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P a r t i c i p a n t e s

O racismo que Veja que não vê

sexta-feira 25 de agosto de 2006
Observatório Negro

As falácias da revista na análise da questão racial brasileira. Artigo de Ana Paula Maravalho.

Imagem: Ares Humor Gráfico

A revista Veja desta semana traz matéria sobre o recém lançado livro do jornalista Ali Kamel, diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, Não somos racistas, no qual, segundo o periódico, o autor desbanca em "análise demolidora", "as falácias da política de cotas raciais" ("Contra o mito da `nação bicolor’", pág. 126).

Nos gráficos que ilustram a reportagem, a revista afirma que "os movimentos que reivindicam cotas no mercado de trabalho para negros dividem a população brasileira em duas raças" (brancos:52% e negros: 48%), e em seguida que "o jornalista Ali Kamel observa que esta conta ignora os pardos - os numerosos filhos da miscigenação brasileira. Os números corretos seriam outros: brancos - 52%; negros - 6% e pardos- 42%".

A revista repete aqui, pela enésima vez, um expediente falacioso ao qual recorre a cada vez que se posiciona contra as cotas: o de confundir o leitor, ao utilizar, errônea e propositalmente, o termo "negros" para significar "pretos".

Como veículo jornalístico que é, elaborado por profissionais competentes no manejo das informações, e mais ainda, já alertada por leitores atentos às numerosas reincidências no malogro determinado que comete, a revista e seus editores sabem muito bem que "os movimentos que reivindicam cotas" utilizam o termo "negro" para indicar a população formada pela soma de "pretos" e "pardos", que vêm a ser os termos utilizados pelo IBGE para classificar a população afro-descendente no Brasil.

Considerando que os efeitos do racismo no Brasil atingem indistintamente estes dois grupos (ao contrário do que supõe a teoria da democracia racial), os movimentos negros (atenção ao plural!), assim como vários pesquisadores de órgãos oficiais no país e membros da academia utilizam o termo "negro" significando a soma dos percentuais relativos aos auto-declarados "pretos" (6% da população brasileira) e "pardos" (42% da população), totalizando 48% de "negros".

O debate em relação às cotas é legítimo e saudável num país em que pouco se discutem os efeitos de um racismo permanente, contundente e cruel para com suas vítimas. Ser contra as cotas é um ponto de vista, que deve ser respeitado quando vem ao debate com limpeza de propósitos. No entanto, a utilização de argumentos falaciosos como o acima descrito, empregado pela citada revista, mais uma vez, com o único objetivo de desinformar e manipular o leitor, revela a pobreza de argumentos de quem procura, desesperadamente, tapar o sol com uma peneira.

O livro de Ali Kamel tem, no entanto, um mérito indiscutível: o de escrever com todas as letras a teoria abraçada pelo diretor executivo de jornalismo da Rede Globo, que não deve estar longe das diretrizes da própria emissora. E, a julgar pelo entusiasmo do jornalista que escreveu sobre o livro, também é a opinião da revista em questão. A base da teoria é a mesma que embala a nação brasileira desde suas origens: a de que não somos racistas porque somos um país de mestiços. Daí a necessidade de explicar, ou melhor, denunciar que "não há negros no Brasil".

É verdade que a composição racial brasileira não é fácil de explicar. Sem duvida, a categoria de "negros" não é homogênea. Tampouco a de "brancos"; o que leva à constatação de que, ao lado do aparentemente insolúvel problema de "quem é o negro no Brasil", há que se discutir a não menos complicada definição de "quem é o branco no Brasil". Sobretudo quando os argumentos contrários às cotas se concentram na negação da bipolaridade racial.

A definição da branquitude sofreu modificações ao longo de nossa História. Inicialmente reservada aos originários dos países da antiga Europa, os limites do conceito foram se alargando para absorver povos que, a princípio, encontravam-se do lado de lá do perímetro racial. É assim que pessoas que em outros países possuem identidade racial própria (e que sofrem discriminação por esta razão) podem legitimamente - e só no Brasil - reconhecer-se e afirmar-se "brancos". É verdade que, para os descendentes destes povos - judeus, árabes, orientais - a democracia racial funciona perfeitamente. Ainda que preservem valores culturais específicos, a teoria da mestiçagem os absorveu por completo, equiparando-os aos "brancos" em tudo.

