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Expandindo a humilhação no Iraque

quarta-feira 2 de julho de 2008
Jornal Oriente Médio Vivo

Quando as forças estadunidenses invadiram Bagdá há cinco anos, pareciam imbatíveis. A arrogância imperialista demonstrava que em pouco tempo o mesmo cenário se repetiria em Teerã ou Damasco. Mas as festividades ocidentais acabaram tão brevemente como começaram.

orientemediovivo

Quando as forças estadunidenses invadiram Bagdá há cinco anos, pareciam imbatíveis. A arrogância imperialista demonstrava que em pouco tempo o mesmo cenário se repetiria em Teerã ou Damasco. Mas as festividades ocidentais acabaram tão brevemente como começaram. Pode-se dizer que o dia em que Saddam Hussein foi oficialmente derrubado marcou o início dos verdadeiros combates no Iraque, e também o fim dos sonhos estadunidenses. Entretanto, ao que tudo indica, George W. Bush ainda planeja fazer da invasão do Iraque o seu legado.

O líder dos Cruzados, que um dia prometeu “enfrentar a tirania a qualquer preço”, mobilizou a sua administração nas últimas semanas em uma manobra propositalmente omitida pela mídia ocidental, no intuito de conseguir um acordo com o governo-fantoche iraquiano para garantir os interesses colonialistas dos Estados Unidos no Iraque. Nesse momento-chave da administração Bush, advogados e diplomatas estadunidenses lutam no parlamento do Iraque para aprovar uma lei que lhes garante o controle do petróleo iraquiano, o estabelecimento de 13 bases militares permanentes no país e imunidade a cidadãos estadunidenses das leis iraquianas - tudo por “tempo indefinido”.

A missão colonialista não será fácil. A Casa Branca insistiu na retórica derrotada de “levar democracia, liberdade e segurança” ao povo iraquiano, com o intuito de pressionar a ONU, um órgão que se provou fraco e irrelevante desde 2003, a fim de legitimar temporariamente a ocupação. Mas a conduta estadunidense no solo iraquiano contava outra história: uma Cruzada imperial, monopolizando a violência e o total desrespeito para com a Lei Internacional, ignorando a soberania do Iraque e os direitos humanos de toda uma nação. No momento em que se aproxima o fim do mandato da ONU da permanência estadunidense no Iraque (em 31 de dezembro de 2008), a administração Bush tem a árdua tarefa de convencer os iraquianos, os mesmos que viram todos e quaisquer direitos ignorados, a ceder e permitir que os Estados Unidos permaneçam no país. Após 31 de dezembro deste ano, o governo iraquiano tem a liberdade legal de convocar os estadunidenses para se retirarem do país - e levar embora com eles os sonhos coloniais.

Com esse acordo, os Estados Unidos procuram substituir o aval da ONU por um concedido pelo próprio governo do Iraque - trata-se de uma tentativa de burlar a Lei Internacional, e evitar possíveis vetos da Rússia e da China, caso alguma votação sobre o caso aconteça na Assembléia Geral da ONU. Contudo, enquanto as retóricas militares disseminam a procura pela “estabilidade” no Iraque, o maior interesse da administração Bush é que o governo iraquiano não consiga sustentar-se sozinho, sendo assim obrigado a assinar o acordo para contar com o apoio militar estadunidense. Esse é um dos motivos pelo qual o governo-fantoche de Nouri al-Maliki, instalado pelos Estados Unidos, é propositalmente frágil, cercado por inimigos que somente aguardam a retirada das tropas estadunidenses para lutar pelo poder. É um ponto a favor do plano da Casa Branca, que coloca a nação iraquiana sob seqüestro de uma força estrangeira.

Desde o final de 2007, oficiais da ONU e políticos do Iraque afirmam que não têm a intenção de ceder um novo mandato de permanência aos Estados Unidos. O acordo proposto pela administração Bush, portanto, representa a única opção que pode legalizar a ocupação. A idéia do acordo é dar a impressão de que a relação entre os Estados Unidos e o Iraque não é uma entre ocupante e ocupado, mas de dois “soberanos” com “interesses mútuos”. Pode-se argumentar que não existem possíveis cenários agradáveis para o Iraque sob a presença militar dos Estados Unidos. Os tesouros iraquianos do passado foram roubados, destruídos ou desperdiçados imediatamente após a sua “libertação”. O presente é marcado pelo derramamento de sangue e por uma triste incerteza. A administração Bush quer agora garantir que o futuro do país também seja movido pela violência, humilhação e tristezas de guerra.

FONTE: Jornal Oriente Médio Vivo - http://www.orientemediovivo.com.br Edição nº109 - http://orientemediovivo.com.br/pdfs/edicao_109.pdf

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