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T e m a s

O uso da infância

domingo 24 de maio de 2009

É ético explorar e rir de uma criança em rede nacional de TV?

Marcus Tavares

Assistir à TV aberta aos domingos não é uma experiência prazerosa. Faltam iniciativas interessantes que substituam os programas de auditório, que se repetem a cada semana com a mesma fórmula. Em vez de apostarem em produções mais criativas, para buscar elevar a audiência, os canais acabam apelando.

Já teve de tudo: o polêmico sushi erótico, em que mulheres seminuas eram transformadas em bandejas cobertas com comida japonesa para o deleite dos convidados masculinos; a brincadeira da banheira, na qual casais, de biquíni e sunga, disputavam qual deles conseguiria tirar o maior número de sabonetes; e os aviãozinhos de dinheiro jogados para a platéia.

Nas últimas semanas, mais um triste episódio entrou para a história. Mas, desta vez, a protagonista foi a infância. Ao participar de duas edições do Programa Sílvio Santos, do SBT, a menina Maisa, de apenas seis anos, apresentadora infantil, chorou frente às câmeras.

Na primeira vez, ela se assustou com um garoto vestido de monstro. Na segunda, foi ridicularizada por ser medrosa. Confusa, ainda bateu com a cabeça em uma das câmeras do estúdio.

Nos dois momentos, enquanto Maisa berrava e chorava, o apresentador Sílvio Santos e a platéia - em sua maioria formada por mulheres e possivelmente mães - riam da menina. As cenas já viraram febre no You Tube.

Alguns dizem que tudo pode ter sido combinado nos bastidores. O fato é que houve um desrespeito com a infância. É digno e ético usar uma criança para tal fim? É engraçado? Podemos aprovar tal atitude? Lamentável. O Ministério da Justiça advertiu o canal.

Jornalista, professor e especialista e Educação e Mídia


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