Oposto ao contingente "branco" - real ou virtual - encontra-se sua antítese, o "negro". E aqui, também encontramos a influência da teoria da mestiçagem. No Brasil, é negro quem não pode ser considerado branco. A definição é bastante larga para permitir que negros suficientemente claros para cruzar a "linha da cor" possam se autodefinir como brancos. Num país onde ser negro sempre significou estar associado a tudo que é negativo, cruzar a "linha da cor" tornando-se branco é a única alternativa permitida pela idéia da mestiçagem. E é justamente aí que a política de cotas causa uma revolução, ao possibilitar que esta "linha" possa ser cruzada no sentido inverso: tornar-se negro passa a constituir, sim, uma opção de futuro.

Os brancos que se posicionam contrários às cotas o fazem por vários motivos. Entre eles está o de crer, com sinceridade, no mito da democracia racial, na relação harmônica e perfeita entre as diferentes raças em nosso país. É possível, e mesmo provável, que uma pessoa branca creia nisto, sinceramente. Motivos não lhe faltarão: afinal, a questão racial nunca foi uma prioridade em sua vida - nunca foi discriminada por sua cor, e se já discriminou alguém, nem percebeu (contar piadas sobre negros ou repetir alguns "provérbios" oriundos da infinita e sempre correta sabedoria popular não vale, não é? É só brincadeirinha, sem intenção de magoar ninguém!). Uma pessoa branca poderá viver sua vida inteira sem ser obrigado a definir ou declarar sua branquitude, a não ser no censo. Dificilmente terá passado pela experiência de ter seus erros justificados pela sua cor, ou de ver seus méritos - mesmo que excelentes - serem menosprezados também em função de sua cor.

Uma pessoa branca, mesmo pobre, sempre pôde se identificar pela sua cor com os heróis e heroínas de sua infância, fossem eles personagens de um filme, da novela, do livro de História ou mesmo de um livro de historinhas para crianças. Uma pessoa branca pode, sinceramente, achar que nunca fez distinções entre brancos e negros. Esta nunca foi uma questão importante para ela, até surgirem as discussões sobre cotas para negros na Universidade e no mercado de trabalho. A revolta é então, legitimada pelo sentimento de se sentir usurpado em seu sagrado direito à igualdade por um grupelho que, de uma hora para outra, resolveu importar de outras paragens conflitos até então inexistentes no Brasil. Uma pessoa que pense desta maneira pode mesmo estar sendo sincera em sua revolta contra os que advogam que a política de cotas é a única solução para o problema racial brasileiro. Pois, segundo tudo o que acreditam, a verdadeira solução para o sucesso está no esforço pessoal, no mérito.

Estão aí para provar todos os negros que alcançaram posição de destaque em suas carreiras: a Glória Maria, a Zezé Mota, o Lázaro Ramos, isso pra não falar nos inúmeros cantores e jogadores de futebol negros, que ganham milhões!

O único problema é que, se estamos falando de democracia racial mesmo, não deveríamos poder "identificar" a Gloria Maria, a Zezé Mota, o Antônio Pitanga, o Lázaro Ramos, a Deise Nunes (para aqueles que não se lembram, ou não sabem, a nossa única Miss Brasil negra, "eleita" em 1986). E se dermos ainda mais tratos à bola, veremos que entre os exemplos de negros bem sucedidos há muito poucos no nosso círculo íntimo de amizades.

À medida em que subimos os degraus sociais, "muito poucos" vira eufemismo para "nenhum". Pois é muito possível, e mesmo provável, que uma pessoa branca das classes média e alta, no Brasil, atravesse toda a sua vida sem jamais cruzar com pessoas negras no seu círculo social. E aqui não falo do "álibi negro", aquele que os brasileiros costumam tirar da cartola cada vez que precisam explicar porque não são racistas - aquela empregada que é tratada como se fosse da família, aquele porteiro com quem conversa todos os dias, aquele menino negro a quem sempre dão um trocado no sinal.

