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MST critica política agrária de Lula no FSM

quinta-feira 25 de janeiro de 2007

Via Campesina pede que presidente brasileiro siga passos de Chávez e Evo no campo agrário

Luciano Máximo

Nairóbi, Quênia - O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra tem usado os espaços de debate do 7° Fórum Social Mundial para criticar as políticas de desenvolvimento agrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em encontros com movimentos campesinos de todas as parte do globo, o MST apresentou argumento de que a reforma agrária no País não andou nos últimos quatro anos.

Segundo João Paulo Rodrigues, coordenador nacional da entidade, o Brasil não serve de referência para outros movimentos rurais presentes no Fórum, que segue com atividades até quinta-feira, em Nairóbi, capital do Quênia, no leste da África. "Não há avanços, não há novos assentamentos, não há modelos para mostrar ao mundo. Não houve desconcentração de terra no Brasil durante o governo Lula", criticou o sem-terra.

Para o coordenador nacional do MST, o governo não recrimina as entidades, mas ao mesmo tempo não avança nas políticas públicas reivindicadas por elas. "Nosso foco é a soberania alimentar. Queremos mais atenção ao mercado interno para garantir a produção e o desenvolvimento de pequenos produtores, mas o foco do atual modelo econômico brasileiro privilegia o agronegócio, o mercado externo", esclareceu João Paulo Rodrigues.

As organizações que integram a Via Campesina, uma rede internacional de movimentos de trabalhadores rurais, também fez duras críticas a política agrária do presidente Lula. O dirigente do MST reconheceu que entidades campesinas da América Latina, África e Ásia não vêem no petista uma referência para os trabalhadores. "As avaliações têm sido duras aqui no fórum, todos os movimentos sociais têm críticas, às vezes nós mesmos temos que sair em defesa do governo", disse.

O hondurenho Rafael Alegria, coordenador internacional da Via Campesina, disse que Lula deve seguir os passos de Bolívia, Venezuela e Equador e tratar a reforma agrária com pulso firme, vontade política e patriotismo. "É um dos únicos meios para acabar com a pobreza e com a fome no continente." Para Malarivo Toto Julien, dirigente de organização de trabalhadores rurais de Madagascar, onde 80% do PIB vem da agricultura, Lula tem que cumprir promessa feita no primeiro mandato e distribuir as terras brasileiras improdutivas.

Nobel - Nesta segunda-feira, no terceiro dia de atividades Fórum Social de Nairóbi, cerca de 300 trabalhadores rurais ligados à Via Campesina decidiram reforçar a indicação do presidente da Bolívia, Evo Morales, ao Prêmio Nobel da Paz. Rafael Alegria garante que o boliviano é um exemplo para o mundo por sua história e suas ações direcionadas aos pobres e índios daquele país.

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