CirandaCiranda Internacional de Informação Independente
Para que outro mundo seja possível, é preciso reinventar a comunicação

Página inicial

FSM 2008

]BRASIL]

FME Alto Tietê

Ciranda Afro-BR

Reforma Política

Assembléia Popular

COMUNICA SP

SEDECO 2006]

Ciranda Mundi]

ANTI-G8

FSM 2007 NAIRóBI

Ciranda África

Fórum de Abril Recife

FME N. Iguaçu

FSM 2006 Policêntrico

FSM 2005 Porto Alegre

India Social Forum

OAXACA!

Mapa do site

Instituto Paulo Freire (GIF)

(GIF)

(GIF)

(GIF)

RITS (JPG)

sistema de publicação (JPG)

CirandaCiranda RSS

TV | Rádio | Fotos
Centro de Mídia Independente

Flor da Palavra da Vila Pescoço começa dia 5/7 no médio Solimões

O Santuário não se move! - Declara a Jornada de Arqueologia


TV CIRANDA

Estúdio Livre

TV PIOLHO

RÁDIO PIOLHA

Programa de 10.04 - Recife

Programa de 31.03 - Recife

Programa de 29.03 - Recife

Programa de 25.03 - Nova Iguaçu

Programa de 23.03 - Nova Iguaçu

Casa Macunaíma

Cayapa - Forum TV

01 02 03 04 05 06 07 08

Site oficial do FSM

Fórum de Abril

FME-Nova Iguaçu

Organizações brasileiras discutem igualdade racial

terça-feira 23 de janeiro de 2007

Atividades contam com participação de poucos africanos e, até mesmo, de poucos negros

Cristina Charão

Um Fórum Social Mundial realizado na África suscitou, entre as organizações, movimentos sociais e partidos políticos brasileiros, um desejo de falar e refletir sobre as relações do país com o chamado continente negro. O desejo e o esforço de levar o tema a Nairóbi estão explícitos na lista de atividades propostas por entidades brasileiras. São dezenas os debates e ações que focam desde as tentativas de superação do racismo no país a como tem se organizado as iniciativas para pagar a reconhecida "dívida histórica" com os descendentes de africanos. Afinal, estes são, pelo menos, mais de um terço da população brasileira.

Porém, a atividade cujo título explicitava claramente o intuito tornou-se não um debate afro-brasileiro, mas praticamente apenas brasileiro. Convocada por institutos ligados a partidos da coligação que reelegeu o presidente Luiz Inácio Lula da Silva - os instituto Maurício Grabois (PCdoB) e Perseu Abramo (PT) -, a mesa "Relações Brasil-África" acabou contando apenas com palestrantes brasileiros. Um representante do governo de Moçambique foi convidado pela organização, mas não pôde comparecer.

A platéia também foi majoritariamente brasileira - e branca. Das cerca de 40 pessoas presentes, apenas 5 ou 6 vinham de países africanos.

O que deveria, então, ser uma discussão sobre as relações entre o Brasil e a África acabou se tornando uma explanação de intenções do país latino-americano em relação ao continente que recebe, desde o dia 20, a sétima edição do FSM.

Mas pelo próprio diagnóstico feito pela convidada central do debate, a ministra Matilde Ribeiro, da Secretaria Extraordinária de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), é possível perceber que, no fundo, a composição e os caminhos do debate refletem o status de fato da relação entre o país e o continente.

"Nós sabemos que estamos mais identificando desafios do que realizando mudanças", disse a ministra ao final do evento. A julgar pelo restante de sua exposição, a frase não contém nenhum grau de pessimismo sobre a efetividade das ações. Ao contrário, refere-se ao fato de a questão racial - aí inclusa a relação política com a África - ter sido alçada ao posto de "questão estratégica" nas políticas sociais apenas recentemente.

O próprio movimento negro no Brasil reconhece o que chamam de "avanços" do governo Lula na área. Foram seus representantes os primeiros, de todos os movimentos sociais, a declarar apoio à reeleição de Lula. No debate em Nairóbi, concordaram com a ministra, com acenos de cabeça, em chamar Lula de "o primeiro presidente negro do país".

Ainda assim, o principal desafio apontado durante a discussão no Quênia é o convencimento da elite que governa o país da importância estratégica de uma aproximação com a África.

A própria ministra admitiu que "não dá para dizer que todos os setores do governo tem esta visão da história", referindo-se a uma abordagem que reconheça o protagonismo do negro na construção do país e os efeitos da escravidão e da abolição feita apenas por critérios econômicos sobre a vida da atual população afro-descendente. "Mas esta é a visão do presidente Lula", garantiu Matilde.

A questão, aqui, parece ser provar que razões "não tradicionais" devem pesar a favor da decisão de priorizar estrategicamente a África nas políticas de relações internacionais. "Nós temos interesses econômicos e políticos, mas temos também interesses culturais, históricos, sociais, baseados no reconhecimento histórico e na solidariedade", afirmou Matilde.

Para a vereadora Olívia Santana, do PCdoB de Salvador, o Brasil tem também razões "tradicionais" para "refazer o caminho entre o Brasil e a África". Segundo ela, o país precisa pensar na sua forma de inserção na geopolítica internacional. "Se temos que enfrentar a hegemonia norte-americana e de países europeus, é preciso estabelecer novas relações, que fortaleçam um novo pólo político", afirmou. Falta saber se os países africanos estão mesmo dispostos a encarar esta tarefa.

Copyright © 2004 - 2006 por Rede de Autoria Ciranda
Todo material neste sítio web, pode ser reproduzido livremente, desde que permaneça livre e a fonte seja citada, seguindo os termos da Creative Commons License: Atribuição-UsoNãoComercial-PermanênciaDaLicença.