Falo de pessoas com quem podem se relacionar de igual pra igual, com quem tenham estudado no mesmo colégio, com quem dividam, no mesmo nível, um posto no trabalho, com o mesmo salário, o mesmo carro. Tudo bem, vai. Um vizinho no mesmo prédio, na mesma rua, já vale. Ou a médica com quem costumam se consultar. O pediatra dos seus filhos. O dentista. Quantas destas pessoas são negras?

Se os exemplos nacionais e pessoais são tão poucos, já não seria um motivo de alerta de que esta democracia racial não é tão democrática assim? Sim, pois numa democracia racial digna deste nome, os negros que teriam "conseguido" seriam tantos que não deveríamos ser capazes de nomear, isolar, apontar "a" exceção que confirma a regra. Que regra? A de que pra "conseguir", para "chegar lá", ser branco é um dos requisitos. E ser negro atrapalha.

A não ser que haja outra explicação. A de que, se os negros não conseguem, é porque tem alguma coisa errada com eles, não com a sociedade. Deve ser porque eles são incapazes, preguiçosos, burros mesmo. Feitos para ser dominados. Geneticamente dotados para a pobreza e o crime. Bingo! Taí a explicação!

O problema com esta explicação é que ela não é, digamos, original. Não é uma decorrência lógica dos fatos, não é uma conclusão a ser tirada da realidade dos negros no Brasil. Na verdade, ela é a própria espinha dorsal do racismo, organizado como doutrina "científica" no século XIX e sistematizado como pedra de toque da concepção de nação brasileira: uma nação mestiça a contragosto, mas que poderia almejar seu lugar ao sol, entre os países civilizados, desde que promovesse o embranquecimento paulatino de sua população. E é a partir desta idéia sistematizada - a da mestiçagem como uma etapa necessária para promover o embranquecimento, de forma a que não haja mais negros no país - que se estabeleceram e se mantêm até hoje as relações raciais por aqui.

O embranquecimento não se resumiu aos discursos dos intelectuais da época, como Sílvio Romero, Oliveira Viana, Nina Rodrigues. Foi mesmo política oficial de governo, como quando o Estado brasileiro promoveu a entrada em massa no país de colonos europeus para ocupar os postos de trabalho liberados a partir da abolição da escravização, pagando a viagem e em muitos casos cedendo terras, insumos e máquinas, ao mesmo tempo em que fechava os portos aos africanos (decreto 528, de 28 de junho de 1890); ou quando o Itamaraty, em 1921, emitiu ordens explícitas para que as embaixadas brasileiras nos Estados Unidos negassem o visto aos afro-americanos que pretendiam comprar terras em Mato Grosso.

O embranquecimento é também a política dominante nos meios de comunicação brasileiros, que conseguiram, através da invisibilização da população negra (pretos e pardos, indistintamente) promover a imagem do país como formado quase 100% por brancos - basta ver as páginas das revistas de moda, de "boa forma" e muitas das novelas e minisséries televisivas.

Diante deste quadro, para não falar nas pesquisas que, desde 1990, vêm mostrando as diferenças abismais entre os índices de desenvolvimento humano de negros e brancos no Brasil, caem todos os argumentos que se posicionam contra as cotas por entenderem que em nosso país não há racismo. Esta discussão já foi superada, inclusive pelo próprio Estado, que em 1995, sob o comando de Fernando Henrique Cardoso, reconheceu que somos sim, um país racista.

O Estado Brasileiro também se comprometeu a empregar os esforços necessários para reduzir o abismo social causado pela discriminação racial histórica no país, em cumprimento aos Tratados e Convenções Internacionais dos quais o Brasil é signatário, e que incluem as ações afirmativas como instrumento de ação legítima contra o racismo. O livro de Ali Kamel já nasce, portanto, anacrônico e deficiente em seus argumentos. Pode-se ser contra as cotas por vários motivos. Negar a existência do racismo no Brasil, no entanto, beira o revisionismo.

* Conselheira Gestora do Observatório Negro.

