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Fórum Social Mundial 2007 - Nairóbi, 20 a 25 de Janeiro

T e m a s

Os sem terra do Quênia no Kasarani

terça-feira 23 de janeiro de 2007

Espalhadas pelo Quênia, famĩlias camponesas tentam aprender novas formas de exigir o seu direito à terra

Frineia Rezende , Henrique Parra , Rita Freire

O grupo de 20 a 30 camponeses viajou da região agrícola que habitam no centro do país, para a cidade de Nairobi, na esperança de que o Fórum Social Mundial seja o espaço para conectar-se com os movimentos de luta pela terra fora de seu país. Eles fazem parte do Kenya Squatters Social Movement, que representa seis milhões de pessoas, metade da população queniana, sem direito à terra em que trabalham. Mas se sentem um pouco isolados. “Não sabemos muito bem como são feitas as lutas camponesas em outros lugares”

Andaram pela avenida que circunda o Estádio do Kazarani. onde o FSM se movimenta, quase invisíveis no turbilhão de grupos mais aparatados com bandeiras coloridas e slogans barulhentos. Vieram discretos, nas melhores roupas de passeio, ternos para os homens, vestidos de golas altas para as mulheres. E em pouco tempo se viram dando entrevistas para a imprensa alternativa.

“Viemos das terras que ficam ao pé do Monte Quênia” conta Solomon Maeira, um dos integrantes do grupo. O entorno da montanha mais alta do país, a segunda maior da África, tem terras cultiváveis que foram garantidas aos camponeses mas, depois, tomadas por latifundiários. “E não somos os únicos”, diz Solomon. Onde há áreas de florestas desmatadas no Quênia, há camponeses nessas condições”.

George Kome, coordenador do grupo, diz que é preciso enfrentar uma situação histórica, criada pela colonização inglesa, quando a terra foi desapropriada e vendida para poucos, iniciando o regime de latifúndios que permanece até hoje. A brutalidade dessa época explica a tragédia dos camponeses de hoje, segundo Henry Wasma, outra liderança.

Salomon está preocupado com os programas de assentamento negociados entre governo e parlamento para dar posse da terra às famílias agricultoras. Os mecanismos criados para garantir a propriedade são manipulados por interesses locais que desviam terras e títulos para as mãos privadas novamente. Irene Wanjiku está no movimento pelos seus filhos e irmãos pequenos. Hoje, não tem meio de sustentá-los. Até que cresçam, espera que essa história tenha mudado.

As formas de resistência é que são pouco eficazes. segundo o grupo, daí o interesse em aproveitar a oportunidade do FSM para conversar com pessoas de outros movimentos, como a Via Campesina. Mirian Wanjiku Ndungu ri ao imaginar sua comunidade ocupando uma terra, trabalhando nela e exigindo a reforma agrária, como faz o MST no Brasil. Não é assim que se age no Quênia, como suas risadas deixam saber. O movimento pressiona e reinvindica, esperando que os governos nacional e locais respeitem seus direitos. Mas quer ficar mais forte para cobrá-los.

Foi conversando aqui e ali que o grupo terminou sua jornada de terça-feira no FSM na tenda da Via Campesina, em uma grande roda com ativistas da América Latina e da Ásia. E ali começaram a contar sua história.

“Viemos aqui para abrir os olhos”, diz Solomon.


Representantes do Kenya Squatters Social
Entrevista com Ciranda
Encontro com Via Campesina
Encontro na Tenda da Via Campesina

Fórum

  • Os sem terra do Quênia no Kasarani
    16 de agosto de 2008, por Pc
    É incrível como este movimento se alastrou, por vários países, trazendo pessoas desabrigadas a reivindicarem um lugar decente para morar. Isto, é um sintoma da má distribuição de renda e a exclusão social do negro, índio, nordestino, pois, esta doença chamada "política" - deveria ser totalmente desenraizada, e reformulada, não somente conceder os direitos que já pertencem a este povo (Educação, Saúde, Emprego, Moradia, etc.), e deixarem de fazer ou anunciar programas hipócritas como fome zero e habitações. A alimentação é fundamental para todos os dias e não somente no Natal. E o programa criança esperança? Ainda podemos ver, pelo menos aqui no Brasil, um grande índice dessas nas ruas cheirando cola e furtando ou até mesmo trabalhando nos semáforos tentando sua subsistência; e mais ainda, sendo explorada sexualmente. Nunca vi um país com tanta gente ganhando muito sem fazer nada, como jogadores de futebol, entre outros esportes. E o pião que passa mais de 8hs no sol quente colocando asfalto, construindo, etc., esses, como outros levam 30 ou mais anos para se aposentar e ainda após a aposentadoria, têm que permanecer trabalhando para garantir ou reforçar seu sustento. Essa má divisão de renda, e a exclusão social -, precisa acabara e realmente ser respeitado os "Direitos Humanos", ou seja, direitos iguais para todos, mas para todos mesmo; sem distinguir cor, credo, raça, etc. Essa manipulação, da mídia e dos jornais, em manter as verdadeira notícias em canal aberto, não é interessante - o que também ocorre nas Instituições escolares ou públicas que existe uma cota de reprovação. Os conceitos de igualdade são relevados por esta população semi-analfabeta ou analfabeta, em que se contém com falsas promessas ou pequeninas ajudas de custo (cesta básica, bolsa escola, ou em períodos políticos, estes vão as comunidades carentes doam alguns tijolos, abraçam crianças sujas, dão bom dia até o cachorro que passa por ali). A população, deveria ser mais inteligente, de forma a não consumir excessivamente, não consumir produtos importados, como (coca-cola, Mc Dolnad’s, Bob’s,), e também terem conhecimento de fato dos seus direitos enquanto consumidores. Acrescentando ainda, quando ao super-mercado consumir o estritamente necessário, deixando de lado aquele produto que sofreu certo aumento. Finalizando, posso analisar que vivemos em uma época onde a corrupção e o corporativismo impera em qualquer lugar do mundo. O ser humano, não agravando à todos, se vende ou se troca por tão pouco que não compra a sua dignidade perdida, o respeito ao próximo é por menor, juntando isto ao descaso, o desmerecimento -, todos voltam da mesma forma como Deus nos enviou "nús", só é colocado uma roupa, por que alguém nos veste. O despotismo ainda continua em todas as repartições seja ela qual for. O certo, em minha análise, seria voltar como antigamente - não existia "dinheiro" e sim tudo à base de troca. O respeito seria maior e prioritário e não um papel moeda, que pode matar e mudar o comportamento humano, lhes proporcionando poder sobre o outro.
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