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Movimentos sociais reforçam indicação de Evo Morales ao Nobel da Paz

quinta-feira 25 de janeiro de 2007

Para trabalhadores rurais, 20 anos de luta por igualdade e justiça social credenciam o presidente boliviano

Luciano Máximo

Mais de 300 trabalhadores rurais da América Latina, África e Ásia reforçaram na segunda-feira, dia 22, a indicação do presidente da Bolívia, Evo Morales, para o prêmio Nobel da Paz de 2007. Eles decidiram pressionar os integrantes da Academia Nobel pela indicação durante reunião na tenda da Via Campesina, montada no complexo esportivo Kasarani, nos arredores de Nairóbi, capital queniana, sede da 7ª edição do Fórum Social Mundial.

Para o hondurenho Rafael Alegria, coordenador internacional da Via Campesina, o presidente boliviano tem méritos suficientes para receber a condecoração por seus 20 anos de luta por igualdade e justiça social.

A decisão de nacionalizar as reservas de gás e petróleo do país andino, em maio de 2006, é também um ato de Morales muito festejado pelos militantes presentes no Fórum Social Mundial. "Há também o combate à corrupção e o decreto de agilizar o processo de reforma agrária na Bolívia, aprovado em outubro do ano passado pela Congresso do país", elenca Alegria.

O ativista aproveitou para alfinetar o governo brasileiro. Como o processo de reforma agraria não avancou no Brasil durante o primeiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o coordenador internacional da Via Campesina, disse que o chefe de estado brasileiro deveria seguir os passos seus vizinhos latino-americanos, com Hugo Chavez, Evo Morales e Rafael Correa e tratar a reforma agrária com pulso firme, vontade política e patriotismo. "É um dos únicos meios para acabar com a pobreza e com a fome no continente", afirmou. Para Malarivo Toto Julien, dirigente de uma organização de trabalhadores rurais de Madagascar, onde 80% do PIB vem da agricultura, Lula tem que cumprir promessa feita no primeiro mandato e distribuir as terras brasileiras improdutivas.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra tem usado os espaços de debate do 7° Fórum Social Mundial para criticar as políticas de desenvolvimento agrário do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Em encontros com movimentos campesinos de todas as parte do globo, o MST apresentou argumento de que a reforma agrária no país não andou nos últimos quatro anos e tem recebido apoio dessas organizações.

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