia contrapor-se ao princípio da autodeterminação.[1]

O plano de partilha da ONU jamais foi integralmente implementado. No entanto, criou o cenário da guerra de 1948, durante a qual Israel foi unilateralmente estabelecido como um Estado judeu mediante a limpeza étnica de mais de três quartos do povo palestino, confiscando suas terras e impedindo o seu retorno. Essa guerra é lembrada pelos palestinos como a Nakba (catástrofe). Desde então, as políticas e práticas israelenses violam a lei internacional, incluindo a Quarta Convenção de Genebra e a Convenção Internacional de Supressão e Punição do Crime de Apartheid.

Em 1974, a ONU afirmou (Ungar 3236) que os palestinos, na qualidade de nação, possuem uma série de direitos inalienáveis: à autodeterminação sem interferência externa; à independência nacional e soberania; e a retornarem a seus lares e propriedades dos quais foram deslocados e desenraizados. Em 1977, a ONU declarou o dia 29 de novembro como o Dia de Solidariedade ao Povo Palestino.

Hoje, o Estado de Israel reclama legitimidade com base no plano de partilha da ONU de 1947, não obstante o fato de que continua a violar o direito internacional e não respeita as deliberações das Nações Unidas sobre questões-chave como fronteiras, o retorno dos refugiados e proteção dos direitos de minorias. As expulsões executadas pelas forças armadas israelenses destruíram a sociedade palestina existente até então.

Hoje, Israel continua a negar o direito de retorno dos refugiados e a discriminar seus cidadãos palestinos. Israel controla de fato toda a Palestina histórica. Após 40 anos de ocupação militar israelense, e quase 60 anos desde a Nakba palestina de 1948, reafirmamos os direitos inalienáveis do povo palestino. Reiteramos o chamado de 2005 das sociedades civis palestina e global para que se pressione contra o regime de apartheid israelense através de uma campanha de boicotes, desinvestimento e sanções (BDS) até que os direitos palestinos sejam obtidos.

Nos comprometemos a fazer de 2008 um ano de conscientização sobre a Nakba palestina e sobre o direito de retorno dos seus refugiados. Nos uniremos às comunidades palestinas dentro de Israel, nos territórios ocupados e no exílio, em mobilizações por um ano de campanhas de educação, tendo como início o dia 29 de novembro de 2007.

Em 26 de Janeiro, participaremos da Ação Global convocada pelo Fórum Social Mundial, com mobilizações em solidariedade ao povo palestino

Em 15 de maio de 2008 marcaremos um dia de mobilização global para lembrar a Nakba e a incessante usurpação dos direitos palestinos.

60 anos de expulsão e usurpação bastam!

Chamamos pela realização plena dos direitos inalienáveis do povo palestino!

Leia também: Lançamento da campanha de educação sobre a Palestina, hoje