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Dia de Ação Global FSM 2008 - 26 de Janeiro

T e m a s

Sábado-feira abre caminho para a história de Sampa no FSM

domingo 27 de janeiro de 2008

Cerca de 2500 pessoas, que se dividiram entre rodas de conversa, teleconferência com outros países, manifestações culturais, exposição, intervenção urbana e seminários, participaram da mobilização no Colégio São Luis marcando presença no Dia de Mobilização e Ação Global.

Thais Chita

Um dia após a comemoração dos seus 454 anos, São Paulo figurou entre as 48 cidades brasileiras que resolveram se juntar a mais de 80 países num esforço de chacoalhar o planeta durante mais uma edição do Fórum Social Mundial. Cerca de 2500 pessoas, entre expositores e público geral, circularam pelo espaço que no imaginário de muit@s já é o começo de uma boa história de ações no Fórum Social Mundial. O Sábado-feira aconteceu dia 26, das 9h às 18h.

“Estão me perguntando como será a mobilização em São Paulo no próximo ano”, comentou Chico Whitaker, do Conselho Internacional do Fórum e da organização do Sábado-feira puxada pela Comissão de Justiça e Paz e Associação para o Desenvolvimento da Intercomunicação (ADI). E emendou: “Demos início à conexão de São Paulo com as demais cidades brasileiras e com o mundo. Estamos experimentando esse modelo descentralizado dos fóruns e creio que o caminho é esse porque proporciona um maior acesso às pessoas. Isso não significa que não devamos investir energia na grande edição em um lugar só. É possível caminharmos com ambas opções.”

Para Whitaker, um aprendizado importante na realização das duas atividades na capital - incluindo o Ato político baseado na peça do Rei Lear, organizado pela Coordenação dos Movimentos Sociais e que contou com a fundamental participação d@s diretor@s de teatro Graça Cremon, Dulce Muniz, Rubens Brito, Thiago Reis Vasconcelos, Marcos Pavanelli - foi a descoberta da potencialidade de articulações dos grupos, redes, movimentos e instituições locais. “Basta saber que conseguimos realizar as duas ações em três meses. Com o esforço de tod@s a gente chega lá”, disse animado e sorrindo.

Durante todo o dia os(as) participantes compartilharam experiências, discutiram temas da agenda social nacional e internacional, conversaram com ativistas da França, Alemanha, Itália, Espanha e Palestina, interagiram com os grupos que fizeram apresentações culturais e até com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP) que passou por lá. “É uma das maneiras de inspirar a cidade no sentido de articular e promover trocas, debates, pensando em diferentes instrumentos para concretizar políticas públicas que irão nos levar ao mundo que queremos”, respondeu o senador à repórter da Ciranda.

Segundo Diocene de Oliveira, da ONG Associação Rede Rua, esse outro mundo passa pela ocupação de espaços públicos que a cidade já dispõe. “Fica como sugestão para as próximas edições que realizemos os fóruns nas praças, parques, associações, ruas e etc. Fiquei muito feliz com a iniciativa de organizações paulistanas e estou participando por acreditar na transformação sobretudo por meio dos movimentos populares que politizado e organizado pode contribuir muito.”

Embora a pequena Jennifer Karolaine de apenas 10 anos estivesse nervosa antes da apresentação do grupo da ONG Meninos da Lata, eles e elas vieram não só ensaiados, mas com o “corpo bem afinado” porque é dele que também produzem o ritmo que levantou o público. “Para nós é um prazer enorme participar desse tipo de mobilização porque interagimos com outras pessoas, trocamos experiências e recebemos muito carinho e atenção”, pontuaram Ana Cláudia Rodrigues das Virgens e Filipe Tomaz Marques da Silva, ambos com 15 anos e participantes de outros fóruns.

Para Emerson Araújo do Nascimento, 14, e Jonatas dos Santos, 15, uma das situações que mais chamou a atenção deles durante o Sábado-feira foi a palinha que o artista performático e ativista Winfried Zimmermann deu. “Ele ’pegou’ rápido nosso ritmo. Ele é muito bom”, declararam. Zimmermann é o alemão de Stuttgard que veio ao Brasil pela proposta de intercâmbio entre os dois países no Dia de Mobilização e Ação Global. E daqui, o enviado foi o Padre José Carlos de Freitas Spínola, criador do Projeto Reciclázaro, referência internacional de trabalho com educação ambiental.

“É uma satisfação interargir e ver quantas possibilidades de mudanças existem. Isso fortalece nossas lutas que no fundo é uma só”, pontuou Daniel Guimarães, 21, da Juventude da Legião da Boa Vontade.

Thaís Chita é jornalista do Instituto Paulo Freire e da Ciranda.

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