Email: forum_mulheres@yahoo.com.br


Fórum

  • O racismo que Veja que não vê
    21 de junho de 2008, por Nilza Aparecida dos Santos
    Identificado o problema, há que dirimí-lo ou se educam os brancos ou se fortaleçam os negros. Negar que o racismo brasileiro não existe é anátema. Negar que se é negro ou preto o é igualmente. Mas não somos uma geração espontãnea .Temos uma origem, uma história anterior à história desse país. Se somos desprezados ou rejeitados em função da cor, não há por que sejamos também em valor. Haja visto os exemplos citados de negros bem sucedidos. No entanto como minoria talvez nos falte a humildade da reivindicação. Tendo trabalhado tanto com nossos braços (me refiro aos antepassados da escravidão) e tendo sidos libertos , acho que uma sociedade xenofóbica é que não tem educação, pois olhe ao seu redor. Leia bons livros e verá que o negro é igual ou talvez melhor em riquezas que qualquer branco indefinido. Indefinido até mesmo em consequência da miscigenação, não faltando é óbvio com o respeito, se bem que merecem um rechaço. Ser preto é ter História. É fazer parte da História que o branco com certeza sofre só de lembrar. Mas a dor não tem cura, principalmente quando se é maioria. A cura para a Xenofobia está em amai-vos uns aos outros. Vá té o Reino de Monomopata e vê se consegue um pouco de ouro em pó. Ou quantas Rainhas Brancas tenha tido um filho do Rei Salomão.O negro é lindo, é bom e gostoso, é aí que está a dor. São os brancos que têm que encontrar um jeitinho brasileiro de resolver o problema. Teremos muito prazer em ajudá-los. No mais existe um Deus. No mais existe sim uma atenção especial aos povos negros da àfrica que tem passado crise de fome pois seus chefes do passado foram escravizados é ficaram à deriva. o negro tem muito a cobrar. Mas não são cotas.É a dignidade. Quer ver um exemplo: Sou negra: não sei de onde meus antepassados vieram, não sei que língua falavam, não sei o VERDADEIRO NOME DOS MEUS ANTEPASSADOS.Por que nos foi dado um sobrenome que não é o nosso. Desvende esse mistério.
  • O racismo que Veja que não vê
    27 de setembro de 2007, por WALTER MAIA DO RÊGO
    Este fórum é moderado a priori: a sua contribuição só será exibida após ser validada por um administrador do site. Preciso enviar uam foto?
  • O racismo que Veja que não vê
    25 de fevereiro de 2007, por ironi
    adotei o tema " preconceito racial" na monografia que irei apresentar em novembro no curso de pedagogia. Sou muito interessada neste tema, gostaria de obter informações sobre materias, artigos pubicados por esta revista pela qual tenho muito respeito e interesse....grata...IRONI.
  • Não somos Racista ?!
    17 de setembro de 2006

