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Entrevista: Uiton Tuxá

segunda-feira 8 de maio de 2006
Leia na Agência Repórter Social

Líder da Apoinme, segunda maior organização indígena do país, aponta por que Lula decepcionou: para não comprometer base no Congresso, ficou calado sobre avanços dos anti-indígenas

Cristina Charão

Otimismo, Uiton Tuxá só demonstra ao falar dos avanços na articulação das lutas dos povos indígenas. Liderança da Articulação dos Povos Indígenas do Nordeste, Minas e Espírito Santo (Apoinme), a segunda maior organização do gênero no país, Uiton apresentou um balanço sobre a situação indígena no país durante o II Fórum Social Brasileiro, em Recife. Feita ainda durante o Abril Indígena - mês de mobilização convocado pelas organizações -, a avaliação do líder indígena sobre a atuação do governo Lula é branda no que diz respeito à possibilidade de diálogo.

“Não se pode negar que podemos conversar com eles”, disse Uiton. Já os números recolhidos pelas organizações explicam as razões da decepção dos indígenas com Lula. Comparando o número de terras identificadas (primeira etapa do processo de reconhecimento, onde há a declaração de qual território pertence a determinado povo), demarcadas (segunda etapa, com a delimitação formal) e homologadas (última etapa, de emissão do documento de posse), os indígenas apontam um retrocesso no governo Lula em relação às duas primeiras ações.

Enquanto Fernando Henrique Cardoso identificou em média, em cada mandato, 52 novas terras indígenas, o atual governo o fez apenas em 39 processos. Na demarcação dos territórios, a situação é ainda mais desfavorável à Lula. São 59 em cada mandato de FHC (em média) contra 18 nos três primeiros anos do atual presidente. A única etapa em que Lula reúne números expressivos é na homologação de terras.

Mas para Uiton essa é “a parte mais fácil”. Em entrevista exclusiva à Agência Repórter Social, Uiton oferece uma explicação para tal retrocesso. Segundo ele, as seguidas crises no governo complicaram a relação do presidente com o Congresso. Assim, Lula não teria tido mais coragem de confrontar o que Uiton chama de “bancadas antiindígenas” (dos madeireiros, latifundiários, das mineradoras) para não perder a sua volátil base parlamentar. Na outra ponta, os parlamentares que tradicionalmente apoiavam o movimento indígena sumiram diante do avanço do bloco contrário. “Alguns parlamentares, infelizmente, diante dessas divulgações não querem envolver seus nomes defendendo a questão indígena”, afirma, dizendo que os antiindígenas aproveitaram a omissão para bancar a criminalização das lideranças dos índios.

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