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Seminário discute politização do Fórum

quarta-feira 24 de janeiro de 2007

Ministro Luiz Dulci afirma que responsabilidades de governos progressistas e movimentos sociais são diversas, mas esses setores devem dialogar em busca da construção de uma agenda melhor

Luciano Máximo

Nairóbi, Quênia - Representante do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no 7° Fórum Social Mundial, o ministro Luiz Dulci, da Secretaria-Geral da Presidência da República, mandou uma mensagem aos ativistas e participantes do encontro: entidades que representam a sociedade civil têm que pressionar os governos para a conquista das transformações buscadas no encontro. "No governo não pode haver radicalismo. Cabe aos movimentos sociais fazer pressões para participar do processo político", declarou Dulci.

Em sua participação no seminário "Governos e Partidos Políticos", o ministro disse que autoridades e partidos não podem misturar suas responsabilidades com as de movimentos sociais para a criação de uma agenda destinada à sociedade. João Felício, secretário de Relações Internacionais da CUT, disse que as organizações populares radicalizam para atender ’as exigências da base. "Temos sempre que disputar espaço na discussão política. Se não lutarmos, outros setores, como o empresarial, preencherão este espaço", afirmou o sindicalista.

O ministro Luiz Dulci deixou claro que não é função do Fórum Social propor programas políticos para o Estado. Ao mesmo tempo, ele reconheceu que entidades merecem espaço dentro da estrutura governamental. "Devemos respeitar a autonomia do Fórum e criar espaços na estrutura do Estado para que a agenda da sociedade possa se expressar de acordo com compromissos assumidos. Os resultados são variáveis, às vezes melhores, outras vezes piores." O ministro exemplificou com políticas públicas definidas com participação popular, como as conferências nacionais, os conselhos políticos e a última negociação entre governo e centrais sindicais sobre o aumento do salário mínimo, em dezembro.

Ontem, parte do Fórum Social Mundial, que acontece na capital do Quênia, no leste africano, se voltou para discussões estruturais. Os organizadores decidiram que o encontro terá novos formatos já a partir deste ano. "Vamos expandir o alcance do Fórum. Em junho teremos o Fórum Social Norte-Americano. No ano que vem, vamos organizar eventos no máximo de lugares possíveis para ter um enfoque com mais peso em temas locais. Em janeiro de 2009, voltaremos com um grande encontro unificado para compartilhar as experiências adquiridas ao longo do período", anunciou o empresário Oded Grajew, idealizador da primeira edição do Fórum Social Mundial, realizado em Porto Alegre, em 2001.

Nesta quarta-feira (24), os participantes do Fórum de Nairóbi se dedicam a uma atividade inédita: a apresentação de propostas sobre o que foi discutido nos primeiros dias do encontro. O evento será encerrado amanhã com uma maratona em defesa dos direitos humanos.

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