    Roseli Rocha

    Seria uma piada se não fosse trágico o que Ali Kamel escreve no seu livro, a começar pelo título “Não somos racistas”. De fato parece piada! A soberba com que despreza as análises feitas por pessoas, instituições brasileiras e internacionais idôneas acerca da realidade racial do país, fez-me concluir, após a leitura do que eu chamaria de tentativa de “reatualização do mito da democracia racial brasileira”, de que o jornalista pode estar usando de má-fé ao menosprezar as lutas históricas do Movimento Negro e aliados dos Direitos Humanos, numa tentativa de confundir ainda mais as pessoas desinformadas. Suas análises, as únicas verdadeiramente isentas e livres de manipulação segundo a sua empáfia, se baseam em nada mais, nada menos, que na velha e já ultrapassada idéia de que o que existe em nosso país das maravilhas, não é o racismo, e sim o preconceito de classe. Qualquer um poderia identificar e distinguir, a partir de estereótipos, uma pessoa oriunda das classes empobrecidas de outra oriunda de classe alta. Os comportamentos e as sociabilidades distintas podem contribuir para isso. Existe sim, o preconceito de classe, mas também existe, talvez com maior força e violência, o preconceito racial. Dizer que existem abismos socias entre os ricos e pobres que geram desigualdades terríveis, é inegável, e nem precisa muito esforço intelectual para ter esta certeza. Todavia, o que o jornalista não consegue dizer, até porque suas fontes de referência teórica são tão superficiais quanto suas análises, é o porquê dos negros -pretos e pardos - serem a maioria dos pobres deste país. O porquê de serem eles a maioria dos analfabetos, a maioria dos que estão abaixo da linha da pobreza, a maioria dos jovens vítimas de homicídio. O que há de errado com os pretos e pardos que vivem num país que não é racista e que tem orgulho de ser mestiço? O autor não responde tal questão porque correria o risco de ver sua tese de que não somos racistas em xeque-mate. Dizer que o problema é a pobreza é uma coisa, saber o porquê dela ser preta e parda é outra. Sua insistência, quase à beira do histerismo, em afirmar que no Brasil o problema é a pobreza e não o racismo o impede de discutir a história da construção das relações raciais deste país. Preferiu separar os pretos dos pardos - coisa que um policial ou um porteiro racista teria dificuldade em fazer - referindo-se apenas ao primeiro como negro para sustentar os seus pobres argumentos de que é no classismo que reside o problema, não havendo assim, necessidade de políticas de promoção da igualdade racial. Sua retórica parte de uma das dimensões do reflexo do racismo, que é a pobreza, desprezando, contudo, suas origens e suas múltiplas expressões. Penso que não se deve considerar sério qualquer debate que não leve em consideração a nossa história e as ideologias que reproduzem preconceitos e discriminações. As teorias raciais dos séculos XIX e XX, bem como o fortalecimento das políticas de embranquecimento do pós-1888 são provas cabais de que foi sob a égide do racismo que construímos os pilares sobre os quais se sustentam as estruturas sociais deste país e que os altos índices de desigualdades sociais são o reflexo do que foi e ainda hoje são as iniqüidades raciais. O Enfrentamento dessa questão não pode ser mais adiado, são, no mínimo, 118 anos “esperando” oportunidades iguais para todos, “esperando” o direito ao acesso aos espaços de Ensino, de trabalho, de poder. Muitas lutas foram travadas por militantes negros e aliados, tais como o da Frente Negra Brasileira na década de 30 do século passado. Contudo, pouco, do que se teria por direito, se conquistou. Ninguém mais do que a população negra deste país deseja uma educação de qualidade. Todavia, esperar até quando? Será que os negros deste país terão que esperar mais um século pela oportunidade de cursarem uma Universidade? Qual o problema de garantir este direito agora? Por que haveria ódio racial com a implementação das cotas? Os não negros não seriam justos e solidários aos que junto com eles construíram este país, mas não tiveram as mesmas oportunidades de acesso a boas escolas e a outros direitos básicos? Não creio que pessoas, que vivem numa sociedade que se autodeclara para o mundo não ser racista, seriam tão injustas e egoístas. A política de cotas já está implantada em mais de 20 universidades brasileiras, não temos conhecimento de que pessoas tenham agredido outras por ódio racial. As poucas manifestações de cunho racista, não são diferentes das que os negros já experimentam do lado de fora (excluídos) da Universidade. Assim, penso, que devemos de fato investir firme na educação de qualidade para todos agora e, daqui a pouco anos, quem sabe, não haverá mais necessidade de mecanismos compensatórios para o enfretamento das desigualdades raciais. O que devemos ter como certeza é que uma coisa não inviabiliza a outra: Cotas, hoje, para os historicamente discriminados e, qualidade do ensino básico para todos, agora e sempre!

  • O racismo que Veja que não vê
    13 de setembro de 2006, por Clayton Ramos Pereira

    Cara senhorita, não concordo com a sua classificaçao racial.

    Eu, sei da existência do racismo e tenho uma boa noção de como ele atinge as pessoas. Mas não gosto, nem acredito, e muito menos vejo lógica na classificação que os movimentos negros fazem sobre os brasieiros. Classificar os brasileiros em apenas 5 raças já é pouco, em duas então, não faz sentido. Eu sou negro conforme o seu ponto de vista, mas não me vejo assim. Em minha certidão de nascimento está escrito que nasceu um menino de pele morena. Eu me vejo como moreno a mais de trinta anos e gosto de me ver assim. Então vem o movimento negro com uma questão meramente semãntica e diz que não existe morenos. A população brasileira entende que a palavra negro significa preto. Se chamarmos uma pessoa de pele escura de preta ela fatalmente dirá: "Preto é cor, negro é raça." E se avaliar as palavras verá que o oposto de preto é branco, e o contrário de negro é alvo. Se "quem escapuliu de branco é negro", que nome daria-se aos que escapuliram de preto ? Alvos ?! Sou universitário de uma das mais importantes federais do Brasil, sei sobre o racismo, mas sei também que sou melhor tratado que um negro, e pior que um branco. Usando a política de brancos e negros os movimentos negros deram um tiro no pé. Por quê? No curso que faço bem como em vários outros de minha instituição, ao dividirmos os alunos em brancos e negros, temos uma surpresa. A maioria estará no grupo dos negros. No meu curso cerca de 80%. Então, por que não colocarmos cotas para os brancos?! Só, que tem uma coisa aí, que a grosseiria da avaliação dos movimentos negros, não percebe. A maioria é da minha cor. Morena, ou parda ( como gostam). Em minha sala há várias Julianas Paes de cor, mas só uma Benedita da Silva e um Pelé. Não estou aqui a criticar a política de cotas, mas a classificação racial.

