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O Machado e o Pênis: Neocolonialismo mineral, os mitos e interesses do Pará

quinta-feira 2 de outubro de 2008

Com um título meio impróprio para menores e, em certos momentos, boa dose de humor e ironia nas entrelinhas, este livro traz uma coletânea de meus artigos publicados em diversos saites na internet

Nelson Tembra

Com um título meio impróprio para menores e, em certos momentos, boa dose de humor e ironia nas entrelinhas, este livro traz uma coletânea de meus artigos publicados em diversos saites na internet, principalmente no Portal Amazônia, e em revistas e boletins técnicos especializados na temática ambiental, sempre buscando a compreensão dessas questões de forma transversal e analítica, lançado na XII Feira Pan - Amazônica do Livro, no Hangar, em Belém no Pará.

A coletânea traz à reflexão circunstâncias sob as quais, diante de ausência de políticas públicas, ou políticas públicas deficientes e mal conduzidas, restam como ’ferramentas’ ao pobre mais amazônico o machado, para derrubar a floresta e vendê-la por ’preço de banana’, e o pênis para multiplicar problemas sociais.

’O Machado e o Pênis’ traz citações do Primeiro Livro de Moisés, ’Gênesis’, o qual, segundo o autor, contém os primeiros registros históricos conhecidos sobre meio ambiente, política, reforma agrária, a criação das leis e sobre a escravidão nas variadas formas.

O livro passa pelo processo de colonização do Brasil, explicando razões históricas da exaustão da Mata Atlântica e a sua literal permuta por ’bugigangas’, pelos próprios índios, alertando para o perigo da repetição de erros cometidos no passado sobre o futuro da Amazônia. Também traz citações sobre a história da imprensa no Estado, mostrando que os interesses políticos e econômicos sempre caminharam lado a lado com a imprensa no Pará.

Um dos pontos mais importantes levantados nesta obra traz revelações sobre o cerne de problemas que têm sido publicados na imprensa, com mais freqüência, sobre atos de protestos de populações tradicionais e movimentos sociais, como conseqüência da implantação e operação de projetos altamente impactantes.

O livro traz uma análise da legislação ambiental brasileira, aplicada a um exemplo didático real da área de mineração, e mostra que o licenciamento não se destinaria apenas para monitorar diversos ambientes - físico, biótico, antrópico, socioeconômico - nas áreas de influência dos projetos. Para o autor, o licenciamento deveria servir como instrumento técnico, e não político, de contrato entre o estado e o empreendedor, no estabelecimento de justas compensações de impactos ambientais.

Por último, o livro traz uma abordagem sobre os estoques ou ativos ambientais brasileiros, aí incluídos os recursos naturais renováveis e não renováveis. A conclusão é que há uma grande distorção na estrutura de cálculo do Produto Interno Bruto brasileiro, pois o valor monetário da perda ou redução dos estoques ambientais é contabilizado como ’ganho’ e acaba embutido na receita das mineradoras, mas não deveria fazer parte da sua renda.

E encerra com um artigo de Luciano Martins Costa, para o Observatório da Imprensa, com publicação devidamente autorizada, onde observa-se que "as questões envolvidas nas expressões ’responsabilidade social corporativa’, ’investimento social privado’, ’responsabilidade ambiental’ e ’sustentabilidade’ ainda são tratadas na imprensa brasileira em nível muito superficial - e de maneira muito irresponsável, pode-se afirmar". "Não bastaria dizer, como justificativa, que as mudanças de paradigmas sempre demoram a se concretizar e a compor tendências, que estaríamos vivendo um momento de transição e que, portanto, é natural esperar que as cabeças pensantes da imprensa se situem no novo contexto".

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