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T e m a s
Diante da possível aprovação da lei de cotas nas universidades federais, chegou a hora de refletir como ela será aplicada.

A aplicação das cotas para negros nas universidade foi o tema central da atividade Políticas de Ações Afirmativas para a População Negra em Educação, proposta pela Faculdade de Educação da Universidade Federal Fluminente (UFF) em parceria com a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
A pesquisadora Moema de Poli Teixeira advertiu sobre a necessidade de uma ferramenta séria de pesquisa por regiões ou por estados que ajude a nortear a aplicação da política de cotas. Para ela, é fundamental considerar que a realidade etnológica do Brasil varia segundo as regiões, para evitar que setores importantes da sociedade sejam excluídos. Enfatizou, ainda, a necessidade de delimitar o público que será contemplado nas cotas, lembrando que no censo da UERJ um quarto das pessoas que se definem como brancos se reconhecem também como afrodescendentes.
Segundo Moema, as universidades devem ter autonomia para definir o critério segundo a realidade de cada uma. Em algumas, talvez as cotas possam ser aplicadas por cursos, com o critério da autodefinição ou de avaliação. Foi o caso da UNB, que criou uma comissão especial para confirmar a inscrição dos solicitantes por intermédio de foto.
O professor Ahyas Siss da UFRJ avaliou que a política de cotas, de forma isolada, não é suficiente para cobrir o déficit histórico que o Brasil possui com a população afrodescendente. Para ele, é preciso pensar em políticas que contemplem as áreas da saúde, da moradía e do trabalho.