  • O racismo que Veja que não vê
    11 de setembro de 2006

    Prezada Conselheira,

    Sou e sempre serei contra qualquer discriminação, seja de cor da pele, religião, opção sexual, entre muitas outras criadas pelo bicho homem. Talvez por isso lí o livro do Sr. Ali Kamel sem grandes pretensões e sou obrigado a concluir: ele mata a questão. Não somos racistas. Mas há individuos racistas, os quais constrangem sim - e muito - muitos de nossos patrícios negros ou pretos, não importa.

    A partir da leitura daquele documento clareou em mim uma visão: temos que brigar pela discriminação contra os pobres - aqueles que por uma ou outra razão não conseguiram subir alguns degraus da escada da geração de riqueza - e lutar, até a morte, por uma educação de base em todos os níveis, dignificando a profissão Professor e sua instituição.

    Agora, querer institucionalizar uma política somente para negros ou pretos, deixando de lados os pardos, os "brancos" pobres e variantes , amarelos, indígenas e outras variações de pele (afinal, somos ou não todos iguais perante a Constituição?) soa como um oportunismo, o que certamente não é avalisado por essa Conselheira.

    Pondero que a Sra. releia o livro, isentando-se das emoções e, numa visão ponderada focando o Brasil no longo prazo, como Nação, onde todos tenham um lugar ao sol, com igualdade e dignidade.

    E morrerei defendendo a igualdade entre todos, pela ascensão através do mérito - sem uso de expedientes outros como nepotismo, puxasaquismo, "coleguismos", corrupção, cartas marcadas, roubos, tráfego de influência, faltacatruas outras -, sem distinção de cor, credo ou religião. Só assim se construirá uma verdadeira sociedade brasileira.

    Temos que reolhar o Brasil pensando no longo prazo, onde todos ganhem e não apenas alguns poucos.

    Tenha um bom dia!

    Marcus Aurélio

    Nota: o que está matando o Brasil não é a discriminação cromática entre brasileiros, apenas, é a falta de ética, de moral, de respeito ao Cidadão e vergonha na cara. Quem maltrata o Brasil são os maus políticos (ou políticos mals????)

    • O racismo que Veja que não vê
      4 de junho de 2007

      Você leu a reportagem da Revista da Veja, falando sobre DNA e Cotas na UNB, então leia essa!

      Um negro vai pedir emprego. O responsável para o setor de Recursos Humanos diz que as vagas já estão ocupadas. Desconfiado, ele pede a um amigo branco que vá até a empresa. O amigo branco é contratado. O que o candidato negro deve fazer? Simples. Ele pede um atestado de DNA sobre sua raça para a Revista Veja. O atestado comprova que ele tem 70% de origem européia. Ele leva para o setor de RH e exige ser contratado, pois ele também é branco. O responsável pelo Setor de RH diz que não é racista e que já fez o teste de DNA e tem 30% de origem africana. Afirma que todos que trabalham naquela empresa têm, no mínimo, 10% de origem africana. Portanto, no mínimo, 10% dos seus empregados são negros. “Nunca colocamos uma placa dizendo: Somente para brancos. Minha vó também é negra, eu sei como é isso.” O candidato negro olha pelos corredores, mas somente vê funcionários brancos. “Como é bom viver num país com Democracia Racial, sem racismo porque todo mundo é miscigenado!” As políticas de ação afirmativa é que vão dividir o país????

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